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“Soy el fuego que arde tu piel”

por S. M. Hermes

A terceira temporada da série “Narcos” do Netflix ilustra bem como funciona a Guerra às Drogas e todos os mecanismos atuantes e envolvidos no sistema — desde os narcotraficantes e as FARC, até o DEA e outros departamentos dos governos dos Estados Unidos e da Colômbia. Ter a perspectiva interna das operações e todas as implicâncias geradas por esses confrontos de poderes pode ser muito esclarecedor em termos de compreensão de como funciona o jogo político, em determinadas situações.

Conforme o combate às drogas a nível mundial tornou-se lucrativo para determinados setores da indústria, sua manutenção é de grande interesse dos mesmos. Portanto, os incentivos financeiros e publicitários disponibilizados à Guerra as Drogas são enormes, sendo uma pauta constante na agenda pública de vários países, como por exemplo, o Brasil.

Dessa forma, a proibição torna-se uma das principais cruzadas de determinados governos, que buscam seu objetivo fazendo o uso de extrema violência, com a desculpa de uma possível conquista da “Terra Santa”.

De acordo com a pesquisa “Impacto Econômico da Legalização das Drogas no Brasil” (2016), um estudo norte-americano de 2010 estimou o impacto econômico da legalização de drogas em geral, além da maconha em particular. Segundo o estudo, a legalização economizaria aproximadamente US$ 41,3 bilhões por ano em gastos do governo dos Estados Unidos com o combate às drogas.

Ainda de acordo com a mesma pesquisa, “considerando dados de 2014, estimou-se que os gastos com tratamento, repressão e combate a todas as drogas foram de quase R$ 5 bilhões. Os principais gastos associados ao uso e tráfico de drogas são despesas com repressão policial, com o sistema prisional, com tratamento de saúde e com processos judiciais”.

Em suma, a pesquisa brasileira prevê um cenário positivo onde existe um novo mercado formal aberto, onde a violência foi drasticamente reduzida, etc. Isto é, caso houvesse uma legalização das drogas, em particular da Cannabis.

“Outro acordo. Um meio-termo. Uma farsa. Uma forma de governos que não ligam para a guerra que estão supostamente lutando e continuam fingindo que estão vencendo. Mas não se pode vencer. Nunca vencerão. Não antes que as pessoas vejam a realidade. Não antes de saberem a verdade.” – Javier Peña, personagem de Narcos.

Fontes:

http://www2.camara.leg.br/a-camara/documentos-e-pesquisa/estudos-e-notas-tecnicas/areas-da-conle/tema10/impacto-economico-da-legalizacao-das-drogas-no-brasil

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