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Morre João Gilberto, maconheiro pai da Bossa Nova

Adeus, Zé Maconha! João Gilberto parte aos 88 anos e senado aprova luto de três dias

Nos idos de 2011 o Hempa fez um post especial na sessão “Fumosos” em homenagem a João Gilberto. Em razão de sua partida, aos 88 anos, no dia 6/7/19, resolvemos relembrar essa história! Hoje todas as velas são em homenagem ao eterno desafinado. Segue o texto da época, adaptado:

Nem todo mundo sabe, mas a grande nome da Bossa Nova é na verdade um maconheiro convicto. Está na biografia dele e também nos registros empíricos da imprensa sensacionalista. João Gilberto, também conhecido como Zé Maconha, experimentou a erva com seus 20 anos e nunca mais teria largado. Veja baixo o trecho do livro que conta como foi a experiência, no Rio de Janeiro, há mais de 50 anos.

E ainda sobre o apelido da época:

Em 2011 repercutiu na mídia uma notícia nada comum para um ídolo que mal gosta de dar entrevistas. Uma reportagem do Ultimo Segundo comprovou que o hábito seguiu com ele até o século atual. Revirando a vida do ídolo da MPB, veja só que barraco que eles encontraram:

“Você mora no Leblon! Olha a baixaria!”, grita João Gilberto, o compositor que completava 80 anos. Sim, o pai da bossa nova, conhecido pelo canto sussurrante acompanhado de banquinho e violão, grita. Do lado de fora do apartamento, o vizinho esmurra a porta e responde: “Você também mora no Leblon e fumar maconha é crime! Então apaga essa merda dessa maconha”. A frase talvez tenha sido a única que alguns poucos vizinhos ouviram diretamente do músico, que vive há mais de uma década no oitavo andar de um prédio na rua Carlos Góes, na zona sul do Rio. O apartamento alugado, de 130 m2, é um original quatro quartos transformado em três e conta ainda com sala, cozinha, dependências e três banheiros, com direito a uma vaga na garagem. São quatro imóveis por andar.

Discreto, João quase nunca sai de casa e raramente é visto nas dependências do edifício, segundo relatos de moradores e funcionários. Para alguém que preserva tanto sua intimidade, o registro de uma manifestação pública – e ainda por cima dirigida a um “estranho” – é uma nota dissonante.

“Deve ter um mês mais ou menos que um morador foi até lá e bateu tanto que quase pôs a porta abaixo! O problema é a maconha. Parece que ele fuma e o cheiro entra pela janela da casa do rapaz. Aí os dois ficaram se xingando”, contou ao iG uma vizinha que preferiu não se identificar. O vizinho ameaçou chamar a polícia. Ao porteiro do prédio, João afirmou, através do interfone, que em sua casa faz o que quiser. E questionou: “E isso (fumar maconha) é crime?”. O porteiro preferiu não tomar partido e apenas comunicou a ameaça de que o vizinho iria telefonar para a polícia. Desde então, nunca mais nenhum morador afirmou ter sentido qualquer “cheiro estranho”.

Outro dia postamos aqui no Hempa a visita de João Gilberto à trupe dos Novos Baianos, um novo episódio em que o mestre é visto tocando flauta. Quer dizer, pitando o pango. Se ainda não leu, confira:

O dia em que João Gilberto fumou maconha com os Novos Baianos

Mas é claro que o gênio de João Gilberto não tem valor somente porque ele gostava de fumar maconha. Longe disso. A prova vem pelas palavras de Abulfas Garayev, presidente do comitê da Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que disse: “A morte de João Gilberto é uma perda para o patrimônio cultural, pois ele está entra as pessoas que tiveram impacto na história da música”.

Infelizmente, o presidente Jair Bolsonaro não vê o mesmo valor e se referiu a morte do compositor dizendo apenas: “Uma pessoa conhecida. Nossos sentimentos à família, tá ok?”, disse.

Aqui fica nossa homenagem e extrema admiração ao músico que com voz e violão fez o Brasil se tornar um gigante da Bossa Nova. Toneladas de maconha merecem ser queimadas em homenagem ao teu nome, João. Do céu você sentirá a marola dessa eterna sintonia. Mais do que música, de fato, e além de fumaça, sem dúvida, esse maconheiro fez história.

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