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Cotidiano…

por S. M. Hermes

O despertador toca, são nove e meia da manhã.

Coloco na soneca por mais oito minutos.

Acordo no susto, já são dez. Levanto, faz frio.

É quase inverno; imagino quando for mesmo.

Vou pro banheiro, primeiro aparo a barba, depois tomo banho.

O chuveiro até que dá conta de esquentar o suficiente.

Penso em bolar um baseado… não rola, senão me atraso mais.

Me visto, saio de casa, entro no carro, vou pro trabalho.

Vontade de fumar… não dá tempo.

***

Costuma ser assim, as pessoas têm rotinas. Tudo se repete; 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano. Até durante todo maldito século. A roda nunca para, sempre estamos correndo atrás do tempo perdido.

Alguns sofrem mais, alguns sofrem menos. Isso o povão, lógico, os meros mortais — que trabalham pra viver. Viver pra trabalhar é algo reservado à poucos. A maioria passa muito perrengue, às vezes até fome.

Além disso, existe a opressão. Pois, não satisfeito com as dificuldades já impostas, o sistema ainda faz questão de impor variados padrões, que, obviamente custam o dinheiro e o tempo das pessoas.

***

Duas horas de trabalho depois, sou só vontade.

Saio pro intervalo, tenho 15 minutos.

Entro no carro, lembro que tenho duas pontas…

Merda, podia ter fumado antes… azar.

Elas dão conta, chapei!

Vou no banheiro, me esvazio. Lavo as mãos, o rosto e os dentes.

Volto pro trabalho, tranquilo, calminho.

Até umas seis eu saio, bolo um e volto pra casa chapando.

Aí eu faço o que tenho que fazer… mais uma vez.

Só depois faço o que eu quero.

E vamos nessa, que amanhã começa tudo de novo.

***

A percepção dos indivíduos sobre determinadas coisas, como por exemplo, o consumo de Cannabis ou as “obrigações” da vida em sociedade, se dá da mesma maneira que a percepção da língua materna — recebemos as informações primárias a partir do meio em que nos encontramos, e então, passamos a reproduzir (ainda sem entender o significado) o mesmo discurso.

“E um dos sintomas mais visíveis é a falta de percepção, acariciam um lobo achando que é seu animal de estimação. Não conseguem diferenciar banqueiros de bancários, mega traficantes de meros funcionários. E assim permanecem estagnados, quando não regredindo, enquanto o comando Delta tem cada vez mais motivos pra permanecer sorrindo (na cara daquele malandro). ” – Planet Hemp (2000)

É um processo complicado, pois são poucos os indivíduos que adquirem a capacidade de desvincularem suas opiniões daquilo que já foi imposto como “certo e errado”. O sistema trabalha pra si mesmo, única e exclusivamente, sempre evitando qualquer alteração em sua matriz que venha à prejudicá-lo. Desde sempre somos induzidos, chegamos até mesmo a acreditar na nossa liberdade.

E, como diria o velho drogado, “querem me controlar, mas são todos descontrolados”.

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