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Será que a Maconha é o futuro da cerveja?

Imagine você encontrar os amigos para uma cerveja e escolher a bebida não pelo tipo ou fabricante, mas pelo efeito que quer sentir no corpo: algo para ficar mais feliz, mas calmo ou com mais energia. Este é o sonho de Keith Villa, o cervejeiro que criou a Blue Moon, e uma grande ideia por trás de sua nova empresa, Ceria Beverages. A empresa não é uma cervejaria tradicional, ela é focada em fazer cerveja de cannabis, uma bebida não-alcoólica que mesmo assim vai te deixar em um estado de consciência (levemente) alterada. Ele acredita que a Ceria fará pela cerveja de maconha o que a sua Blue Moon fez pelas cervejas artesanais. Ele pode estar certo.

No começo do ano que vem, Ceria lançará uma cerveja lager, IPA, witbier com THC. Ele fez parceria com uma empresa de Denver que pesquisa canabinóides chamada Ebbu que, ele explica, consegue isolar os componentes para desencadear sensações específicas no corpo. “Nossa cerveja light terá uma pequena dose de THC para que consigam beber várias sem ficar chapados ou, se preferem um efeito mais forte, podem tomar a nossa IPA. Será equivalente a IPA comum – beba duas e aproveite a chapação.” Tudo isso, de acordo com os defensores desse tipo de cerveja, vai acontecer sem ressacas e sem a ameaça daquela ‘barriguinha de cerveja’.

Keith não está sozinho nessa busca. Fumar maconha está saindo de moda. A venda de comestíveis, enquanto isso, está super em alta e aqueles que estão nas indústrias preveem que que as bebidas serão, de longe, o maior setor. Enquanto isso, analistas estimam que a indústria da cerveja pode perder 2 bilhões de dólares por ano se a maconha continuar pegando para si todas as vendas. Mas os cervejeiros perceberam que a solução está na cara deles: “cerveja” não alcoólica feita com maconha, que por um acaso é prima próxima da genética do lúpulo (um ingrediente crucial na cerveja tradicional). Porém, tanto o lúpulo quanto a maconha afetam o funcionamento cerebral e ambos tem os mesmos terpenos, o “soco cítrico” que será familiar para qualquer um que ama duplas IPAs.

“Um monte de marcas de cerveja estão percebendo que estão num bom lugar,” afirma Dooma Wendschuh, CEO da Province Brands, uma startup canadense que em poucos meses vai inserir a primeira cerveja feita com plantas de maconha. Como todas essas novas cervejas de THC, os produtos da Provice prometem ser sem ressaca, de baixa caloria e feitas de maneira tal que a dose-resposta compara-se a de uma cerveja comum. A ideia é fazer delas uma opção para pessoas que querem uma dose social, no lugar dos comestíveis. “Ninguém quer sair com os amigos depois do trabalho e comer um prato de balinhas de gelatina, ” afirmou Wendschuh.

Para fazer sua cerveja, a Province utiliza os galhos das árvores e raízes ao invés de óleos ou extratos. O processo envolve fazer o mash out da cerveja como se a maconha fosse a cevada ou outro grão, depois remover o álcool como se fosse uma O’Doul [cerveja não alcoólica]. O método, nem precisava dizer, é complicado. Quando eles tentaram vender esse método para os grandes cervejeiros uns 2 anos atrás, todo mundo empacou, explica Wendschuh. “Disseram: ‘isso não vai funcionar. A cannabis não tem carboidratos e é preciso de carboidratos para o mash out. O que você vai usar? ” E, para ser sincero, os primeiros testes não foram promissores: o gosto era de brócolis podre e custaria uns 60 dólares por garrafa. Wendschuh trabalhou com especialistas em química para resolver os problemas e terá os primeiros lotes disponíveis no próximo ano.

A corrida para ser o primeiro do mercado é real: no início desta semana, Cannabiniers, uma empresa de San Diego, anunciou o lançamento de sua própria cerveja infundida com THC. Os cinco tipos não alcoólicos estão nos dispensários de Nevada com planos de serem lançados na Califórnia e outros estados americanos pot-friendly.

A empresa Big Beer, não está à margem. A Constellation Brands, proprietária americana da Corona e Modelo, investiu 190 milhões de dólares em 10 por cento da Canopy Growth, uma empresa bilionária de maconha que negocia com o símbolo “weed” na bolsa de valores. Na semana passada, o resultado foi de mais de 4 bilhões de dólares. E Molson Coors, o sétimo maior cervejeiro do mundo, anunciou um empreendimento conjunto com uma empresa de maconha, HEXO, que produzirá sua própria bebida de maconha.

No ano passado, Lagunitas, que pertence à Heineken, fez sua própria IPA infundida com terpenos chamada SuperCritical, nome dado devido ao método utilizado para produzir o óleo de cannabis. E, algumas semanas atrás, Lagunitas lançou a primeira água com gás de THC, Hi-Fi Hops – basicamente uma LaCroix (marca de água) sabor cerveja que é infundida com maconha. Não deixa bêbado, não tem açúcar nem calorias. As latas, que estão disponíveis nos dispensários da Califórnia, custa 8 dólares e está disponível em duas versões: 5mg de THC + 5 mg de CBD ou 10mg de THC. Parece que leva uns 15 minutos para chegar o efeito. Ronald den Elzen, CEO da Heineken americana, observou em uma conferência industrial em outubro do ano passado que “a maconha está sendo legalizada em muitos estados” e isso significa que “temos que agir agora, e temos que fazê-lo juntos”.

As leis, você pode imaginar, continuam difíceis, mas os cervejeiros que fazem cervejas de THC não estão esperando. Villa gostaria que as leis fossem afrouxadas, é claro, mas também sabe que se o governo federal relaxa nas regras para coisas como o cânhamo ou CBD, a indústria iria debandar para a cannabis. “Virá como uma onda da maré e por isso estamos ficando na frente dela agora.”

Texto traduzido de Grub Street

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