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Maconheiro e Atleta Profissional – Pode?!

Tente imaginar a seguinte situação: você mora em um lugar onde a maconha recreativa e medicinal é legalizada, mas é impedido de usar por conta de restrições profissionais, mesmo em momentos de lazer. Esse é o drama que afeta e mobiliza diversas associações de atletas profissionais nos Estados Unidos, que seguem impedidos de usar maconha. No Brasil, encontramos competidores dispostos a desafiar a proibição para relaxar o corpo e a mente com um bom baseado.

A Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) afrouxou as regras, em maio de 2013, para que atletas possam fumar maconha sem serem pegos em testes ou suspensos de competições. Com a alteração, a quantidade limite de THC permitida para não ser pego no dopping saltou 10 vezes: passou de 15 nanogramas por mililitro para 150 nanogramas. De acordo com a Wada, o novo limite indica que a pessoa fumou maconha um ou dois dias antes do teste.

Entre atletas do futebol americano, 66% dos jogadores da NFL (a liga do esporte nos EUA) aprovam o uso da maconha para fins terapêuticos. A mesma pesquisa revelou que 22% dos entrevistados já viram colegas usando maconha antes de uma partida. Os dados são de uma pesquisa feita pela ESPN Magazine.

Movimento semelhante ocorre na liga norte-americana de basquete (NBA). Em declaração recente, o lendário Phil Jackson (foto), ex-técnico dos tempos de Michael Jordan no Chicago Bulls, revelou que “a maconha faz parte da cultura da NBA”.

“É uma decisão que será feita pela nossa população em algum momento. Tentaram proibir os jogadores de usarem maconha na NBA, e também não acho que somos capazes de fazer isso. Isso vai continuar e faz parte da cultura na NBA, é algo que vamos ter que acomodar ou então encontrar alguma outra forma de lidar com isso”, disse o Phil, que atualmente é presidente do New York Knicks, em entrevista para o canal CBS.

Outro esporte cheio de atletas que gostam de um bom baseado é o MMA. Não é raro surgir uma notícia de um atleta do UFC que rodou no exame antidoping e recebeu a punição de ficar alguns meses (às vezes anos) longe do octógono.

Neste contexto e embalados pela onda de legalização que toma conta dos Estados Unidos, os irmãos lutadores Nick e Nate Diaz lançaram uma linha de maconha medicinal estampada com o rosto de ambos no rótulo. Além disso, Nate já ousou fumar maconha em um vaporizador portátil durante a coletiva de imprensa do UFC 202.

No Brasil, apesar da proibição, não é difícil encontrar atletas, principalmente lutadores, que buscam na maconha um alívio para as dores decorrentes da rotina de treinos e competições.
Conversamos com um profissional faixa preta de jiu-jítsu que gosta muito de maconha e prefere não ter o nome revelado. Ele nos contou que utiliza maconha desde os 15 anos (atualmente tem 28), e explicou que a relação treino e marola é bem positiva.

“Quando era moleque queria apenas ficar chapado. Aí comecei a praticar jiu-jítsu fui informado por amigos que maconha pode proporcionar um alívio nas dores, e funcionou muito bem comigo. É difícil encontrar algum remédio industrializado que ofereça o mesmo benefício da erva”, explicou o lutador.

Os reacionários podem seguir reclamando, mas é fato que a maconha, para uso recreativo ou medicinal, agrada muitos atletas, inclusive alguns campeões olímpicos e mundiais apontados pela imprensa como profissionais exemplares.

Texto publicado originalmente na Hempada #03

Hempada #03 teste

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