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Capítulo 16 – Alternativas à Proibição! [OnJack Ed. #209]

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Capítulo 16 – Alternativas à Proibição! [OnJack Ed. #209]Em conclusão, constatamos que a postura antimarijuana das autoridades é tecida de refinadas mentiras. Neste capítulo, começamos por fazer luz sobre algumas investigações que as autoridades preferem que as pessoas desconheçam, abordando então algumas alternativas realistas. Masprimeiro, uma curta fábula:

A HISTÓRIA DO REI QUE PASSEOU NU

(Parafraseado do Conto de Fadas de Hans Christian Andersen.)

Havia outrora um rei muito mau e vaidoso que cobrava pesados impostos dos seus súditos de forma a custear o seu guarda-roupa confeccionado a partir dos mais dispendiosos tecidos.

Certo dia chegaram dois vigaristas que, apresentando-se como renomados alfaia­tes de uma terra longínqua, solicitaram uma audiência com o rei, durante a qual lhe contaram que tinham inventado um novo e fabuloso tecido, feito de uma fibra de ouro muito cara que apenas as mais puras e sábias pessoas eram capazes de ver. Excitado, o rei pediu para ver uma amostra, e os homens mostraram-lhe um cabide vazio. “Não achais maravilhoso?” perguntaram ao rei.

O rei concordou, receando admitir que nada via, pois isso significaria que era uma pessoa apática e estúpida.

O rei lembrou-se então de testar os seus ministros, convocando-os para darem a sua opinião. Uma vez que lhes foi explica­da a magia do tecido, todos concordaram que se tratava de fato do melhor e mais maravilhoso tecido do mundo.

O rei ordenou que a maior parte do ouro do tesouro real fosse entregue aos supostos alfaiates para estes o transforma­rem em fio. Os homens começaram a trabalhar de imediato, passando o dia a fin­gir que cortavam e cosiam, enquanto periodicamente o rei e os seus ministros vinham observar o produto que eles es­tavam a confeccionar — e liquidar as enormes dívidas que vinham a acumular no decurso das suas atividades.

Chegou finalmente o grande dia, quan­do todos os habitantes do reino foram convocados para admirar a roupa nova do rei, para a qual tanto tinham dispendido e da qual tanto haviam ouvido falar.

Quando o rei surgiu todo nu, as pes­soas olharam-se incrédulas e nada disseram. Então cantaram as loas do mira­culoso tecido novo: “É a obra mais bela que jamais vi!” “Magnífico!” “Quem me dera ter um tecido assim tão maravi­lhoso!” Todos aplaudiram, receosos de serem denunciados e apodados de estúpidos e impuros caso procedessem de outro modo.

E o rei pavoneou-se orgulhosamente frente aos seus súditos, secretamente preocupado com a eventualidade de perder a coroa caso o seu povo descobrisse que ele próprio era incapaz de ver a roupa que lhe envolvia o corpo.

Quando o rei passou junto da multi­dão, um rapazinho que estava às cavaiitas do pai gritou: “Mas o rei não traz nada vestido!”

“Escutai o que diz o inocente!” disse o pai do rapaz. E as pessoas sussurraram umas às outras o que dissera a criança. E as palavras do rapazinho espalharam-se entre os súditos do rei.

Todos — ministros, guardas e povo — perceberam então que o rei e os seus mi­nistros haviam sido enganados por escro­ques, e que estes não apenas os haviam enganado, mas tinham gasto nesta farsa todo o dinheiro dos impostos.

O rei ouviu as pessoas rirem e murmurarem. Sabia que elas tinham razão, mas o seu orgulho impedia-o de admitir que se en­ganara e fizera figura de idiota. De modo que o rei se empertigou todo e, do alto do seu nariz, fitou os guardas, até que captou o olhar de um deles.

O guarda, olhando nervosamente em redor, consciente de que este vaidoso rei podia mandar encarcerá-lo ou mesmo decapitá-lo, evitou os seus olhos e fitou o chão. Então outro guarda, percebendo que o seu colega deixara de rir, assustou-se e baixou também os olhos para o chão. Num instante, to­dos os guardas, ministros e até mesmo as crianças que fingiam transportar o real manto feito de teci­do de ouro invisível, olha­vam fixamente para o chão.

Capítulo 16 – Alternativas à Proibição! [OnJack Ed. #209] Vendo os ministros e os guardas, que há um momento atrás estavam rindo do rei e agora fitavam o chão, tremendo como varas verdes, as pessoas deixaram de rir e não tardaram também a baixar as cabeças.

Até o rapazinho que inicialmente ex­clamara que o rei ia nu, vendo todas as pessoas crescidas à sua volta, e até mesmo o seu pai, tão assustadas e subju­gadas, baixou a cabeça cheio de medo!

Então o rei, empertigando-se de novo, anunciou aos seus súditos, enquanto marchava através do seu reino: “Quem se atreve a dizer que estas não são as me­lhores roupas que há?”

A MORAL DA HISTÓRIA É:

Não basta denunciarmos os atos frau­dulentos e a manipulação dos fatos leva­dos a cabo pelo Rei (o governo dos EUA). Os seus guardas (o FBI, a CIA, a DEA, etc.) são poderosos demais. É tal o receio que sentem de ser vergonhosamente desmasca­rados que usam incessantemente o seu po­der (financiando a maior parte das cruzadas antidroga das Nações Unidas e mundiais) para comprar obediência me­diante suborno e intimidação (ajuda exter­na, vendas de armamento, etc).

Os cidadãos americanos que se atre­vem a pronunciar contra esta tirania são muitas vezes difamados como “drogados” ou “passados”, podendo ser ameaçados com a perda dos seus empregos, rendi­mentos, famílias e ha­veres. Se quisermos vencer, devemos cra­var repetidamente uma estaca no coração das mentiras propal­adas pelas autori­dades, martelando-a implacavelmente com os fatos concretos. Só assim derrotaremos o mal perpetrado por este imperador insen­sível — as leis injustas sobre a cannabis. E, se tal for necessário para o nosso povo, devemos estar preparados para prender estes facínoras!

A ANALOGIA LÓGICA

Dizemos que as leis sobre a marijua­na/cânhamo são como as roupas do rei! À imagem de tiranos e proibicionistas do passado, este rei depende de força bruta, intimidação, medo e um virtual estado policial para manter o seu reinado autoritário e despótico, enquanto sangra o tesouro federal, desmantela todos os vestígios da Declaração dos Direitos e aprisiona almas inocentes.

O nosso grande país foi fundado sobre o princípio de que cada pessoa possui “di­reitos inalienáveis” “à vida, à liberdade e à busca da felicidade” e cada pessoa tem a responsabilidade de conservar estes direi­tos ao lançar o seu voto individual.

Os funcionários ou executivos do Governo dos EUA estão cometendo ilícitos criminais ao dirigirem ou conspirarem para lançar deliberadas campanhas de desinformação, omissões e mentiras des­caradas financiadas com os dólares dos nossos impostos.

Na questão da cannabis, Ronald Rea­gan, George Bush, e agora até Bill Clinton, têm desempenhado o papel do Rei. Poderíamos acrescentar que Nancy Rea­gan desempenhou o papel da maléfica e implacável Rainha de Copas da Alice no país das Maravilhas de Lewis Carroll, a qual decretou — “sentença já, veredito mais tarde!”

Os czares antidroga passados, Carlton Turner, William Bennett, Bill Martinez, Lee Brown, e o presente, general Barry McCaffrey,* têm desempenhado o papel de conselheiros do Rei, todos sus­tentando a falácia do “puro tecido que apenas os mais puros olhos conseguem ver,” o qual foi fabricado por Anslinger/DuPont/Hearst e os seus male­volentes burocratas. Os czares antidroga são agora apoiados por empresas de energia, farmacêuticas, produtores de bebidas alcoólicas e cervejeiras, profis­sionais de reabilitação e despistagem de drogas, polícias, guardas prisionais e construtores de prisões – tudo gente com amplos interesses financeiros em jogo e motivações dignas de um estado policial.

Quando funcionários do governo dos EUA agem ou conspiram deliberadamen­te desta forma — sejam eles o presidente, o vice-presidente, o czar nacional anti­droga, o diretor do FBI ou da CIA —, eles deviam ser presos. E, numa socieda­de americana honesta, eles seriam res­ponsabilizados pelos 14 milhões de anos a que já condenaram tantos americanos pelo “crime” de possuírem erva. 

As nossas burocracias federais e o Su­premo Tribunal dos EUA estão a retirar-nos rapidamente as nossas liberdades tal como elas são consagradas na Declara­ção dos Direitos (redigida em papel de cânhamo). O cânhamo/marijuana tor­nou-se o principal pretexto para nos se­rem retirados os nossos direitos cons­titucionais garantidos — mais do que to­dos os outros crimes, ações políticas, re­beliões, greves, levantamentos e guerras combinados dos últimos 200 anos! E a erosão de liberdades básicas é mais grave ainda nos nossos países satélites da América Central e do Sul, cujos líderes agem instigados pela América.

* A hora de irmos para o prelo (final de Março de 2001) a nova administração de George W. Bush ainda não empossara um novo czar antidroga para substituir o da administração Clinton. Nem sequer é certo que o faça, em cujo caso o ato significaria vontade de retirar ênfase à política de “guerra às drogas”, que está a sofrer enorme contestação. Seja como for, o mais forte candidato ao lugar é Jim McDonough, czar antidroga da Florida, estado de que o irmão de Bush é governador, um “duro” que propôs a erradicação da marijuana na Florida usan­do agentes biológicos, e incentivos financeiros para as empresas fazerem despistagem de drogas aos seus empregados-(N. do T.)

 

O OnJack publica, semanalmente, trechos da tradução do livro de Jack Herer, The Emperor Wears no Clothes.

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