Como a maconha ajuda a ciência a entender o funcionamento do cérebro

Clipadão

hempadao 21 setembro, 2018

Fonte: UOL

“Um sono reparador afasta todos os sintomas assustadores”, diz um cartaz publicitário de 1905, referindo-se aos poderes terapêuticos dos Cigarros Índios, da companhia Grimault, vendidos em farmácias brasileiras até os anos 1930.

Feitas de maconha, as cigarrilhas eram indicadas pelo fabricante para melhorar o apetite e amenizar dores, insônia e ansiedade. Pouco depois, a Cannabis sativaperderia o status de erva medicinal para ser classificada como droga proibida, “tão perigosa quanto o ópio”, conforme registrado na ata da conferência Internacional do Ópio de 1924.

Há milênios, sabe-se que a maconha tem efeitos psicoativos (veja definições das palavras sublinhadas ao fim do texto) e interfere em processos básicos de sobrevivência, como sono e fome. Apesar de relatos sobre uso medicinal em 2700 a.C., na China, foi só nas últimas décadas que a cannabis passou a ser intensamente pesquisada pela ciência.

Nos anos 1960, o grupo do bioquímico israelense Raphael Mechoulam isolou em laboratório o principal componente psicoativo da planta, o canabinoide delta-9-tetra-hidrocanabinol (THC), responsável pelo “barato” característico do uso recreativo da planta.

Em estudos com modelos animais, descobriram que o THC tinha alta afinidade com receptores já presentes no nosso sistema nervoso central. Eles foram batizados, por isso, de receptores canabinoides.

Maconha “Interna”

O cérebro reage à maconha porque tem receptores para as substâncias da planta. E por que nascemos com esses receptores? A resposta é reveladora: é que, naturalmente, nossos corpos produzem mensageiros químicos equivalentes aos da cannabis, uma espécie de “maconha interna” – os endocanabinoides.

Para simplificar: é como se os receptores canabinoides fossem fechaduras nas quais se encaixam perfeitamente os endocanabinoides, do nosso corpo, e também os canabinoides, da planta.

Quando ativados, esses receptores canabinoides influenciam na liberação de outros neurotransmissores envolvidos em diversos eventos do sistema nervoso central.

Estudar essa “circuitaria”, como os neurocientistas denominam essas redes complexas, é uma oportunidade rara de entender melhor o funcionamento do cérebro, além de abrir portas para desenvolvimento de remédios.



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