Home Medicinal Empresa pioneira no comércio de maconha medicinal no Brasil

Empresa pioneira no comércio de maconha medicinal no Brasil

A startup campineira CBD Vida será a primeira empresa com sede administrativa no Brasil a comercializar medicamentos à base de canabidiol (CBD) — extrato natural da cannabis sativa — com importação direta mediante receita e laudo médico. O mercado nacional de CBD deve movimentar U$ 4,7 bilhões, ou seja, em torno de R$ 17 bilhões nos próximos três anos, segundo pesquisadores da BDS Analytics e Arcview Market Research.
.
Atualmente, 6.530 pessoas estão autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), autarquia vinculada ao Ministério da Saúde, a importar esse tipo de remédio. Um estudo da consultoria NewFrontier aponta, entretanto, que o número potencial de brasileiros que podem se beneficiar é muito maior. No momento, seriam cerca de 833 mil pacientes, dos quais aproximadamente 234 mil sofrem com dores crônicas. Para os próximos 36 meses, o número total deve crescer em torno de 305%, atingindo perto de 3,4 milhões de enfermos.
.
As vendas dos produtos (http://cbdvida.com/produtos/) da marca binacional serão realizadas a partir de agosto. A sede operacional da companhia fica em Ottawa, capital do Canadá, e alguns produtos são feitos na província de Quebecc. Serão comercializados medicamentos com os extratos da planta Cannabis sativa, usados para o tratamento de diversas patologias, como câncer, epilepsia, fibromialgia e transtornos de ansiedade, por exemplo.
Eduardo Berenguel (à esq.), diretor financeiro da startup campineira, e Fabio Camata Candello, diretor executivo, mostram as opções de produtos
.
Segundo o diretor executivo da CBD Vida, Fabio Camata Candello, Campinas não foi escolhida como sede à toa ou pelo simples fato de que seus gestores nasceram ou residem no município. “A cidade é um polo de conhecimento e tecnologia que abriga, entre outros, a Universidade Estadual de Campinas”, disse. “Além disso, está próxima (a cerca de 100 km de distância) da capital econômica do Brasil, São Paulo, e conta com bons modais de transporte: ferroviário, rodoviário e aéreo por meio do Aeroporto Internacional de Viracopos”, completou Candello.
.
Os principais diferenciais da empresa frente à concorrência são os valores mais acessíveis, produtos eficientes e prazo de entrega mais curto. O portfólio da startup campineira tem três medicamentos — um deles um gel para dores articulares. O executivo afirma que após uma pesquisa sólida de mercado, foram estabelecidos valores, em média, US$ 50 mais baratos para cada produto. Isso, considerando que cada paciente, dependendo da idade, peso e patologia, deve consumir até três frascos por mês, resultando em despesas geralmente superiores a R$ 1 mil.
.
Pensando na eficácia, foi empregada nanotecnologia na formulação dos remédios. Essa manipulação garante aos produtos 18 vezes mais absorção pelo organismo em comparação aos demais. O prazo de entrega é de aproximadamente oito dias. “A facilidade nesse processo é assegurada por uma parceria firmada com a SinerlogUSA, empresa de logística integrada a um serviço brasileiro dos Correios”, afirma o diretor financeiro Eduardo Berenguel. “Mantemos o que chamamos de armazém alfandegado no aeroporto de Miami. Lá temos um estoque dos nossos produtos”, esclarece.
.
Justiça
.
Em 2014, o juiz Bruno César Bandeira Apolinário, da 3ª Vara Federal de Brasília, autorizou pela primeira vez uma família a importar óleo rico em Canabidiol para o tratamento de uma criança, na época com 5 anos, que sofria de epilepsia refratária.
.
O magistrado defendia que liberar o uso do remédio derivado da maconha para esse caso, em específico, preservava o direito fundamental à saúde e à vida. Na oportunidade, Apolinário defendeu que estudos já mostravam que o CBD não tinha efeitos entorpecentes.
A partir dessa jurisprudência, os pedidos aumentaram drasticamente até que em 2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 6 de maio a Resolução RDC nº 17. A norma definiu critérios e procedimentos para a importação de produtos à base de Canabidiol em associação com outros canabinóides, por pessoa física, para uso próprio, mediante prescrição médica.
.
“A Anvisa liberou o registro. Ela não se responsabiliza pelos efeitos benéficos ou colaterais, caso ocorram, mas permite a compra no Exterior (a produção, manipulação e estocagem no Brasil não foram liberadas). A partir desse marco regulatório, os conselhos médicos (nacional e estaduais) autorizaram seus membros a prescrever esses medicamentos”, disse o diretor executivo da CBD Vida, Fabio Candello.
.
O executivo ressalta que a maioria dos brasileiros ainda está atrasada culturalmente no que diz respeito à compreensão da Cannabis medicinal. O executivo enfatiza que há diferenças consideráveis entre o uso para tratamentos e o recreativo. “A parte que utilizamos da planta é a masculina, onde o THC (tetra-hidrocarbinol — principal componente da maconha) é praticamente zero”, afirmou.
.
Público-alvo de tratamento é diversificado
.
O público-alvo da CBD Vida, segundo seu diretor executivo Fabio Camata Candello, é formado por pacientes com doenças de fundo neurológicos, psiquiátricos e com dores crônicas, independentemente da idade.
.
“Os remédios podem ser utilizados desde crianças a partir de dois anos até um idoso com Alzheimer (patologia neurodegenerativa e a forma mais comum de demência, que se manifesta lentamente e vai-se agravando ao longo do tempo. O sintoma inicial mais comum é a perda de memória a curto prazo)”, disse.
.
De acordo com o gestor, o foco da empresa é humanitário e também social, pois a maioria dessas doenças, que incluem o câncer, é muito grave e não tem sido atendida pelos medicamentos tradicionais que estão à disposição no mercado.
.
Diretor financeiro da CBD Vida, Eduardo Berenguel destaca que é pai e recentemente se deparou com um caso chocante e que valida a utilização do CBD. “Uma criança com epilepsia tinha cerca de 60 ataques por dia. Depois que passou a se medicar com CBD, esse número caiu para dois ataques por dia”, comentou.
.
“Estamos num momento em que o uso medicinal da Cannabis não tem volta: as discussões podem desacelerar, mas não retroceder. A classe médica, Anvisa e Judiciário sabem que o emprego da planta é favorável no tratamento de várias patologias”, acrescentou Candello.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Ultimos posts

Fabricação e venda de derivados da cannabis entram em vigor no país

Entra em vigor hoje a resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que regulamenta a fabricação, importação e comercialização de produtos derivados da...

“Maconha é coisa de velho”, diz Fernando Henrique Cardoso

No Brasil só não enxerga o que acontece quem não quer. A maconha ou as drogas mais pesadas não estão apenas na favela, mas...

Alerj aprova pesquisa e cultivo da maconha medicinal no Rio

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou a realização de pesquisa e cultivo científico da maconha por associações de pacientes. A votação,...

10 universidades pelo mundo que oferecem cursos focados em maconha

A maconha medicinal vem ganhando espaço em diversos lugares do mundo. De olho nisso, algumas universidades estão buscando capacitar seus estudantes para trabalhar no...

Se eu quiser fumar, eu fumo

Dizem por aí que coisa alguma acontece por acaso. Aliás, que o próprio acaso é algo irreal — mesmo que nós ainda não sejamos...