Lobotomia do Século 21 para Curar a Dependência Química? [Chapa2 Ed. 210#]

Chapa2

hempadao 5 março, 2013

O Chapa2 desta semana não trata exatamente da vida política, mas do nível de paranoia que chegamos no utópico projeto de criar um mundo livre das drogas. Aqui no Brasil, na cidade de Belo Horizonte, um médico está ganhando fama e dinheiro por realizar uma cirurgia que promete curar a dependência química de drogas. Como? Perfurando o cérebro e introduzindo eletrodos nas áreas responsáveis pelo prazer e recompensa. O valor? 40 mil reais!

O neurocirurgião Rodrigo de Mattos Labruna explicou em entrevista ao jornal A Gazeta que a cirurgia por estereotaxia só é realizada como último recurso para tratar a dependência. “A pessoa tem que ter passado por todos os outros tratamentos possíveis, como terapia, psicoterapia e internação”, disse.

O procedimento dura três horas e é feito com a uma abertura de cerca de três centímetros de diâmetro no crânio, por onde é introduzido um eletrodo que age lesionando ou enviando estímulos a área relacionada ao prazer. O paciente recebe alta em até três dias.

É inevitável comparar a cirurgia do doutor Labruma com a lobotomia, procedimento desenvolvido no início do século 20 para tratar pacientes com problemas mentais. A lobotomia foi responsável por deixar sequelas graves de alteração de personalidade e foi banida da medicinal no final dos anos 50, sendo lembrada como um dos procedimentos mais perversos da história da psiquiatria.

Apesar de existir um caminho legal para realização da cirurgia por estereotaxia, o coordenador do Departamento de Neurocirurgia Funcional da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Arthur Cukiert, afirmou que o procedimento não está regulamentado. “Não há evidência técnica de alto nível na literatura que demonstre adequadamente sua eficácia e o mesmo não foi aprovado por nenhuma agência regulatória a nível mundial”.

Apesar do doutor afirmar que cirurgia é eficaz em 80% dos casos, vamos desaconselhar que qualquer usuário de drogas entre na clínica do Dr. Labruma. Se possível, nem passe na calçada do sujeito!



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