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Prensando bem, que mal tem?

O prensado, fruto característico do proibicionismo e fornecido pelo tráfico, e as flores uruguaias, holandesas ou norte-americanas, provém da mesma planta. Mas afinal, o que os difere se não o estigma social em relação à droga e remédio?

por S. M. Hermes

Fazendo compras outro dia desses, vi os quindins da marca Nova Vida, produzidos pela Associação Beneficente Desafio Jovem de Porto Alegre. Na embalagem havia uma folha de Cannabis envolta por um símbolo de proibido, trazendo a mensagem “vencedores não usam drogas”. Então, na verdade, conforme não se trata do uso de remédios, nesse caso realmente seria mais adequado usar “maconha”, serto?!

Basta buscar em algum portal de notícias, como por exemplo o G1, para perceber que aqui no Brasil maconha e Cannabis são duas coisas distintas, respectivamente droga e remédio. Conforme as notícias, enquanto a legalização do remédio engatinha lentamente, a total proibição e combate à droga ocorre ampla e violentamente. É lamentável e, nenhuma novidade, que a política de drogas brasileira figura entre as mais atrasadas do mundo.

Ainda que dentro da realidade brasileira dos indivíduos em situação de rua a frase dos quindins faça sentido, também é claro e óbvio que essa questão é muito mais profunda e complexa. São necessários tratamentos e cuidados preventivos, não paliativos. É necessário que não tapemos mais o sol com a peneira. Tão pouco que duas coisas iguais, como maconha e Cannabis, ou drogas e remédios, tenham tratamentos diferentes pelo Governo e pela mídia.

Fica a dica

Já havia tempo que minha excelentí30ssima me falava do filme Capitão Fantástico (2016), o qual eu ainda não assistira. Nesse final de semana fiquei sabendo que ele foi adicionado no Netflix, o qual eu ainda pago R$ 32,90 — e divido (só o uso) com meus pais. Enfim, assistimos ele nesse domingo, sete de julho, enquanto fazia quatro graus em Porto Alegre.

Os que se identificam como admiradores de Thoreau, Robinson Crusoe, Christopher McCandless, Capitão Nemo, Agafia Lykova, entre outros expoentes do rompimento às vezes quase, às vezes total, de relações com a sociedade, provavelmente apreciem o longa estrelado pelo Viggo Mortensen.

“Lembrei-me de algo que havia lido em algum lugar a respeito dessas fábricas de alimentos na Alemanha, onde todas as coisas são feitas de alguma outra coisa. “Substitutos”, é como as chamam. Lembrei-me também de ter lido que eles estavam fazendo salsichas com peixe e o peixe, sem dúvida, de alguma outra coisa diferente.” – George Orwell, em Um Pouco de Ar, Por Favor! (1939).

Fontes: https://www.youtube.com/watch?v=tt2AYafET68

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