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Apresentando: Negra Jaque

É com muita alegria e satisfação, que entrevistamos Negra Jaque, ativista e rapper de Porto Alegre. A MC que teve seu trampo, “Diário de Obá”, recém lançado, nos concedeu a honra dessa troca de ideias mais que necessária

por S. M. Hermes

Jaque, antes de tudo, muito obrigado por essa oportunidade e aprendizado. Agora, começando pelo começo, poderia nos fazer uma breve, ou não (rs), apresentação da tua história até o presente momento?

“Sou moradora do Morro da Cruz (periferia de Porto Alegre), ativista do movimento negro e movimento feminista. Também sou produtora da Feira de Hip Hop de Porto Alegre.

Comecei minha história no Hip Hop 2007, com o extinto grupo Pesadelo do Sistema. O qual recebeu premiações de dois festivais importantes da capital gaúcha. Em 2015, venci a Batalha do Mercado. Após esse prêmio dei início na minha carreira solo, gravando meu primeiro EP, o “Sou“.

Em 2018 foi lançado meu segundo EP, intitulado “Deus Que Dança”. Um álbum com composições próprias, várias parcerias e produção independente. Já meu mais recente trabalho é o “Diário de Obá”, lançado agora no início de outubro. A produção foi dos alunos do curso de Produção Fonográfica da Unisinos em parceria com a Sigmund Records.”

***

Agora partindo daqui pra um viés mais político e em relação a questão do proibicionismo, principalmente da Cannabis, seguimos à próxima pergunta:

Como tu observa os impactos das atuais políticas de drogas nas comunidades negras brasileiras, mais especificamente nas de Porto Alegre?

“Não existe política, existe repressão. As ações são direcionadas e planejadas pra áreas periféricas e onde estão localizadas a população negra. Porto Alegre vive essa realidade. Ainda hoje isso reflete o racismo estrutural diariamente. Perdi meu pai para o crack, sem um sistema com o mínimo de assistência.”

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Quando chegarmos, e a Cannabis for legalizada, quais tu acredita que sejam os benefícios em relação a violência imposta pelo Estado no combate a mesma?

“Proibir nunca funcionou em nada. A legalização possibilita uma discussão real e tira a ilusão de que o governo está fazendo algo eficiente. Além da diminuição do tráfico e do crime organizado. E um fator primordial, é a informação correta e a conscientização positiva nos espaços educacionais.”

***

Desde sempre a humanidade usa a arte como válvula de escape. Como tu vê a importância da música enquanto ferramenta capaz de aproximar os lados separados pela desigualdade social e a desinformação fomentada pela grande mídia e pelo Estado?

“A música aproxima, ela permite a consciência do nosso lugar no mundo. A arte como um todo é uma ferramenta de diversidade, socialização e empatia. Ela revela através de seus atores a situação atual e as reflexões sobre nossos posicionamentos.”

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Então Jaque, pra finalizar, fica aqui nosso espaço à tua disposição pra mandar um free, umas real, um salve, ou como tu entender que seja melhor, mais adequado, ou ambos (rs).

“Ah, gente! Trabalhar com arte nesse século é refletir a sociedade, é posicionamento, é esperança, compromisso com a reflexão e com amor ao mundo. Assim eu levo a cultura Hip Hop, buscando ser ética e expressar sentimentos. Plantando coisas boas e reflexões no mundo.”

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Negra Jaque se apresenta na noite do dia 25 (sexta-feira), no Espaço Cultural Escola Sesc, em Jacarepaguá, RJ. Durante a terceira do evento Mostra Nacional de Música, “que tem o objetivo de fortalecer e valorizar a diversidade musical brasileira, incentivar trocas artísticas e fomentar a circulação de músicos de todo o país”.

Fontes:

https://diariodovale.com.br/lazer/sesc-apresenta-a-terceira-mostra-nacional-de-musica/

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