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Carta de uma maconheira ao Presidente

Diante do retrocesso absurdo e sem precedentes da mais recente mudança na política de drogas feita por nosso “excelentíssimo” governo, senti vontade de trocar uma ideia sobre o assunto com o atual presidente. Mas como? Se ele já não é chegado num debate, quem dirá com uma “maconheira esquerdista” não é mesmo?

por Nah Brisa*

Foi então que vasculhando algumas publicações passadas encontrei uma especial. Tão antiga quanto atual, feita há alguns anos atrás depois de uma discussão acalorada sobre o tema com um tio – que não surpreendentemente votou no atual presidente rs – chamada “Carta aos Proibicionistas”. Percebi que com alguns remendos e contextualizações atuais caberia como uma luva direcioná-la a alguém que, pra mim, consegue representar o pior de todos eles: o blogueirin, digo, o – nem tão novo – presidente do Brasil: Jair Messias Bolsonaro.

Só peço a você que leia sem pré-conceitos:

Nah Brisa em cobertura da Marcha da Maconha

Para começar queria te lembrar que drogas não são só aquelas proibidas. Café, álcool, cigarro, açúcar, rivotril e aspirina são drogas também. Tão ou mais perigosas do que as ilícitas, viciam e causam efeitos colaterais gravíssimos como overdose, cirrose, câncer de pulmão, diabetes, hipertensão, dependência, intoxicações e etc. Você compra ‘remédios’ em uma DROGARIA porque o que está a venda lá, veja só, são drogas!

A inocente cervejinha do comercial de TV é a mais perigosa de todas. Afeta a saúde do usuário e a segurança de quem está no caminho dele. Não preciso lembrar aqui das inúmeras ocorrências de acidentes de trânsito, agressões, estupros e assassinatos provocados por bêbados todos os dias, não é mesmo? Prefiro ir além e questionar se “vossa excelência” sabe quem foi Al Capone?

Permita-me refrescar sua memória:

Segundo a Wikipedia (e os livros de história) Alphonse Gabriel, mais conhecido como “Al” Capone, nasceu em Nova Iorque em 17 de janeiro de 1899 e foi “um gângster ítalo-americano que liderou um grupo criminoso dedicado ao contrabando e venda de bebidas entre outras atividades ilegais, durante a Lei Seca que vigorou nos Estados Unidos nas décadas de 20 e 30.” Calcula-se que ele tenha arrecadado algo em torno 100 milhões de dólares. Ou mais.

Antes dessa lei ser aplicada o comércio de bebidas alcoólicas gerava empregos e recolhia impostos para o governo exatamente como acontece nos dias de hoje. A partir da proibição criou-se um novo crime: o tráfico de álcool, e todo esse dinheiro (que não era pouco pois não é de hoje que o ser humano gosta de tomar umas não é mesmo?) passa a ir para as mãos do crime organizado financiando a compra de armas e toda a guerra e caos que se instaurou no país desde então.

Perceba que não foi a substância que criou a guerra, mas sim a sua proibição.

Assim como creio que você, caro leitor, já pôde concluir neste pequeno resumo, não demorou muito para os próprios governantes enxergarem a merda que fizeram. Foi preciso voltar atrás e admitir que a medida foi um fracasso, uma burrice, uma amarga ilusão que só fez fortalecer os criminosos e instaurar medo, terror e violência desenfreada.

Usar drogas é natural do ser humano, faz parte da construção do nosso ser e da expansão da nossa consciência desde que habitamos esse planeta. Não é ‘achismo’, não é ‘ideologização’ (me pergunto se o Sr. sabe ao menos o que significa essa palavra rs), são fatos.

Todos Somos Usuários de Drogas

Estudos mostram que buscar estados alterados de consciência – o tal “barato” – é natural não só do ser humano como também dos animais. Golfinhos mascam baiacus pois a toxina liberada por eles ao se sentirem ameaçados os deixam “doidões”. Eles passam o pobre baiacu uns para os outros exatamente como nós maconheiros passamos nossos baseados. Elefantes da África do Sul ingerem frutas de Marula fermentadas para ficarem bêbados. Gatos cheiram “catnip” (erva dos gatos) para relaxarem e se divertirem. O ser humano bebe, fuma maconha, faz sexo, joga videogame ou toma chá de camomila buscando essa mesma sensação de relaxamento, prazer e estado alterado de consciência. E isso não é necessariamente uma coisa ruim!

A porcentagem de pessoas que usam drogas é imensamente maior do que a porcentagem de pessoas que se viciam e tem problemas com elas. A ciência nos explica que o uso problemático de drogas está muito mais ligado aos fatores sociais, econômicos e psicológicos em que a pessoa se encontra do que a substância que ela usa. Em bom português para que o Sr. entenda: um indivíduo psicologicamente saudável, com estabilidade familiar e financeira, que possui acesso a condições básicas de saúde, educação e lazer tem uma probabilidade infinitamente menor de desenvolver uso problemático de drogas do que o indivíduo que não teve acesso a nada disso. Não é a mera coincidência que nas “cracolândias” a esmagadora maioria seja de pessoas negras, pobres e com histórico familiar de violência, abandono e tragédia. Estar à margem da sociedade e principalmente estar psicologicamente doente é um fator de risco muito maior para se tornar um viciado do que o uso de qualquer substância em si. Podemos citar por exemplo o caso de seus filhos que, segundo relatos facilmente encontrados na internet, nos anos 2000 eram sempre vistos fumando maconha nas praias cariocas durante as sessões de surf com os amigos da banda Forfun, do qual inclusive Dudu participou da gravação de um clipe. Nem por isso viraram dependentes químicos, né?

Num estudo realizado pelo departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina da Unifesp pelo Dr. Dartiu Xavier, concluiu-se que fumar maconha pode ajudar dependentes de crack a abandonar o vício. Durante 12 meses, psiquiatras acompanharam um grupo de 20 dependentes que estavam fumando maconha numa tentativa de diminuir os efeitos da abstinência causada pelo crack. Ao final do experimento, 14 deles (70% do grupo) haviam deixado de usar crack e passaram a fumar maconha esporadicamente.

É importante lembrar também que as pessoas não se viciam só em ‘drogas’. Se viciam em adrenalina, jogos, pornografia, chocolate, poder… E muitas vezes os impactos desses vícios a saúde são tão ou mais danosos quanto o uso de algumas substâncias ilícitas – como é o caso da maconha, que é 114 vezes mais segura que o álcool e, segundo cientistas “será a nova penicilina” devido a revolução que esta pode causar na medicina e na saúde das pessoas. Mas disso a gente fala daqui a pouco.

Antes quero que você entenda que a violência gritante oriunda do tráfico de drogas só passou a existir depois da implementação da ‘guerra às drogas’. Antes disso, cigarros e tinturas de maconha assim como “drops” de folhas de coca eram vendidas em farmácias como remédio para muitos enfermos. Na verdade, se for pra ir a fundo mesmo, posso falar sobre como a maconha já era usada de forma medicinal e recreativa desde a época dos faraós… e antes!

Hoje já sabemos que todo o poder, enriquecimento e a crescente violência do crime organizado são produtos da própria guerra às drogas. São frutos da proibição que nasceu do preconceito, da desinformação e principalmente da busca pelo controle das massas e do monopólio de indústrias. Da maconha se faz papel, tecido, combustível, alimento, plástico, concreto impermeável e à prova de fogo e outros milhares de produtos de forma barata, limpa e sustentável. Só quando você descobre isso começa a perceber o real motivo da proibição: Ninguém quer facilitar o acesso a uma planta tão útil, versátil e de fácil cultivo para que nós, pobres mortais, possamos plantar em nossas casas e terras para produzir não só nosso próprio remédio, mas também fibras e produtos capazes de substituir tantos outros oriundos das gigantes indústrias mundiais. A maconha é muito mais poderosa do que querem nos fazer acreditar. E você sabe disso. Ou pelo menos deveria saber…

Garantir a manutenção da repressão e da guerra às drogas serve única e exclusivamente para garantir o sucesso do crime organizado, a fatia gorda das milícias e claro, da indústria armamentista. E isso não é “papo de esquerdista defensor de bandido”. É o que dizem os maiores especialistas em segurança pública e economia do mundo!

O fato é que as pessoas não vão parar de usar drogas, nem as lícitas nem as ilícitas. Você pararia de tomar sua cervejinha se de repente resolvessem proibi-la? E a sua aspirina? Pararia de comer chocolate? Ou o tal pão com leite moça acompanhado de um cafezinho? Sinto em te informar mas isso tudo também é “droga”. Aliás, vossa excelência sabia que o consumo de café já foi proibido entre os cristãos? .

Quando eu luto pela legalização das drogas não estou defendo apenas o meu direito de usar, até porque o fato delas serem proibidas nunca impediram a mim nem a ninguém de encontrar. Eu defendendo  o seu direito, caro leitor, de viver em uma sociedade pacífica, sem guerra, sem bala perdida, sem genocídio das populações pobres e periféricas. E engana-se quem torce o nariz e pensa que isso não é problema seu e que só quem perde são esses pobres e periféricos. Todo nós perdemos. A diferença é que só eles perdem suas vidas…

Defender a legalização da maconha é defender o nosso direito de ver nossos impostos aplicados em melhorias concretas para a sociedade como saneamento, educação, saúde, lazer e consequentemente segurança pública, não em armamento e efetivo policial para enxugar gelo combatendo algo que já provou não poder ser combatido.

Ignorar que a “cuestão” das drogas tem tudo a ver com a situação caótica em que vivemos hoje, falar em combate a violência, a miséria, ao racismo e a implementação de qualquer projeto que paute a segurança pública e a diminuição das desigualdades sociais sem falar em descriminalização e legalização das drogas é caminhar – mais uma vez – rumo ao fracasso. Ou é charlatanismo ou muita ingenuidade. Já usamos essa estratégia antes e o resultado está aí. Mudou? Sim, mas para bem pior.

Não é à toa que países como Canadá, Uruguai, EUA, Portugal, Holanda e até mesmo Israel entre outros com as mais variadas “ideologias” estão legalizando, descriminalizando ou afrouxando suas leis de drogas, principalmente as que dizem respeito à maconha.

Nos estados norte americanos que legalizaram viu-se nascer uma nova, potente e bilionária indústria que impulsiona cada vez mais a geração de empregos, renda e arrecadação de impostos a níveis astronômicos em tempo recorde! Em Chicago estuda-se usar o dinheiro arrecadado com a legalização total da maconha para pagar a alta conta de pensões e aposentadorias devidas à população sem precisar mexer no bolso do contribuinte. Isso não te faz pensar em nada?

O próprio presidente Trump, como bom businessman que é, re-legalizou no fim do ano passado sem grandes alardes o cultivo e produção do cânhamo pois sabe do potencial econômico dessa fibra. Novamente segundo o wikipedia (e não os livros de história porque infelizmente isso não é ensinado na escola) Cânhamo é “o nome que recebem as variedades da planta Cannabis Ruderalis (que não produzem as flores) e da fibra que se obtém a partir delas.” Sem produzir flores a planta não serve para ser fumada mas é excelente matéria prima para centenas de industrias. Cresce em qualquer lugar, não agride o solo e pode até purificá-lo. Foi proibido por ser uma ameaça direta para todas as poderosas indústrias que detém monopólios de produção, principalmente a têxtil e a petrolífera.

Indo um pouco mais afundo na história você descobre que as velas dos barcos que trouxeram Pedro Álvares Cabral ao Brasil eram feitas de cânhamo. Que o papel onde foi escrita a independência dos EUA era feito de cânhamo. Que George Washington tinha plantações de cânhamo e que na verdade, lá atrás, essa planta foi fundamental para a economia e desenvolvimento de diversos países.

Entendo o medo que seu governo tem de que “a molecada se interesse por política” pois cidadãos politizados jamais permitiriam que essa abordagem fracassada e criminosa se perpetue. Cortar investimentos na educação e extinguir matérias que provoquem reflexão e estimulem o senso crítico é admitir que não se quer um povo que pense e descubra o quanto foi manipulado para aplaudir e defender a própria miséria e sofrimento nem o quanto estão sendo enganados dia após dia com leis e discursos que não os protegem, só os criminaliza e destrói suas vidas. E com vidas falo não só da dos “criminosos” (entre aspas porque pra mim criminosos mesmo são os de colarinho branco, políticos, juízes, policiais e demais agentes públicos corruptos que garantem que a proibição continue para que possam lotar seus helicópteros de cocaína e faturar milhões de dólares sem serem incomodados), mas também da vida de tantos policiais honestos que são enganados e iludidos a acreditarem que arriscar suas vidas lutando numa guerra na qual eles já entraram para perder é algum tipo de ato de heroísmo. Pobres coitados…

Quantas pessoas morrem por causa da violência e da repressão? Quantas morrem por causa do uso de drogas em si? E dessas que morrem pelo uso, quantas só morrem por estarem marginalizadas e sem acesso a informação, cuidados médicos e substâncias com controle de qualidade?

Em países como a Holanda, a Suíça e a Dinamarca usuários têm à sua disposição salas de consumo de drogas com risco mínimo, ou “shoot rooms”, onde podem usar drogas de maneira controlada recebendo acompanhamento médico e psicológico (!!!), o que não só fez com que os índices de violência e mortes ligadas a essas substâncias despencassem como também os levou a fechar presídios por falta de criminosos!

Nah Brisa em viagem ao Uruguai

Vossa excelência entenda a magnitude disso?!

Em todos esses países, ao contrário do que diz o senso comum, o consumo principalmente entre jovens e adolescentes não só não aumentou, mas caiu. Novamente, isso não é opinião, são os fatos!

Aí você me pergunta: “você quer mesmo comprar o Brasil com o Canadá, a Suíça e a Dinamarca? Eles são países ricos, seguros, educados e desenvolvidos!”

E eu te digo que nosso país não precisa ser rico, seguro, educado e desenvolvido para só então descriminalizar as drogas. Ele precisa descriminalizar as drogas – e principalmente legalizar a maconha – para só então ser um país rico, seguro, educado e desenvolvido. Esse é o ponto.

Os grandes traficantes não querem a legalização. Não querem que os bilhões que lucram com o mercado ilícito passem a ser aplicados em infraestrutura social. Eles querem é que todo mundo se foda, o negócio é lucrar. É por isso que o tráfico não pede identidade nem pra quem quer comprar, nem pra quem ele quer recrutar. É tão “fácil” ser vendedor quanto ser consumidor, basta saber onde procurar. E, convenhamos, não é nem um pouco difícil encontrar…

Só defende a proibição quem lucra com o tráfico de drogas, direta ou indiretamente. Quer um exemplo? Em 2013 o juiz Vilmar José Barreto Pinheiro, que em 1997 mandou prender a banda Planet Hemp alegando apologia às drogas, foi ‘condenado’ por receber propina do tráfico de drogas. Irônico né? Sabe qual foi a sua triste condenação? Aposentadoria compulsória. Ou seja, ele foi condenado a parar de trabalhar e continuar recebendo 28 mil reais por mês, que saem do nosso bolso, pelo resto da vida! Eu não sei pra você, mas bandido mesmo, pra mim, é esse senhor e quem o “condenou”.

Se as drogas foram proibidas pensando na minha segurança, me diga onde está essa tal segurança?!

Tudo isso e eu ainda nem entrei no mérito do uso medicinal da maconha – ou das demais drogas proibidas com o LSD e até a própria cocaína. Imagina você que durante a copa do mundo da Rússia pacientes tinham autorização para usar maconha e cocaína medicinal nos estádios?! Coisa de drogado vagabundo ou de país desenvolvido? Mas como não espero que vocês estejam preparados para debater o fim da proibição da folha de coca, vamos focar na Cannabis e em seus inúmeros usos terapêuticos.

Mas veja bem, falar de maconha medicinal não é só falar de um frasco de óleo. A partir do momento que o usuário fuma um pra relaxar e aliviar o estresse, esse uso já é medicinal. Ao meu ver, todo uso de maconha tem um “quê” de terapêutico.

Há um anos atrás, na Marcha da Maconha em Porto Alegre 2018, conheci a Carol. Marchando em sua cadeira de rodas empurrada pela mãe Liane, era uma garotinha que por muitos anos não andou, não falou, só se alimentou por sonda e sofreu diariamente com centenas de crises convulsivas severas causadas pela síndrome de Dravet. Elas lutavam para conseguir na justiça o direito de plantar o da filha pois já tinham autorização para importar mas o óleo de CBD isolado da indústria além de absurdamente caro não surtia os efeitos desejados… Foi só quando começou a produzir o óleo artesanal contendo THC, CBD e todos os demais componentes da planta que Carol finalmente encontrou o alívio para suas crises!

Um ano depois, na Marcha da Maconha em 2019, tive a emoção de vê-la marchar sobre suas próprias pernas, exibindo orgulhosa a cicatriz da sonda que ela já não usa mais enquanto entoava, ao lado da mãe, gritos de “maconha no quintal é remédio natural!”. Hoje ela é a primeira paciente gaúcha a conquistar na justiça o salvo conduto para cultivar o único remédio que foi capaz de salvar sua vida: maconha! O senhor vai ter coragem de chamar essa mãe e essa menina de drogadas?

Também não adianta nos ludibriar com aquele discurso de que “CBD tudo bem, o problema é o THC” porque já está amplamente comprovado que o CBD sozinho não é eficaz, como foi no caso da Carol e de tantos outros pacientes. O que cura e alivia é o efeito comitiva, ou seja, a junção de todos os componentes da planta, em menor ou maior escala de acordo com as necessidades do organismo de cada paciente. Que são milhares. Eu diria milhões. Desde os epiléticos até os diabéticos, os cancerosos, os esclerosados, asmáticos, os com mal de parkinson, de alzheimer, os que sofrem de insônia, de depressão, de glaucoma, de autismo, de bruxismo…

A quem pode interessar a proibição de uma planta com um poder de cura tão poderoso?

Ou o senhor caiu, assim como todos, nós nas mentiras que vêm sendo repetidas durante décadas – e aí não vejo porque não reconhecer o erro e buscar novas alternativas, ou “vossa excelência” é não só conivente como mais uma peça nessa engrenagem suja de sangue que faz a roda da proibição continuar girando e destruindo gerações.

Quando seu governo decide andar na contra mão do mundo e investir em mais armamento e repressão ao mesmo tempo em que faz cortes catastróficos na educação, eu sinto muito, mas só consigo concluir que se trata mesmo da segunda opção…

O mercado legalizado de maconha pode gerar aproximadamente 10 BILHÕES de reais por ano aos cofres públicos brasileiros, sem contar todo o dinheiro economizado com o fim de operações caras, violentas e inúteis mas cês preferem realmente tirar dinheiro do bolso do velhinho aposentado ou pior, fazê-lo trabalhar até morrer? Que salvadores da pátria mequetrefes fomos arrumar hein?

Caro bolsofã proibicionista,  permita-se sair da sua zona de conforto e questionar o porquê de você pensar como pensa sem ao menos ter refletido profunda e abertamente sobre o assunto. Por que motivo não querem que você se interesse por política? Por que não querem que você estude filosofia, sociologia ou qualquer outra matéria que desenvolva seu raciocínio crítico? Quando foi que se tornou aceitável um presidente falar abertamente que “o que importa é português, matemática e um ofício que gere renda” e que tudo mais que te faça pensar, raciocinar e questionar é ruim? O que eles tanto temem? É isso que chamam de educação? A mim soa mais como idiotização…

Esqueça seus pré-conceitos. Mudar de ideia não é sinal de burrice mas sim de inteligência. Aquele que acha que sabe de tudo só prova o quanto não sabe de nada. E digo isso como alguém que foi criada em família cristã rezando o terço de joelhos todas as noites demonizando a maconha assim como a grande maioria de nós foi coagido a fazer. A diferença é que alguns não estão dispostos a reconhecer que foram enganados por tanto tempo. Se acham espertos demais para isso e com isso só provam o quão ignorantes são…

Eu não me envergonho de assumir publicamente que fumo maconha porque hoje eu entendo que não há nada de errado nisso. Vergonhoso pra mim é continuar defendendo com unhas e dentes uma política burra, fracassada e ultrapassada que fede a mofo e sangue e ainda querer dar discurso de “liberal salvador da pátria”. Criminosa é a lei. É ela que precisa mudar. E é exatamente por isso que já está mudando em todo o mundo. Me explica como seremos um país moderno e desenvolvido insistindo em leis do século passado? Como já disse José Mujica, não dá para esperar resultados diferentes se você continua fazendo sempre a mesma coisa.

Desculpem-me a franqueza, mas já passou da hora de deixarmos de ser imbecis. Se repressão e violência resolvessem alguma coisa já estaríamos vivendo num paraíso.  Não precisa ser esquerdista, comunista ou nenhum outro “ista” para compreender isso. Apenas ter um cérebro capaz de questionar não só tudo que acontece ao seu redor, mas principalmente aquilo que só os corajosos e sábios conseguem por em questionamento: a si mesmos.

Não seja só mais um papagaio de pirata de um capitão incompetente que claramente está prestes a afundar o navio. Não espere até ser sua a vida a estar por um fio.

ps: Tô há tanto tempo ensaiando para escrever esse texto porque, vejam só vocês, duvidei da minha capacidade de colocar em palavras todas as minhas reflexões sobre o ponto que quis abordar. Mas diante de um cenário onde nem o próprio presidente nem sua equipe parecem fazer questão da coerência e bom uso das palavras, senti confiança em meu potencial e resolvi publicar. Nunca antes na história desse país minha auto estima intelectual esteve tão elevada!

Valeu, presida!

*Publicado originalmente na CartaCapital

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