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Resenhadão: Pixote, A Lei do Mais Fraco!

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A convite da assessoria e do meu camarada Michael Meneses, chamaram o Hempa para colar na estreia da restauração do filme Pixote, A lei do Mais Fraco. Eu não conhecia afundo a obra de Babenco e nem podia imaginar que ia ter maconha na telona – mês teve. Fomos lá conferir essa parte importante da programação do primeiro dia do Festival Internacional de Filmes do Rio.

Antes do filme começar presenciamos uma intervenção artística bem na fila. Ariel Nobre estava divulgando seu @projetoprecisodizerqueteamo – que virou filme. Há dois anos Ariel quase cometeu suicídio. Mas no segundo final teve a ideia de escrever o que estava sentindo, o que salvou sua vida. Desde então escreve “Eu Preciso Dizer que Te Amo” em todos os lugares e pessoas que pode.

Já dentro da sala, no palco, quem fez a recepção inicial foi a própria filha do cineasta. “O filme foi restaurado em Bologna, em um dos melhores restauradores do mundo”, explicou Mira Babenco.

O roteirista do filme também subiu e deixou algumas palavras para a plateia que estava quase lotada: “Trata-se de um filme belíssimo, uma obra importante que precisa ser revista nesse momento que vive o país, parabéns por terem restaurado o filme”, disse Jorge Duran.

De fato, a restauração ficou excelente. Um filme lançado em 1980, com aquela qualidade imagem, é prova de que a obra ganhou uma senhora rejuvenescida.

Era dia primeiro de novembro, o popular dia dos mortos e isso deixou a homenagem mais especial para os familiares. “Hoje é finados e eu to muito emocionada de estar aqui, disse a filha caçula de Babenco, se referindo à memória do pai.

Sem dúvida Babenco esteve a frente de seu tempo ao conseguir finalizar um filme como Pixote. Não só pela trama visceral e com espectro na realidade do noticiário popular, mas por se tratar de uma crônica imemorial da constituição do Brasil, e do brasileiro, em sua esfera mais fragilizada.

O protagonista passa maior parte do filme em um abrigo de detenção para menores onde é apresentado à todas as desgraças da vida como: estupro, violência extrema, morte, humilhações e até algo para aliviar sua tenção: a maconha. Um coadjuvante oferece a Pixote um trago dizendo: “Esse é o fino que satisfaz”, levando a plateia a risada geral.

Após uma fuga bem-sucedida, o enredo envereda pelas ruas de São Paulo, com mais violência, sexo, tráfico de drogas e prostituição. Tudo isso pode ser demais para o expectador, mas Pixote parece tirar de letra, entre beijos e quase-transas.

Na tela, foram aproximadamente duas horas e 14 minutos de humor ácido e aflição. É difícil entender como alguém conseguiu filmar algo tão atual mesmo tendo rodado isso no final da década de 70. Babenco, sem dúvida, tem a mão e sabia muito bem o que estava fazendo entre belos planos cinematográficos e excelentes histórias.

Foi uma honra assistir e deparar com parte da história do cinema nacional restaurada. Uma surpresa fantástica ver que tem erva na trama. E, além disso, uma felicidade incrível entrar como convidado no cinema em Botafogo onde por tantas vezes fiquei “vendendo” poesia só na porta – na verdade era distribuindo folheto com versos em troca de colaborações voluntárias.

Enquanto fazia sua arte, descobri, com surpresa, que Ariel conhecia o Hempadão. Pintou meu braço e levou uma revista Hempada pra ler em casa. Eu levei a mensagem, dos filmes, para lembrar pra sempre. Entre tiros e tiras, é lindo ver que o Rio segue como no século passado – sujo, sinistro e cheio de resistência.

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