Jogo sobre como cultivar maconha é lançado no Brasil

Carta Capital, Hemptal

Charllotte 2 maio, 2019

Jogadores controlam todos os processos de produção, distribuição e fornecimento da ganja

Por Cadu Oliveira / Ilustração Felipe Navarro

Não é novidade que o universo da ganja movimenta também o mundo dos games. Esse mês, a tradicional distribuidora dos jogos online Steam disponibilizou em sua vitrine o jogo Weedcraft. E como o nome já entrega, a temática é voltada totalmente a cannabis.

E não foi só agora que a indústria dos games se deu conta que a erva é comercial. Desde 2014 é possível acessar aplicativos como “Hempire – Jogo de cultivo de plantas” e “Weed Firm”. A novidade é que o Weedcraft é, enfim, um game mais complexo sobre o assunto. Por ter o PC como plataforma, consegue ter melhor jogabilidade. O simulador de cultivo está longe de conseguir reproduzir uma growroom  (sala de cultivo) real, mas ainda assim a viagem é válida.

O jogo apresenta duas formas de começar. A história básica é a que o seu personagem passou um ano faculdade, mas teve que interromper os estudos devido ao falecimento de seu pai, o que forçou o jovem a entrar no mundo do tráfico, junto a seu irmão mais novo. Ou é possível optar pela “história avançada”, na qual o seu personagem volta a ativa depois de passar dez anos preso por cultivo e tráfico.

O roteiro do game instiga, logo no início, uma boa reflexão sobre a diferenciação entre remédios legais e a maconha. Chega também a apresentar a cannabis como uma boa fonte de força para lutar contra dores do câncer e quimioterapia.

Na sala de cultivo, localizada incialmente no porão da casa, todas as partes que envolvem o cultivo indoor de maconha são explicadas de forma ilustrada. Na parte onde é possível escolher a fonte de lumens, encontra-se o aviso bem explicado: “As plantas não crescem sem luz. A escolha da iluminação influencia os rendimentos, mas também a temperatura na sala, a vigilância policial (devido ao consumo de energia) e os custos mensais”, avisa, detalhadamente.

Depois da primeira missão de colher cem gramas de fumo, o segundo passo é estabelecer um mercado público. Apesar de saber da ilegalidade do produto, o personagem reflete sobre, pelo menos, a atitude “pagar bem e não fazer mal a ninguém”.

O primeiro strain de maconha conhecida a ser obtida no jogo é a Super Lemon Haze, com descrição sobre a brisa proporcionada: “Muitos subestimam esta variedade a princípio, achando que ela não é forte o bastante. De fato, o efeito começa devagar, mas quando bate, todos que estavam em dúvida ficam atônitos, tomados pela explosão de ondas cerebrais cítricas”, diz o jogo.

Lidando com a concorrência, administrando preços e logísticas de produção, o Weedcraft vai envolvendo o jogador, deixando o jogo viciante. Com tempo, é preciso começar a compreender os níveis exigidos de NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) preferidos de cada variedade, evoluir vasos, substratos e lâmpadas. Evoluindo na trama é necessário, inclusive, mudar de cidade para continuar crescendo o negócio.

Tal como uma música feita sobre maconha, o jogo também cumpre uma função de militância ao trazer às vistas gerais uma realidade sobre a ilegalidade da erva. No game, tal como na vida, os clientes das flores são: “Artistas, Celebridades, Atletas, Valentões, Cidadãos Comuns, Pacientes com Câncer, Turistas e Vagabundos”, cada um com seu perfil e seu “limite de preço”, ou seja, o valor máximo que costumam gastar com a erva.

A existência e proeminente sucesso de jogos desse tipo, relacionado à ganja, só mostram o quanto a cannabis tem potencial comercial vasto. A indústria do entretenimento já se utilizou da planta para vender livros, peças, músicas, filmes, documentários e séries. Portanto, não tinha como evitar essa evolução natural: jogos de maconha.

****** Texto originalmente publicado na Carta Capital



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