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CBD e THC: o bem e o mal da maconha, segundo especialistas

Enquanto o cannabidiol tem várias potencialidades terapêuticas, o TCH atua no corpo como psicoativo perigoso

A cannabis é a droga ilegal mais consumida da Europa hoje, segundo várias instituições continentais. Só no País Basco, segundo a administração da região espanhola, 45 mil pessoas consomem a erva uma vez por semana, segundo a pesquisa mais recente publicada sobre o assunto. Para se ter uma ideia, o Uruguai registrava 21 mil pessoas cadastradas para comprar maconha nas farmácias em fevereiro do ano passado após a regulamentação do uso da planta, cinco anos atrás.

Fonte: Gazeta Web

O uso da cannabis é antigo, mas sempre remonta para o bem e para o mal, isto é, entre seus efeitos como uma droga pura e dura e como uma planta com efeitos medicinais positivos. Para os médicos psiquiatras Claudio Jerônimo, diretor da clínica Unidade Recomeço Helvetia, em São Paulo, e Marco Antonio Echevarria, do AME Psiquiatria Jandira Masur, na grande São Paulo, o motivo disso é que a maconha sempre tem atuação no sistema nervoso humano.

“Ela é composta de diversos tipos de canabinoides – os mais conhecidos são o tetrahidrocanabinol (THC) e o cannabidiol (CBD). O THC se destaca para o mal: é responsável pelos efeitos psicoativos e neurotóxicos, não como a CBD, que funciona para o bem, porque possui diversas possibilidades terapêuticas e até efeitos protetores contra os danos do próprio THC, incluindo efeitos antipsicóticos”, afirmam em um artigo publicado em um artigo científico há dois anos.

“O problema é que os efeitos benéficos do CBD não compensam os maléficos do THC quando a maconha é fumada”, completam.

Nos Estados Unidos, alguns estados aprovaram o uso da cannabis com uso terapêutico e, em alguns casos, para uso recreativo. Em países europeus como a Espanha, por outro lado, ainda existe um limbo legal em que se encontram os clubes privados que administram plantações coletivas de cannabis para produzir a maconha, como é o caso do País Basco.

O Uruguai é o exemplo mais acabado de legalização da droga hoje no mundo: segundo o jornal uruguaio El País, há 27 espécies de cannabis em cultivo atualmente no país sul-americano. Cinco anos após a aprovação da lei que regulamentou a venda e o consumo da maconha, a planta se tornou um negócio não apenas para a indústria medicinal da substância, mas também fonte de recursos turísticos, por meio de roteiros ?canábicos? que terminam sempre na degustação.

Uma das primeiras vias de acesso à substância mediante o cultivo próprio foram os lugares privados (até seis plantas) e a criação de clubes com até 45 membros, enquanto a expansão da venda da droga para as farmácias aconteceu há dois anos. Empresas estrangeiras, como a Royal CBD, miram o Uruguai agora como um país aberto a novas formas de consumo das substâncias da planta, como óleos medicinais feitos à base de cannabidiol.

Segundo Jerônimo e Echeverria, os efeitos nocivos do THC podem ser combatidos pelo próprio CDB. “As consequências [do aumento de THC no consumo de maconha] são desastrosas para os usuários, principalmente na esfera mental. Especificamente, usuários de variedades ricas em THC e pobres em CBD estão sob risco maior de quadros psicóticos, de diminuição volumétrica de áreas cerebrais responsáveis pela memória, planejamento e execução de tarefas e de diversos tipos de prejuízos cognitivos”, dizem.

“Já o modo pelo qual o CBD protege os neurônios da degeneração induzida por THC permanece incerto, mas esse potencial tem despertado interesse em estudar o CBD para tratamento de várias doenças”.

Mas há contrapontos: a National Academy of Science, dos EUA, por exemplo, publicou há dois anos um relatório com 10 mil pesquisas realizadas. Nelas, há evidências de algumas aplicações da substância, incluindo para administrar dores crônicas e espasmos associados com a esclerose. Um dos indicativos é que o THC pode reduzir náuseas causadas por tratamentos de quimioterapia por meio de uma redução de sua composição, o dronabinol. Já os óleos de CBD são reconhecidamente poderosos no combate a dores crônicas no corpo, porque ativa os endocannabinóides que são produzidos pelo próprio organismo.

Segundo a revista Medical News Today, o CBD ainda limitam a inflamação no cérebro e no sistema nervoso, o que ajuda pessoas com dores, insônia e certas doenças do sistema imunológico. Ainda sim, segundo Jerômio e Echeverria, isso não significa que fumar maconha por si só é medicamente positivo: “Não é possível fumar maconha para obter os efeitos benéficos do CBD. É preciso separá-lo do THC. Exatamente por isso que a maconha não deve ser considerada remédio. O potencial efeito terapêutico está apenas no CBD”, finalizam.

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