Líbano estuda liberar cultivo de maconha, mas enfrenta oposição de grupos xiitas

Clipadão, Cultivo

hempadao 28 julho, 2018

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Nos campos desta pacata vila cercada por montanhas, homens e mulheres trabalham limpando sujeira e folhas secas de plantações de maconha, uma importante fonte de sustento nesta região empobrecida do Líbano.

Fonte: UOL

O vale de Bekaa, no leste do país, uma região muito fértil, é conhecido há muito tempo como uma das regiões que mais produz narcóticos no mundo, cultivando canabis de boa qualidade que, na maioria das vezes, é transformada em haxixe. Hoje, o país é o terceiro maior produtor do mundo da droga, depois de Marrocos e Afeganistão, de acordo com a ONU.

Os moradores do vale raramente sentem os benefícios. Mas eles têm esperança de que seu trabalho logo se legalize, depois de décadas de repressão e batidas policiais.

Nesta semana, um projeto de lei que permite o cultivo e uso da maconha para fins médicos foi apresentado no Parlamento libanês.

A ideia alimentou os sonhos do Líbano de arrecadar centenas de milhões de dólares em vendas e exportações, uma fonte de renda desesperadamente necessária para um país sobrecarregado pelo baixo crescimento, alto desemprego e o fardo de uma das maiores dívidas do mundo.

O setor jurídico também criará empregos e trará ordem em Bekaa, região conhecida pela falta de lei, dizem os proponentes da lei.

“Eu quero encontrar uma solução para o que está acontecendo”, disse o legislador Antoine Habchi, responsável por apresentar o projeto ao Parlamento. O objetivo é “permitir que os agricultores vivam com dignidade”.

Habchi, que vem de uma região que cultiva maconha no vale de Bekaa, afirmou que a lei deve trazer retornos econômicos e deve incluir medidas para prevenir e tratar o vício.

De acordo com o projeto de lei, o cultivo deve ser rigidamente controlado. Empresas farmacêuticas privadas fornecerão sementes e mudas aos agricultores e, durante as colheitas, as plantas serão contadas para garantir que nada seja desviado. O tamanho dos campos também deve ser regulado.

Provavelmente, levará meses para o projeto passar por discussões antes que possa chegar a uma votação. Na semana passada, o presidente do Parlamento, Nabih Berri, informou à embaixadora norte-americana no Líbano, Elizabeth Richard, que a legislatura estava trabalhando no projeto de lei. No passado, os Estados Unidos forneceram ajuda para os esforços antidrogas no Líbano, tentando conter o tráfico.

A lei já cria controvérsias no país.

As partes do norte do Vale do Bekaa, onde a maconha é amplamente cultivada, estão sob a influência do Hizbollah, que se opõe ao uso e à produção de todos os tipos de drogas. A facção xiita e seus aliados dominam o Parlamento; ainda não se sabe se o grupo deve tentar impedir a aprovação da lei.

Os Estados Unidos acusaram o Hizbollah de tráfico de drogas por repetidas vezes, algo que o grupo nega veementemente.

A legalização parece ter ganho força no Líbano depois que a empresa de consultoria global McKinsey incluiu a medida entre as sugestões feitas ao governo para impulsionar a economia.

Ainda assim, os economistas estão divididos sobre os benefícios.

Louis Hobeika, economista da Universidade Notre-Dame do Líbano, alertou que os lucros da maconha não vão para os cofres públicos ou para os cidadãos, mas serão devorados pela corrupção generalizada entre a elite dominante.

“Este é uma medida que visa financiar a máfia política no Líbano”, disse ele.

Habchi discorda, dizendo que os agricultores e trabalhadores finalmente teriam seus direitos garantidos no comércio. Tradicionalmente, os traficantes de drogas se beneficiam mais, impondo um preço de compra aos agricultores e vendendo o produto por valores muito mais altos.

O Vale de Bekaa se tornou famoso pelo tráfico de drogas durante a guerra civil que durou de 1975 até 1990, movimentando cerca de US$ 500 milhões por ano em ópio e maconha. Depois da guerra, as autoridades lançaram medidas de repressão nas plantações e incentivaram cultivos diferentes como batatas, tomates e maçãs.

O plantio de maconha floresceu mais uma vez após a eclosão da guerra civil na Síria em 2011, com as autoridades libanesas focadas em outras preocupações de segurança.



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