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Maconha vira matéria na Faculdade de Veterinária da UFSC

A Endocanabiologia (estudo das substâncias orgânicas e inorgânicas da Cannabis) já entrou para o currículo da Faculdade de Medicina Veterinária da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Pelo segundo semestre consecutivo, ela é uma das disciplinas optativas. A nova matéria inseriu mais uma ferramenta de tratamento, principalmente nos casos de animais que não respondem à medicação clássica.

por Valéria França
na Folha

“Testes com cães e gatos foram precursores dos experimentos em humanos, apesar de pouco se falar nisso. A Cannabis medicinal funciona igualmente para os dois. A diferença está apenas na dosagem. Para os animais é mais baixa”, diz Erik Amazonas, 40, veterinário e professor da nova disciplina.

Ele já tratou mais 20 pacientes, desde que começou a pesquisar o tema com profundidade, em 2018. Paralelamente, Amazonas também acompanha e auxilia casos mais complicados de outros colegas de profissão. Um deles, mais conhecido e amado do campus, é o da Yara, uma cadela vira-lata, parecida com um Fox paulistinha. Ela sofria inúmeras convulsões por dia. “Comecei a dar o óleo de Cannabis e em uma semana, quando cheguei na dose ideal, os ataques pararam. Ela mantém a saúde com apenas três gotas, administradas três vezes ao dia”.

Iara recebe três gotas de CBD, três vezes ao dia (Foto: arquivo pessoal de Amazonas)

Amazonas lembra que a eficiência da Cannabis também é comprovada em outras doenças crônicas. O tratamento teve ótima resposta na paraplegia de Buldogue francês, por exemplo, nos Estados Unidos. Depois de ser submetido, sem sucesso, a todos os tratamentos convencionais e alternativos, o cão foi tratado com o óleo diariamente. Em menos de um mês, o Buldog conseguiu ficar de quatro sem apoio.

“O óleo é muito eficiente para eliminar dores crônicas, como as do câncer, e evitar alergias como as provocadas por picadas de pulgas”, explica Amazonas. “A coleira antipulga, por exemplo, é tóxica para alguns animais.” Até hoje os meus pacientes não tiveram efeitos colaterais com o óleo. Por isso, é importante que sejam tratados com a dosagem certa, prescrita por um veterinário.

Em qualquer tipo de doença, “pedimos para que os animais não sejam tratados sem acompanhamento de um especialista”, diz a veterinária Maira Formenton, do Ambulatório de Dor e Cuidados Paliativos da Faculdade de Medicina Veterinária e Zoologia da Universidade de São Paulo. Há dez dias, ela atendeu a gata Denise, de 15 anos, tetraplégica, a primeira candidata a tomar o óleo de Cannabis.

Paciente da fisioterapia do ambulatório, a gata faz sessões de infravermelho e acupuntura. Toma uma série de remédios como o anticonvulsivo Gardenal. E foram justamente as convulsões que a colocaram no primeiro lugar da fila para receber o óleo de canabidiol (CBD) da DrogaVet– que chegou recentemente no País. Agora resta esperar para ver se Denise tem a mesma sorte que a vira-lata Yara.

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