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Só digo uma coisa: não digo nada

E digo mais: só digo isso. Em termos de comédia, realmente tem sido bastante complicado concorrer com a realidade, vide 50 mil anos atrás. Mas como já dizia o profeta: “quem tá na chuva é pra se queimar”.

Infelizmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária não foi favorável ao plantio de Cannabis para fins medicinais. A votação que ocorreu no último dia 3 de dezembro, apenas comprova e atesta que o Brasil ainda não tem maturidade suficiente pra tornar nosso sonho mais próximo da realidade — ou seja, legalizar por completo a mais querida planta entre tantas outras.

Isso, pra que possamos desfrutá-la enquanto medicina, terapia ou recreação. E, obviamente, quem necessita da Cannabis enquanto remédio tem toda a preferência nessa longa fila de espera. Porém, a autorização concedida pela Anvisa é somente aos grandes grupos farmacêuticos. Associações e cooperativas, quem de fato merece esse salvo-conduto, foram deixadas de fora.

E conforme foi eleito o atual desgoverno Bolsonaro, as possibilidades de mudanças positivas nas políticas de drogas ficam ainda mais intangíveis. Alguns ministros, como Osmar Terra, já deixaram bem clara sua posição sobre o tema, que é de completa e total falta de sentido e conexão com a realidade, seguindo cegamento no compasso do mais que falido proibicionismo.

“Eu vi o rumo que as coisas estavam tomando, muito tempo atrás. Eu não disse nada. Sou um dos inocentes que poderiam ter elevado a voz quando ninguém atentava para os “culpados”, mas não falei e, com isso, eu mesmo me tornei um dos culpados.” – Ray Bradbury, em Fahrenheit 451 (1953).

Explained

Na série Explicando, da Netflix, o décimo segundo episódio trata sobre maconha. Um dos especialistas presentes é o neurocientista norte-americano Carl Hart, autor do livro Um preço muito alto (2013). Atualmente um dos grandes cientistas no campo das drogas e dos vícios. Após assistido todo o episódio, é possível ter uma bela ideia de como será o futuro da Cannabis.

Pico da Neblina

No começo desse novembro passado, foi anuciada a reabertura do Parque Nacional do Pico da Neblina, que fica em Santa Isabel do Rio Negro, no Amazonas. O lugar é sagrado na cultura dos Yanomami, considerado “poderoso e abrigadouro de espíritos sublimes”. São vários os objetivos com esse projeto, e um deles é o etnoturismo, que tem “o propósito de valorizar também a cultura indígena local”. Enfim, baita pico, nome mais do que sugestivo.

Fontes:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-11/recanto-sagrado-dos-yanomami-pico-da-neblina-deve-ser-reaberto
https://hempadao.com/anvisa-rejeita-cultivo-de-maconha-para-fins-medicinais-no-brasil/
https://www.smokebuddies.com.br/pacientes-maes-associacoes-e-advogados-falam-sobre-decisao-da-anvisa/

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