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Guia de Etiqueta para bom uso da Maconha

Elizabeth Post, tataraneta de escritora pioneira nas leis de etiqueta, desenvolveu um livro sobre as boas maneiras para se frequentar a roda do baseado

Não rolar cigarro apagado. E claro, sem essa de ficar segurando demais o baseado: “é três pra cada, solta o preso e rola o beck, aí”. Nunca chegar na roda de mão vazia. Quem bola, ascende. Essas e tantas outras regras que vão se consolidando pelo hábito de fumar maconha agora estão reunidas em um livro. É mole?

Emily Post, em 1971

A autora, Elizabeth, ou Lizzie,  é co-presidente do Instituto que leva o nome de sua bisavó, Emily Post. A obra, chamada Higher Etiquette: A Guide to the Word of Cannabis, from Dispensaries to Dinner Parties, pode ser traduzido, de forma livre para: Um Guia para o Mundo da Maconha, de dispensários à jantares festivos.

Moradora dos EUA, Elizabeth percebeu o quanto o hábito de fumar (ou não) maconha está modificando as relações sociais. No país que, primeiramente, exportou a guerra às drogas e, nesse momento, vai dando os melhores exemplos de como exportar a legalização, os Estados Unidos já contam com o uso recreativo fundamentado em pelo menos dez estados, enquanto o uso medicinal é aceito em mais de trinta – sempre com novos postulantes.

E essa visão diante da brenfa vale não só para convívios sociais, mas também para oportunidades de trabalho. No entendimento da autora, o adulto inserido nesse novo mundo precisa estar atento para reconhecer possíveis oportunidades de negócio que envolvam a crescente indústria da cannabis. “De acordo com um estudo da BDS e Arcview Market Research, o consumo global de cannabis movimentará cerca de 32 bilhões de dólares até 2022”, lembrou Maria Clara Dias, em reportagem sobre o livro na revista Época. E, de fato, faz sentido.

Pois imagine, você é um universitário americano, está estudando administração e nunca fumou um baseado. De repente, só porque usa dreadlocks, te chamam para um jantar para debater o empreendimento de uma start-up de tecnologia canábica. Nesse caso, as chances do candidato aumentam se ele se portar certinho na roda dos maconheiros… não?!

Abre a Roda

É muito bom fumar sempre com os mesmos amigos, mas que tal buscar sem mais inclusivo e praticar a diversidade em seus rituais?

Segundo a autora, é importante lembrar que os consumidores de maconha não devem viver em uma bolha enfumaçada, banindo de seu convívio pessoas que não compartilhem de suas opiniões.

Por incrível que pareça, em alguns casos, chamar pessoas que não fumam para fazer parte da roda é um exercício de militância. O convidado não precisa fumar para sentir a vibe do local. Sua simples companhia e abertura podem ajudar a desmistificar vários tabus na cabeça daquela pessoa. Tente isso.

Lizzie Post segurando o livro clássico de sua tataravó

O que vovó pensaria?

E o que será que a autora original do livro de Etiquetas pensaria sobre essa história de adaptar a tradicional publicação ao mundo da erva?

O que Lizzie sabe é que a matriarca da família não bebia álcool, mas era uma defensora do fim da chamada Lei Seca, nos EUA, a lei que proibia o comércio e fabricação de bebidas alcoólicas. Sendo assim, ascende-se uma esperança no coração da tataraneta de que, nos dias de hoje, Emily também devesse defender e se articular sobre a legalização da erva. “Ela queria que as pessoas tomassem decisões sobre o que elas estavam consumindo”, disse Post em entrevista à Rolling Stones. “Ela era alguém que tinha potencial para surpreender as pessoas”, afirmou a autora.

Falar sobre Ganja

Nem sempre é fácil inserir o assunto “maconha” numa roda de conversa. Lembrando-se disso, já que defende a erva por pelo menos duas décadas, Lizzie explicou sobre a necessidade de falar sobre isso. “Se a cannabis é legal e está entrando nas nossas cenas sociais de forma muito mais ampla, faz todo o sentido que a nossa empresa a comente”, disse a autora.

Lizzie Post .:. Foto: Dylan + Jeni

Consumidor Moderno

De maneira alguma o livro de Elizabeth deve ser interpretado como uma obra de apologia ao uso da ganja. Isso fica claro quando ela destina seu discurso a usuários já experientes.

A esse público, de maconheiros convictos, Lizzie acredita que pode acrescentar dicas sobre o próprio psicológico do usuário diante da sociedade. Ou ainda, ilumina o tema para que o consumo de cannabis deixe, cada vez mais, de ser mal interpretado.

Sendo assim, a autora vai bater na tecla de que o indivíduo usuário da erva, hoje em dia, é um “consumidor moderno” da ganja. Afinal de contas, a legalização do uso explodiu o número de possibilidades para o uso: médico, recreativo, fumado, comendo, através de cosméticos e etc.

Ilustração: Sam Kalda

Redução de Danos

Uma dica importante, mas muitas vezes esquecida, é sobre a necessidade de hidratar as reuniões da fumaça. Essa foi totalmente influenciada pela dica de etiqueta presente no antigo manual, que dizia ser importante disponibilizar garrafas ou copos de água em uma refeição ou reunião de trabalho.

Além da sede tradicional em quem foi pego pelo efeito, vale lembrar que a saliva também é importante para passar a famosa goma no beck. “Se eu não quiser usar cuspe, o que eu usaria? Foi uma situação boba mas que você sente sua etiqueta indo embora”, disse a autora sobre a utilidade de uma tigelinha de água, para fazer essa função. Chique demais, não?

Marola Profissional

De forma de perspicaz, Lizzie percebeu que o consumo de maconha é parecido com o do álcool, mas tem certas peculiaridades. Por exemplo, as reuniões de trabalho regadas a bebida só devem acontecer, na maior parte das vezes, fora do local de trabalho. Com a erva pode ser que não seja assim, sobretudo com o advento da maconha medicinal.

Por isso, “é importante conhecer quais as políticas da empresa e, claro, manter o bom-senso” explica ela. Evidente que, a menos que você trabalhe no Hempadão, você não vai poder fumar na sua mesa do escritório. Mas saber se portar na onda da marola, dentro do ambiente profissional segue sendo um excelente desafio. Já tentou?

Visitante 420

Claro que as regras mudam, na roda, se você é o dono da casa (e do fumo) ou se você é um visitante. Todo mundo que já se hospedou na casa de algum amigo maconheiro sabe que você tem que se adaptar as regras da casa antes de sair tacando fogo à sua maneira.

Além disso, Elizabeth abordou a temática turística, já que viajou pelos quatro cantos dos EUA em busca da erva perfeita. Por ter se hospedado em diferentes hotéis e imóveis alugados, ela se deparou com a importância de se adequar às regras de casa casa.

 Etiqueta na Hora do DAB

Muito ligado na movimentação constante do universo da ganja, o Hempa postou uma lista de 10 dicas de etiqueta na hora de dar um DAB, isso nos idos de 2013. Como o assunto é propício, vale a pena relembrar algumas por aqui:

  1. Apresente a Ferramenta
    Muita gente não sabe como funciona ou qual a ciência por trás de uma baforda de óleo no bong. Por isso, seja didático e explique com calma como funciona a brincadeira.
  2. Primeiro as Damas
    Maconheiros, sim. Educados, também.
  3. Mantenha tudo limpo
    É indispensável um cotonete acompanhando os utensílios do DAB (Valeu Gabriel, da BomDAB, por me ensinar), pois isso vai alterar o saber de cada hit.
  4. Gás Reserva
    Acredite, você não vai querer passar pela experiência de colocar todas as ferramentas do DAB em cima da mesa, sentir a emoção coletiva ansiosa para a baforada e na hora H, perceber que está sem gás no maçarico. Uma excelente dica para que isso nunca mais aconteça é arrumar um e-nail eletrônico. Aí é vida demais.
  5. Sem olho grande
    Sobretudo se você estiver com o potinho dos outros na mão, não seja o cidadão sem noção que enche a espátula de óleo muito além do que vai conseguir utilizar. Nesse caso, o óleo sobrando vai todo queimar e ser desperdiçado, se dissipando pelo (e para) nada.
  6. Conheça seu limite
    O DAB é uma forma um tanto quanto agressiva de se usar concentrados de maconha. Afinal de contas, é o famoso porradão. Atente-se aos seus limites, físicos e psicológicos, antes de sair exagerando na parada. Lembre-se: teto preto não é maneiro.

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