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Dos males, o maior

por S. M. Hermes

A vida se desenvolveu na Terra no ultimo um bilhão de anos, resultando em todas as espécies conhecidas (ou não) que hoje habitam o planeta. Sendo que, atualmente várias dessas se encontram em extinção, o que ameaça de forma eminente o ciclo natural das coisas. Conforme o documentário francês “Terra” (2015), disponível no Netflix, em 10 mil anos, ou seja, em 500 gerações, nossa raça alterou completamente a superfície natural do planeta em que vivemos.

De acordo com a obra “Náufragos, traficantes e degredados” (1998), do escritor Eduardo Bueno, as coroas espanhola e portuguesa financiavam as viagens dos navegadores no século XV e XVI firmando acordos onde as cláusulas eram principalmente a importação de enormes quantidades de pau-brasil e de espécies de animais, vivos e mortos. Peninha também cita em seu livro um estudo que indica a devastação das Américas pelas coroas e pelos exploradores como um dos principais agravantes dos problemas ambientais desenvolvidos ao longo da história.

Em cem séculos nos distanciamos (se não completamente, quase) de praticamente toda natureza e seus maravilhosos movimentos e proveniências. Enquanto nossos antepassados mais remotos a veneravam de maneira contemplativa, desde muito fazemos uso dos recursos naturais de forma inadequada e irresponsável — causando inúmeros danos ao ecossistema. Que se torna mais instável conforme o passar do tempo e a ampliação das frenéticas atividades humanas no planeta.

O Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day) é calculado desde 1969 pela organização internacional sem fins lucrativos Global Footprint Network (GFN), e indica exatamente o quão excessiva é a exploração da Terra pela humanidade. Até hoje, 2017 foi o ano em que a data que marca o esgotamento dos recursos naturais gerados em um ano chegou mais cedo — tendo como principais responsáveis os países mais ricos e as emissões de carbono.

Em função da ganância financeira objetificada através da exploração máxima de todos os recursos naturais encontrados no ecossistema terrestre, chegamos nesse péssimo patamar. Inclusive os próprios indivíduos tornaram-se ferramentas do sistema, tendo sua mão de obra amplamente utilizada, principalmente em países com índices de desenvolvimento menos elevados onde geralmente grandes indústrias buscam seus recursos de maneira menos legal e mais lucrativa.

E apesar de toda capacidade que a tecnologia atual tem — que é de solucionar basicamente todos os problemas sociais, como alimentação, saúde, saneamento básico, moradia, etc. — a desigualdade no mundo ainda é enorme, sendo um fator decisivo nos impactos que a humanidade gera na natureza. Ainda assim, cada vez mais o futuro do planeta Terra, e de toda sua fauna e flora, encontra-se nas mãos dos mesmos que puseram tudo a perder, até mesmo seu próprio destino.

E mesmo que a Cannabis tenha ficado fora do foco dessa reflexão, é ela quem alimenta todos os pensamentos aqui desenvolvidos, além de ter o eterno carinho daquele que vos fala. Talvez seja ela mesma a precursora do despertar da humanidade para um futuro hoje inimaginável; uma nova era de utopia. De fato a natureza é incrível; e com certeza seríamos banidos para sempre do paraíso caso esgotássemos as capacidades naturais do planeta Terra!

“O poente se reflete nas janelas do albergue de mendigos com o mesmo fulgor com que brilha na morada dos ricos; a neve se dissolve em ambas as portas da mesma época da primavera.” – Thoreau, em Walden (1854)

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