Por que os ativistas da Marcha da Maconha pediram asilo político ao Uruguai

Ativismo, Clipadão, Uruguai

hempadao 22 dezembro, 2018

Portadora de artrite reumatoide e síndrome de Sjogren, doenças autoimunes que atingem as articulações e as glândulas exócrinas, respectivamente, a psicóloga aposentada Marcia Lima Guerra, de 53 anos, desenvolveu no ano passado um quadro de epilepsia.

Fonte: Huffpost Brasil

“Minha medicação para doença autoimune não funcionava mais, os imunossupressores se encontravam refratários à doença e eu já tinha usado todos do mercado. Quando eu vi, estava tendo convulsões todos os dias. Vomitava por 24 horas, não conseguia fazer mais nada”, contou Guerra ao HuffPost Brasil.

Foi quando ela experimentou óleo de maconha, e a vida começou a “entrar nos trilhos”. “Faz um ano e um mês que eu estou tomando o óleo. Hoje eu controlo os sintomas e consigo ficar bem para me divertir, consigo ficar bem para viver.”

No último dia 29, Guerra estava com ativistas da Marcha da Maconha de São Paulo quando o grupo protocolou um pedido de asilo político no Consulado do Uruguai, país que regulamentou a venda e o autocultivo da erva. De acordo com Gabriela Moncau, militante da Marcha da Maconha e do coletivo DAR (Desentorpecendo a Razão), o pedido de asilo é, sobretudo, um ato político em defesa da legalização cannabis medicinal.

“Pedimos que o uso terapêutico da maconha seja legalizado no Brasil, mas que também seja permitido o cultivo em casa, sem privilégio à indústria farmacêutica. Isso, para nós, é fundamental”, disse Moncau ao HuffPost.

“Escolhemos o Uruguai porque é um país vizinho que, na nossa opinião, está com uma legislação muito avançada. É uma homenagem ao Uruguai e é, ao mesmo tempo, uma denúncia do Estado brasileiro, que prejudica aqueles que precisam da maconha como remédio. É uma perseguição política que traz um problema humanitário”, completou.

Não há prazo para uma resposta do consulado uruguaio. O asilo, ao contrário do refúgio, é uma ferramenta estritamente política de proteção a indivíduos perseguidos e sua concessão não requer necessariamente um embasamento jurídico.

Se fosse importar tudo o que precisa para seu tratamento, Guerra diz que gastaria no mínimo R$ 4.000 por mês. “É muito caro. Chega um momento em que você percebe que não vai conseguir, que realmente vai ter que produzir, cultivar”, diz.

Autocultivo de maconha

Marcia Guerra integra a Cultive – Associação de Cannabis e Saúde e busca autorização da Justiça para plantar maconha em casa. Esse é o caminho trilhado por pacientes que, sem poder arcar com o alto custo do tratamento, recorrem ao Judiciário para cultivar cannabis e produzir óleo de maconha de forma artesanal — cerca de 25 famílias brasileiras têm a permissão atualmente.

A psicóloga conta que começou a fumar maconha de forma terapêutica para aliviar dores intensas, especialmente a partir do momento em que colocou uma prótese no joelho, até recorrer ao óleo contra epilepsia. “A maconha me salvou. Sempre me fez bem, mas eu não usava diariamente. Quando fechou o diagnóstico da epilepsia, eu soube que já não tinha mais opção. Eu sabia que o melhor tratamento para mim era mesmo com a maconha”, conta.

Sobre o asilo político no Uruguai, ela diz considerar o pedido um “ato simbólico” e afirma que não quer ser obrigada a deixar o Brasil. “O meu remédio é uma coisa muito importante. É uma condição de vida para mim. Eu espero continuar aqui no meu País, lutando por essa causa.”

Leia completo lá no Huffpost BR



Uma resposta para “Por que os ativistas da Marcha da Maconha pediram asilo político ao Uruguai”

  1. Avatar Sueli disse:

    Parabéns pela luta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *




[pro_ad_display_adzone id=17608]
[pro_ad_display_adzone id=17609]