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Mistura saborosa de gêneros musicais marca show do 3030

Circo Voador recebe lançamento do DVD Tropicalia do 3030, com noite repleta de hits e participações

por Cadu Oliveira / Fotos Lisandro Garrido

Mistura de rock, pop, samba, funk, jazz e rap embalou a noite do dia sete de setembro no Circo Voador. Isso porque o show do trio 3030 contou com abertura e participações pra lá de especiais. Quem compareceu à lona aos pés dos arcos da Lapa, naquele sábado, viu no palco além do trio formado por Rod, LK e Bruno Chelles, uma vasta lista de artistas, como Jhama, Clau, Bella Mattar, Choice, Mc Rebecca, Lary, Lennon, Tifli, Leo Gandelman, fora o time de músicos.

Eram apenas dez e quarenta da noite quando a banda Fuze abriu os trabalhos, com uma bateria potente, baixo, duas guitarras e vocal hipotético: “se eu morrer antes de você”, na primeira do show. Entre autorais, tocaram também cover de “Só faltou Você” do Rael e “Zóio de Lua”, do Charlie Brown Jr. No meio do show da Fuze rolou participação de Bella Mattar, estreante no palco do Circo, muito feliz, dedicou sua canção inédita “a familiares presentes e a mãe, que não pôde estar, mas está no coração”.

Banda Fuze recebe participação de Bella Mattar
Banda Fuze recebe participação de Bella Mattar no Circo Voador

A Fuze terminou a apresentação de uma hora com “Arrepio” e não deixou de fazer aquela foto histórica, no palco da lona mais querida e tradicional do cenário cultural carioca. Meia noite e um o DJ RV bota “Poesia Acústica 6” pra tocar, botando a galera pra cantar junto. Na sequência, “Odara”, de Caetano, já sugere a mistura do clássico com os novos. “Old Town Road” tocando na mesma sequência que “Balão”, do Mc Orochi – que abalou a pista. E no fim atacou de “Pretim”, da Flora Matos, colado com “Banco”, do Matuê. Playlist de canabistas, o Hempa no lugar certo!

Clau canta "Pouca Pausa" com participação de Cortesia da Casa
Clau canta “Pouca Pausa” com participação de Cortesia da Casa

Na arena do Circo era possível ver diversas pessoas com camisas da banda. Enquanto o público ia começando a aglomerar, quem entrou em cena foi a Clau, que tocou por quarenta minutos clássicos que se ouve no rádio, como “Moreno”, “Relaxa”, “Dame Mais” e… claro, “Pouca Pausa”, a última, arrebatadora, executada com participação do Cortesia da Casa.

Antes do show principal, a Mc do Circo lembrou no microfone a importância de se ‘estar junto’, lembrando que a música é uma celebração coletiva e também a necessidade de ‘se comunicar, falar com o outro’, sobretudo nos tempos difíceis em que vivemos. Perto de uma e quarenta da matina, o telão explodiu com temas que iam de imagens do Tibet à levadas de capoeira. E quando a banda entrou no palco com seus Mcs acompanhados pelo DJ Paulo Beck, entrou também o “Gato Preto”, a primeira do setlist com 26 canções por vir.

Além dos Mcs e o DJ Paulo Beck, teve percussionista, um responsável pelas cordas, baixo e LK avança no teclado. Muito aplaudidos logo na primeira bala na agulha, o segundo som é do álbum “Entre a Carne e a Alma” (2015). “Ela diz que só fuma comigo”, diz o verso da primeira parte da “Vai lá”, cantada pelo público com a mão pro alto, como num legítimo show de rap. Em crescente, sem deixar de enfumaçar na letra, lançam “me liga pra salvar o bom”, em “Tudo que Ela Quer”, do álbum “Quinta Dimensão” (2012).

Circo Voador em peso vibra ao som do 3030
Circo Voador em peso vibra ao som do 3030

Passeando entre clássicas e novas, voltam para o disco desse ano, Tropicalia, chamando participação do Mc Choice para cantar “Me Julguem”. Durante essa,  Rod lembrou: “Fogo nos racistas”, no mic e “Fora Bolsonaro”, oportunamente, estampado nos adesivos colados na roupa de, pelo menos, dois integrantes do trio.

Tifli nem precisou cantar em "Foda que ela é Linda"
Tifli nem precisou cantar em “Foda que ela é Linda”

Mesmo que você faça parte daquela linha de adoradores do Rap de mensagem em cima de um beat pesado boombap, se olhar de perto certos raps acústicos, vai se impressionar. A quinta canção leva o público à loucura e o participante ao delírio. Tifli entrou pra fazer sua participação em “Foda que ela é Linda” mas nem precisou falar nada, só deixou a lona enlouquecida cantar. “Aê, meu cachê pode dividir pra geral aí…”, brincou o MC do Camaradas Camarão.

A intro com viola fica caprichada quando o Chelles dedilha puxando o reggae “Love So Strong”, também do novo disco. E na sequência o músico que comandou as cordas pegou um cavaco, pois era hora de samba, na levada de “Meu Deus”, quantos ritmos cabem nesse show? E quantos hits emplacados nesse flow? A oitava música fez o baixista tocar com sorriso de orelha à orelha: “Tanta Beleza” e o Circo todo levita em boas vibrações.

Ainda tem espaço para o Funk, que chega com a presença e rebolado da MC Rebecca, com participação na nona canção. “Pra quem não sabe, 19 é número de Ogum”, avisam no palco antes de lançar a canção em homenagem ao orixá. Teve beatbox de introdução e uma execução bonita de “Homenagem a Vida”. Mais uma vez começando com dedilhado, ‘Meu Jardim” bota novamente a banda inteira pra se agitar, com flauta e violoncelo, blackout com pausa cênica e na volta, a participação brilhante de Leo Gandelman! Que mistura histórica.

Participação especial de Leo Gandelman no show do 3030, no Circo Voador
Participação especial de Leo Gandelman no show do 3030, no Circo Voador

Pra não deixar o álbum “A Iniciação do Alquimista” (2017) de fora, o trio tocou a lenta “Rascunho”, trilha para o abraço dos casais. E voltam pra lista de hits, com “Preciso Saber” e dava pra ver a felicidade estampada na cara dos três MCs, em ver o público falar suas letras acompanhando de perto seus trabalhos.

Lennon canta Sorrisos e arranca aplausos da galera
Lennon canta Sorrisos e arranca aplausos da galera

A execução de “Luz em Todo o Morro” ganhou participação competente e carismática da Bella Mattar, que voltou ao palco para cantar diante de um Circo Voador todo iluminado às luzes de celulares e isqueiros. Com direito a pandeiro, mais uma vez a levada samba invade o espaço e abraça a canção. Num show repleto de participações, teve também momentos marcados pela presença somente do trio cantando no palco, como no caso de “Manhã de Sol”. Mas logo depois tem convidado: “Parei”, parceria do 3030 com Jhama.

“Freak Mode” agita a plateia e ganha passinho de Bruno, com direito a grito das fãs. Cleo aparece no telão e estava presente no segundo andar do Circo, acompanhando a apresentação. Fez bem ela, de não perder. Imbicando para o fim do show, LK agradece a influência de todos os estilos e pede barulho. Com participação de Lary, cantam “Mapa Astral” arrancando suspiros dos mais devotos à banda. E então eles chamam Lennon ao palco, para uma participação e depois dão a responsa ao MC, que segura a onda embalando a belíssima “Sorrisos”.

A Lapa ainda ia ouvir “Cuidar de Mim” antes do espetáculo terminar. E quem foi para ver “Mundo de Ilusões 2012” não ficou decepcionado, ainda mais com mais uma inserção do mestre Gandelman, acariciando um clarinete e um gran finale caprichado no teclado. Para fechar a noite, a escolhida foi “Bom Dia”, afinal já era pra lá das três da manhã. Antes do fim a galera puxou um “uh, é 3030!”, antes de saírem cambaleados pelo atropelo de versos e estilos.

Mc Jhama cantou e dançou ao som de "Parei"
Mc Jhama cantou e dançou ao som de “Parei”

O rap tem vida pra lá da ostentação e violência. A receita deles talvez seja 30% de romantismo, mais 30% dividido entre filosofia/religião/vivências, e pode completar o resto com musicalidade sem fronteiras com adição de boas companhias. Confesso que pensei, por um momento, antes do show, que o nome “Tropicalia” poderia ficar solto no ar, se não houvesse referência alguma do som ao movimento de contracultura. Mas as peças se encaixaram. O posicionamento político, a orientação religiosa, o dom da militância pela alegria, a criatividade e o desejo de inovação musical, sem dúvida fazem do 3030 um pouquinho tropicalistas.

Se você quiser ter um quartinho da sensação de como foi o show, preparamos uma playlist com as músicas que tocaram por lá. Ouça agora mesmo:




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