Home Mais Carta Capital Jogo sobre como cultivar maconha é lançado no Brasil

Jogo sobre como cultivar maconha é lançado no Brasil

Jogadores controlam todos os processos de produção, distribuição e fornecimento da ganja

Por Cadu Oliveira / Ilustração Felipe Navarro

Não é novidade que o universo da ganja movimenta também o mundo dos games. Esse mês, a tradicional distribuidora dos jogos online Steam disponibilizou em sua vitrine o jogo Weedcraft. E como o nome já entrega, a temática é voltada totalmente a cannabis.

E não foi só agora que a indústria dos games se deu conta que a erva é comercial. Desde 2014 é possível acessar aplicativos como “Hempire – Jogo de cultivo de plantas” e “Weed Firm”. A novidade é que o Weedcraft é, enfim, um game mais complexo sobre o assunto. Por ter o PC como plataforma, consegue ter melhor jogabilidade. O simulador de cultivo está longe de conseguir reproduzir uma growroom  (sala de cultivo) real, mas ainda assim a viagem é válida.

O jogo apresenta duas formas de começar. A história básica é a que o seu personagem passou um ano faculdade, mas teve que interromper os estudos devido ao falecimento de seu pai, o que forçou o jovem a entrar no mundo do tráfico, junto a seu irmão mais novo. Ou é possível optar pela “história avançada”, na qual o seu personagem volta a ativa depois de passar dez anos preso por cultivo e tráfico.

O roteiro do game instiga, logo no início, uma boa reflexão sobre a diferenciação entre remédios legais e a maconha. Chega também a apresentar a cannabis como uma boa fonte de força para lutar contra dores do câncer e quimioterapia.

Na sala de cultivo, localizada incialmente no porão da casa, todas as partes que envolvem o cultivo indoor de maconha são explicadas de forma ilustrada. Na parte onde é possível escolher a fonte de lumens, encontra-se o aviso bem explicado: “As plantas não crescem sem luz. A escolha da iluminação influencia os rendimentos, mas também a temperatura na sala, a vigilância policial (devido ao consumo de energia) e os custos mensais”, avisa, detalhadamente.

Depois da primeira missão de colher cem gramas de fumo, o segundo passo é estabelecer um mercado público. Apesar de saber da ilegalidade do produto, o personagem reflete sobre, pelo menos, a atitude “pagar bem e não fazer mal a ninguém”.

O primeiro strain de maconha conhecida a ser obtida no jogo é a Super Lemon Haze, com descrição sobre a brisa proporcionada: “Muitos subestimam esta variedade a princípio, achando que ela não é forte o bastante. De fato, o efeito começa devagar, mas quando bate, todos que estavam em dúvida ficam atônitos, tomados pela explosão de ondas cerebrais cítricas”, diz o jogo.

Lidando com a concorrência, administrando preços e logísticas de produção, o Weedcraft vai envolvendo o jogador, deixando o jogo viciante. Com tempo, é preciso começar a compreender os níveis exigidos de NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) preferidos de cada variedade, evoluir vasos, substratos e lâmpadas. Evoluindo na trama é necessário, inclusive, mudar de cidade para continuar crescendo o negócio.

Tal como uma música feita sobre maconha, o jogo também cumpre uma função de militância ao trazer às vistas gerais uma realidade sobre a ilegalidade da erva. No game, tal como na vida, os clientes das flores são: “Artistas, Celebridades, Atletas, Valentões, Cidadãos Comuns, Pacientes com Câncer, Turistas e Vagabundos”, cada um com seu perfil e seu “limite de preço”, ou seja, o valor máximo que costumam gastar com a erva.

A existência e proeminente sucesso de jogos desse tipo, relacionado à ganja, só mostram o quanto a cannabis tem potencial comercial vasto. A indústria do entretenimento já se utilizou da planta para vender livros, peças, músicas, filmes, documentários e séries. Portanto, não tinha como evitar essa evolução natural: jogos de maconha.

****** Texto originalmente publicado na Carta Capital

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Must Read

Série de Bela Gil perde classificação livre após exibir consumo de Ayahuasca

Bela Gil consome ayahuasca em um episódio da série Bela Raízes, do canal Futura; programa foi reclassificado O Ministério da Justiça modificou a classificação indicativa...

Profissionais de TI usam cada vez mais drogas

As substâncias seriam empregadas para aliviar o estresse provocado pela pressão no trabalho Em todos os campos profissionais nos EUA, o vício em substâncias pode...

Fundos de Ações de maconha podem ganhar terreno, dizem analistas

A BlackRock, a maior gestora de recursos do mundo, "provavelmente" irá lançar um fundo negociado em bolsa com foco em cannabis O setor de fundos...

VEJA lança blog sobre Maconha: CannabiZ

O blog pretende "se debruçar sobre os desafios diante do novo status da planta na sociedade, no mercado e na ciência" Este é o primeiro...

Empresa canadense desenvolve avião feito e movido a maconha

O jato da empresa Hempearth comporta quatro pessoas e já está em fase de produção. Procurada pela multinacional estadunidense DuPont, a fabricante do avião recusou...