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“Pra viajar no Cosmos não precisa gasolina”

De fato, algumas reinvindicações sociais somente são atendidas pelo Estado quando existe algum prejuízo ou lucro iminente aos principais interessados. Caso contrário, não.

Quando determinadas classes de trabalhadores entram em greve, fica ainda mais visível a fragilidade da nossa sociedade — como, por exemplo, a greve dos caminhoneiros ocorrida nas últimas duas semanas. A paralisação da classe causou a escassez de variados produtos, mas principalmente de combustível, assim instaurando o caos no país devido a alta demanda e pouca oferta de gasolina.

por S. M. Hermes

“Barões, fragatas, plutônios, neurônios explosivos. Não impedirão que o ciclo evolutivo do planeta, cumpra o seu dever. Mas dando no que der, já sei que um dia vou morrer, e o povo… ah, o povo…” – Nei Lisboa (1983)

Infelizmente, nosso país ainda rema a duras penas para sair do oceano retrógrado e antiquado do proibicionismo, que é altamente nocivo a nossa sociedade. Atualmente, se pensarmos (nem tão) bem, veremos que a realidade de muitos indivíduos é surreal, principalmente das minorias marginalizadas pelo sistema.

A Marcha da Maconha, realizada em diversas cidades do Brasil no final de semana passado, é uma das formas que nós, os usuários de Cannabis, temos para reivindicarmos por leis que amparem o uso, o cultivo e até mesmo a venda da planta.

“Não compre, plante” se tornou a melhor alternativa aos usuários, pois assim, além de consumirmos um produto de maior qualidade, nos desvinculamos do tráfico de drogas. Porém, nem todos têm a oportunidade de plantar sua própria Cannabis.

Isso ocorre exatamente devido a proibição, que gerou inúmeros efeitos colaterais negativos na percepção da população em geral. “Nada é por acaso, nada acontece sem uma razão, mesmo se nós a desconhecemos, pois tudo é dominado pela Lei”, é o que diz a ciência Hermética sobre o seu sexto princípio; que é o de Causa e Efeito.

***

“As massas do povo são levadas para frente, seguindo os desejos e vontades dos outros, do coletivo, onde as causas exteriores se tornam mais importantes do que a vontade própria. As massas agem coletivamente, como agem os animais de uma mesma raça ao se comportarem da mesma forma que seus irmãos. […] Para escaparmos desta Lei, que nos ata às sucessivas reencarnações, devemos antes de mais nada controlar nossa mente e nossos atos para superarmos a casualidade.” – O Caibalion (1908), sobre o princípio de Causa e Efeito.

São os atos como o de greve, o de marcha, entre outras desobediências civis, sinais dessa superação da causalidade que tanto oprime e reprime de maneira violenta inúmeros indivíduos. Com certeza seria preferível viver num lugar onde o principal combustível fosse a Cannabis, pois como diria o poeta: “pra viajar no Cosmos não precisa gasolina”.

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