A luta das mulheres pela igualdade de direitos se expande cada dia mais em todo o mundo, não poderia ser diferente na indústria da maconha. Em países que a legalização já virou realidade, o mercado cannabico tem crescido bastante e em paralelo com o espaço para o público feminino.
por Alexandre A.
Ex-moradora de um centro zen, nos Estados Unidos, Madrone Stewart, graduada em horticultura, precisava de renda para se mudar e ter seu sustento, quando teve a oportunidade de conhecer uma plantação de cannabis, em Humboldt, onde conseguiu um emprego. Através da prática obtida, Madrone produziu um livro sobre o assunto. Feminist Weed Farmer é um livro que conta toda a experiência de uma cultivadora de maconha, desde divertidas ideias de consumo até boas dicas de cultivo cannabico.
Após ter escrito seu livro e trabalhado em diversas fazendas, a escritora inaugurou sua própria fazenda de maconha, a Purple Kit Farm. A produção ocorreu durante quatro anos, sendo os dois primeiros sob a supervisão de Madrone. Tendo como lema a integridade, transparência e o respeito, a empresa era caracterizada por contratar pessoas do público feminino e LGBTQ+ e ser totalmente contra o sexismo. A empresária fortifica que o sucesso econômico não pode ser visto como o principal objetivo, mas sim a boa relação com seus clientes e colegas de trabalho, que colabora não só com a sua saúde mental, mas também com a das pessoas que se relacionam com você, sendo a chave do negócio.
Considerando que a vida não é um mar de skunk, uma série de obstáculos teve que ser ultrapassada. O medo de ser presa era um dos principais, porque mesmo o cultivo sendo legalmente aceito, de acordo com a lei estadual, ainda era um crime federal nos EUA. A preocupação com o roubo também foi muito presente, já que, como mulher, Madrone se sentia extremamente vulnerável, o que a fez passar por diversas crises de ansiedade, principalmente nos períodos de colheita.
Apesar de, segundo Madrone, a indústria da maconha ser consideravelmente sexista e dominada pelos homens, a produtora conseguiu usar o fato de ser mulher como uma vantagem durante o cultivo. A cultivadora mantinha um nível de privacidade e integridade profissional extremamente difícil de ser alcançando pelos produtores homens e reforça, além disso, a importância de sua participação como uma mulher negra no cultivo de cannabis para inspirar pessoas a seguirem seus sonhos, mesmo sendo incomuns.
Atualmente, Madrone estuda psicologia clínica, pretende trabalhar como psicoterapeuta com a utilização de substâncias psicodélicas para tratamento e acredita que o cultivo pessoal de cannabis é o futuro dos usuários.
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