Maioria dos extratos de maconha vendidos online não tem quantidades indicadas de canabidiol

Clipadão

hempadao 8 novembro, 2017

FILADÉLFIA – Segundo um estudo publicado esta semana, a maior parte dos produtos a base de canabidiol (CBD) utilizados para fins medicinais vendidos online nos Estados Unidos não tem a quantidade da substância indicada no rótulo. O CBD é um composto extraído da Cannabis sativa, que, além das evidências dos benefícios médicos, não proporciona o “barato” da maconha ou causaria dependência.

Fonte: O Globo

O resultado apontado pelos pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, segundo os cientistas, estaria ligado a uma ausência de regulação e supervisão adequadas dos produtos – apesar de a maconha ser legalizada para uso medicinal em muitos estados do país.

O novo estudo aponta que cerca de 70% dos produtos a base de cannabidiol vendidos online não tem as quantidades indicadas nos rótulos, trazendo prejuízos aos seus consumidores.

“O problema, com isso não sendo algo legal em âmbito federal, é que a qualidade necessária não é garantida sob a supervisão da FDA (a administração de alimentos e drogas dos EUA). Não há padrões atualmente para a produção, testagem ou rotulação desses óleos,” disse Marcel Bonn-Miller, professor assistente e autor principal no estudo. “Mas se você compra uma barra de chocolate de uma marca famosa, sabe que foi verificada; quantas calorias têm, os ingredientes e a quantidade deles”.

Ele acrescenta que se a venda dos óleos acontece sem supervisão, não há como saber o que tem, de fato, dentro dos frascos. “É uma loucura ter menos supervisão e informação sobre um produto que está sendo amplamente utilizado para fins medicinais, especialmente em crianças muito doentes”, aponta ele.

Bonn-Miller e sua equipe conduziram por um mês buscas na internet para identificar produtos a base de CBD, que incluíam a quantidade do composto na embalagem. Eles compraram e analisaram 84 de 31 companhias diferentes e descobriram que mais de 42% dos produtos estavam “sub-rotulados”, o que significa que o produto possuía maior concentração de CBD do que o indicado.

Outros 26% dos produtos estavam ‘sobre-rotulados’, o que significa que tinham menor concentração de CBD que o indicado. Apenas 30% deles continha, de fato, um conteúdo que estava dentro de 10% da quantidade listada no rótulo.

Por mais que estudos não apontem danos ligados ao uso de grandes quantidades de CBD, produtos com muito pouco ou a mais do que o rotulado podem anular os possíveis benefícios clínicos para os pacientes.

“As pessoas estão usando como remédio para muitas condições (como ansiedade, epilepsia e dores),” Bonn-Miller explicou. “Mas muitos desses pacientes podem não estar recebendo a dosagem adequada: não estão tomando a quantidade suficiente para que seja efetivo ou estão tomando demais.”

De acordo com o pesquisador, muitos produtos também contêm signfiicante quantidade de THC, substância presente na cannabis responsável por dar “barato” e que pode trazer danos cognitivos e outros efeitos colaterias. “Como é dada para criançlas para tratar crises de epilepsia, pais podem estar dando THC aos seus filhos sem nem saber”.

Aumento substâncial no mercado

Pesquisas recentes mostram os potenciais efeitos terapêuticos do CBD para crianças com raros transtornos convulsivos e em pacientes com diversas condições em que a cannabis ou o CBD tenham trazido benefícios de saúde. Especialistas estimam que a produção do mercado de CBD vá crescer mais de $2 bilhões em vendas nos próximos três anos. Por outro lado, pouco se tem feito em termos de regulação e supervisão da venda de produtos a base de CBD.

Diante disso, muitas pessoas não têm acesso a lojas que vendam produtos com o composto e, por isso, contam apenas com quem venda os produtos pela internet.



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