Guerra às drogas dos EUA domina agenda da Assembleia da OEA

Clipadão

hempadao 5 junho, 2013

Fonte G1

imageANTIGUA, Guatemala, 05 Jun 2013 (AFP) – Quarenta anos depois de lançada por Washington, a guerra contra as drogas é o eixo das discussões na Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), aberta oficialmente na noite desta terça-feira com o desafio de buscar alternativas para a violência deflagrada pelo tráfico e pelo consumo de cocaína na América.

Sob fortes medidas de segurança, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, abriu a Assembleia com um ato em uma fazenda de café, diante de chanceleres e delegados de 34 países membros ativos e de uma grande delegação americana, liderada pelo secretário de Estado, John Kerry.

‘O caráter histórico desta Assembleia está no início de um debate que antes não se podia realizar (…) e em acabar com um tabu de várias décadas’, disse Insulza em Antigua, 45 km a sudoeste da Cidade da Guatemala.

‘Hoje legitimamos este debate, de forma transparente, com a convicção de que podemos dar início a ações para reduzir as taxas de criminalidade e de violência que atingem muitos de nossos países; para reduzir os profundos estragos à saúde decorrentes da dependência de drogas, especialmente entre nossa juventude’.

‘O problema das drogas é um desafio a nossas políticas de saúde pública, insuficientes para enfrentar o drama da dependência, o que permite que ainda se trate pessoas que sofrem desta enfermidade como delinquentes e não como pacientes que necessitam de atenção especializada’.

Depois do reconhecimento do fracasso da política antidrogas do governo norte-americano, baseada na repressão policial e militar à produção e distribuição, o debate se concentrará na discussão de novos caminhos para lidar com o tema.

‘Um debate longamente esperado, de que nossos países precisam para buscar soluções para um fenômeno que afeta todos, embora não todos por igual (…), os mais vulneráveis ficam com a quota mais pesada da violência’.

Milhares de pessoas morrem na América Latina pela violência associada às drogas, enquanto esse multimilionário negócio segue de vento em popa: os traficantes mudam rotas, sofisticam seus métodos, abrem novos mercados e aumentam operações de lavagem de dinheiro, apesar das apreensões, capturas e extradições.

Um tema delicado: a legalização A assembleia acontece exatamente no país que há um ano pôs o dedo na ferida. A discussão é baseada em um relatório feito pela OEA, no mandato da Cúpula das Américas de abril de 2012, em Cartagena (Colômbia), que acolheu a ideia do presidente guatemalteco, Otto Pérez, de buscar alternativas para a guerra antidrogas.

O estudo apresenta quatro cenários frente a esse flagelo: o fortalecimento das instituições e a segurança, a despenalização das drogas, a capacidade de reação por parte da comunidade e a ruptura da cooperação entre países consumidores e de trânsito das drogas.

‘Tocou-se em um ponto sensível para muitas pessoas que, embora não acreditem que se tenha de liberar tudo e mudar tudo de um dia para o outro, acreditam que seja necessário reexaminar a política antidrogas’, disse Insulza mais cedo.

Mesmo que não seja um consenso, a despenalização ganha terreno. A maconha é legal para consumo recreativo nos estados do Colorado e de Washington (EUA); no Uruguai, pretende-se legalizar e regular a distribuição; e, em países como Brasil e Argentina, já se avançou na despenalização do consumo pessoal.

Pelo menos 14 países da América Latina estão interessados em promover uma nova política, incluindo os da América Central, Uruguai, Colômbia e México, de acordo com chanceler guatemalteco, Fernando Carrera.

Personalidades, como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (Brasil), César Gaviria (Colômbia) e Vicente Fox (México), pressionam os governos para um diálogo que rompa o status quo.

Não é casual, portanto, que Washington tenha enviado alguns pesos-pesados para Antigua. Em sua primeira visita oficial à América Latina, Kerry reafirmará a estratégia dos EUA em conversa com os demais chanceleres – informou a subsecretária adjunta para a região, Roberta Jacobson.

‘Nenhuma entidade internacional vai ditar a legalização, certamente não aos Estados Unidos’, sentenciou o subsecretário encarregado da luta antinarcóticos, William Brownfield, que integra a delegação com Jacobson e o czar antidrogas americano, Gil Kerlikowske.

Ainda assim o chanceler anfitrião considera que já se quebrou um ‘tabu’ na política para as drogas: ‘Achava-se que tudo já estava dito e que a única coisa que se tinha de fazer era aplicar um paradigma de maneira cega’.

Monstro de sete cabeças O relatório da OEA sugere que o problema seja adotado sob uma perspectiva, na qual a saúde pública prevaleça sobre a segurança, priorizando a prevenção e o tratamento do dependente.

Segundo a organização, 45% dos consumidores de cocaína no mundo – metade dos que consomem heroína e opiáceos e 25% dos que fumam maconha – vivem na América, o segundo continente mais violento do planeta depois da África. São 16 assassinatos a cada 100 mil habitantes, o dobro da média mundial.

As drogas se mantêm como um negócio ilícito que altera as economias, corrompe as instituições e deriva em atrocidades contra as pessoas. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima em pelo menos US$ 85 bilhões o comércio mundial de cocaína e, desse montante, US$ 35 bilhões são movimentados nos EUA.

‘É uma economia ilegal que chega a bilhões de dólares e é operada por redes criminosas transnacionais, expande suas ações para o tráfico ilegal de armas, para o contrabando, para a pirataria, para o tráfico de pessoas, a prostituição, o sequestro e a extorsão’, alertou Insulza.

Grupos da sociedade civil pediram à OEA que coloque ‘os direitos humanos no centro do debate’.

A Assembleia também deve tratar da reforma da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), criticada pelo governo de Caracas e por seus aliados de se submeter aos interesses americanos. Também debaterá temas da atualidade regional, como a crise política da Venezuela.



Uma resposta para “Guerra às drogas dos EUA domina agenda da Assembleia da OEA”

  1. Avatar Hairstyles disse:

    I truly wanted to compose a small message to say thanks to you for these awesome tactics you are giving here. My extended internet search has finally been rewarded with sensible strategies to write about with my good friends. I would believe that many of us site visitors actually are rather endowed to dwell in a remarkable site with so many marvellous professionals with very beneficial things. I feel extremely privileged to have encountered your entire weblog and look forward to some more exciting times reading here. Thanks once again for a lot of things.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *




[pro_ad_display_adzone id=17608]
[pro_ad_display_adzone id=17609]