Home Colunas Clipadão Série de Fernando Meirelles vai mostrar São Paulo com maconha liberada

Série de Fernando Meirelles vai mostrar São Paulo com maconha liberada

SÃO PAULO – Imagine uma casa no bairro boêmio da Vila Madalena, em São Paulo. O ano é 2019 mesmo, mas há algo diferente no ar. Está liberada a venda de maconha no Brasil, e a tal casinha é uma loja especializada na mercadoria. Fake news? Entre para ver. Quem entrou acreditou.

Fonte: O Globo

Meio de sarro, meio para testar a verossimilhança do cenário, a equipe de arte da série “Pico da neblina” convidou curiosos que passavam na porta da locação para conhecer o Empório Maria Joana, seus balcões e vitrines.

— Eles começaram a caminhar pela loja e a ver os preparados e os ramos da erva, feitos de musgos, chás, coisas orgânicas. Ficaram tão parecidos que os visitantes foram cheirar para ver se eram de verdade. Depois disso, abrimos o jogo e falamos que era tudo parte de uma série — conta, rindo, o cineasta Quico Meirelles, que, junto com o pai, Fernando, é diretor-geral da atração, uma produção original da HBO Latin America.

Com estreia prevista para este ano na HBO, mas ainda sem data definida, a primeira temporada de “Pico da neblina” se passa nessa São Paulo utópica, em que a droga acaba de ser liberada para uso recreativo. Chico Mattoso é o roteirista chefe, com colaboração de Mariana Trench, Cauê Laratta e Marcelo Starobinas. Composta por dez episódios de uma hora, a série já tem uma segunda temporada aprovada e em pré-produção.

Na trama, o traficante Biriba (Luis Navarro) aproveita a oportunidade da legalização para sair da clandestinidade e deixar a periferia. Junto com um ex-cliente, o playboy Vini (Daniel Furlan), ele monta um negócio para vender a erva na Vila Madalena.

Mas nada é simples assim. A série tem um terceiro personagem, Salim (Henrique Santana), amigo de infância de Biriba. E o ex-traficante terá que se dividir entre os dois mundos, o de sua origem e o do novo negócio, quase sempre como um peixe fora d’água:

— É como se fosse um “Breaking Bad” às avessas, ou seja, um “Breaking Good” — brinca Quico. — Lá, o cara inteligente e bonzinho resolve virar chefão do crime. Aqui é o contrário: um cara que estava no mundo ilegal quer ir pra legalidade. No Brasil, fazer essa inversão não é tão fácil.

O ator e roteirista Daniel Furlan, um dos “pilotos” do humorístico “Choque de Cultura”, jura que sua maior preocupação foi treinar para que o ato de enrolar e fumar maconha soasse natural:

— Nunca fui usuário, mas sempre circulei num meio em que a erva é consumida de forma tranquila. Há muitas cenas na série em que ele aperta e fuma, e eu precisei dar uma treinada. Só é uma coisa de tornar isso mais natural, porque não tenho os trejeitos.

De olho no país de hoje, a equipe da série acha que a premissa da história está ainda mais distante da realidade.

— Num certo sentido, fica interessante, porque a série acaba se tornando uma ficção científica — argumenta Quico. — É tão difícil de acreditar que o consumo de maconha vá ser legalizado no Brasil de agora, com esse novo Congresso. Enfim, vamos ver o que vai acontecer.

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