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6 casos que envolvem tráfico de drogas e governos da América Latina

Países como Paraguai, Argentina, Venezuela, Colômbia e México já tiveram histórias de envolvimento de militares e autoridades públicas com tráfico de drogas, ou seja, isso não é novidade!

Na última terça-feira (25), um sargento da Aeronáutica brasileira foi detido no aeroporto de Sevilha, na Espanha, por transportar 39 quilos de cocaína em sua bagagem. Mas o caso não é o primeiro que vincula tráfico de drogas a militares ou autoridades públicas de países latino-americanos.

A Época listou outros seis:

1 – MILITARES E COCAÍNA — PARAGUAI:

O ditador general Alfredo Stroessner governou o Paraguai de forma absolutista entre 1954 e 1989. Durante seu regime, o Paraguai tornou-se o “hub” do contrabando na América Latina, envolvendo de cocaína a carros de luxo roubados.

O país contava com uma posição geográfica favorável para essas atividades ilícitas, por estar entre o Brasil e a Argentina, áreas com fronteiras pouco vigiadas.

Isso gerava situações insólitas, entre elas o fato de que nos anos 80 o Paraguai era o maior importador de uísque do mundo, embora fosse um de seus menores consumidores. Stroessner não se envergonhava do envolvimento ativo das Forças Armadas no contrabando. “Aaaahhh, bem….mas esse é o preço da paz!”, argumentava.

Diversas estimativas indicam que na época da ditadura strossnista o volume de contrabando enviado para fora triplicava o valor das exportações oficiais paraguaias.

Com a venda de cocaína e maconha, Stroessner comprava a lealdade de seus oficiais, muitos dos quais conseguiram vastas fortunas.

Uma das vítimas das drogas foi o próprio filho do ditador, Hugo “Freddy” Stroessner.

O ditador do Paraguai Alfredo Stroessner ao lado do ditador da Espanha Francisco Franco, 1973 Foto: Keystone / Getty Images
O ditador do Paraguai Alfredo Stroessner ao lado do ditador da Espanha Francisco Franco, 1973 Foto: Keystone / Getty Images

No entanto, alguns historiadores sustentam que a denominada “narcopolítica” teria se aprofundado com o consogro de Stroessner, outro militar, o general Andrés Rodríguez (1989-1993), que derrubou Stroessner e convocou as primeiras eleições democráticas em três décadas e meia.

Anos depois, em três telegramas do WikiLeaks, outro presidente paraguaio, Horacio Cartes (2013-18), aparecia como suposto envolvido em redes de tráfico de drogas.

Outro líder paraguaio apontado em diversas ocasiões como protagonista do narcotráfico era o general Lino Oviedo, que tentou golpes de Estado nos anos 90 e foi líder opositor após a virada do século.

Em 2016, segundo dados da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), o tráfico de drogas movimentava US$ 650 milhões anuais no Paraguai.

2 – MILITARES E COCAÍNA — VENEZUELA:

Nos últimos anos, diversas investigações da DEA e do FBI, junto com denúncias realizadas por ONGs na Venezuela, indicaram que parte da elite política do regime chavista em aliança com as altas autoridades das Forças Armadas desse país caribenho comandavam o tráfico de drogas. Na última meia década, devido à crise econômica — e ao crescimento da corrupção —, a participação dos militares teria aumentado nesse tráfico. Além disso, o Exército venezuelano tem contado com a ajuda da guerrilha colombiana do Exército de Liberação Nacional, que tem reduzido sua presença na Colômbia e aumentado seus acampamentos do lado da Venezuela.

Segundo as denúncias, a droga originalmente provém da Colômbia. Dali vai para a Venezuela, onde se organiza seu transporte para o mercado dos Estados Unidos e da Europa. As estimativas indicam que em 2018 um total de 240 toneladas métricas de cocaína foram transportadas da Colômbia para a Venezuela e dali para mercados externos (nos EUA, esse volume poderia render US$ 39 bilhões).

Diosdado Cabello, atual presidente da Assembleia Constituinte, e um dos homens fortes do regime, seria — de acordo com essas investigações — integrante do Cartel de los Soles, um grupo de narcotraficantes liderado por generais venezuelanos. Cabello retruca as acusações, afirmando que constituem um ataque contra a Revolução Bolivariana e “contra a pátria”.

Diosdado Cabello abraçado com o presidente da Venzuela, Nicolas Maduro Foto: CARLOS GARCIA RAWLINS / Reuters
Diosdado Cabello abraçado com o presidente da Venzuela, Nicolas Maduro Foto: CARLOS GARCIA RAWLINS / Reuters

Outra celebridade do chavismo, o ex-vice-presidente Tareck El Aissami, sofreu sanção do Departamento do Tesouro dos EUA por ser “supervisor” de carregamentos de narcóticos superiores a uma tonelada enviados da Venezuela.

Analistas afirmam que os altos lucros conseguidos pelos militares com o tráfico de drogas é um dos fatores que levam os generais venezuelanos a continuar dando respaldo a Maduro.

3 – SOBRINHOS PRESIDENCIAIS E COCAÍNA — VENEZUELA:

A própria família de Nicolás Maduro protagonizou tráfico de drogas. Esse foi o caso de dois sobrinhos do presidente Maduro e sua mulher, Cilia Flores: Francisco Flores de Freitas e Efraín Campos Flores (este último criado por Maduro como um filho adotivo). Foram pegos em novembro de 2015 por autoridades americanas no Haiti com um carregamento de 800 quilos de cocaína que seria transportado para o território americano.

Os advogados dos sobrinhos presidenciais tentaram alegar que não sabiam o que faziam. “São dois rapazes burros e novatos” foi a defesa para ambos. Mas a Corte do Distrito Sul de Nova York determinou 18 anos de prisão para os dois “narcosobrinhos”, forma irônica como foram chamados.

Os sobrinhos confessaram seus crimes, complicando o governo de seu tio. Mas Maduro quase sempre evitou falar sobre o assunto. Uma das poucas referências que fez foi afirmar que a prisão dos sobrinhos era uma “emboscada” do “imperialismo”.

Promotores de Justiça Federal em Nova York também acusaram de narcotráfico outros homens da alta hierarquia do governo, entre eles Néstor Reverol, que foi ministro do Interior e Justiça, e Edylberto Molina, vice-ministro do sistema integrado de Polícia. Os dois foram promovidos a estes postos depois que a Justiça dos EUA os acusou de tráfico de drogas.

4 – NARCOMALETAS E O GOVERNO KIRCHNER — ARGENTINA:

Narcomaletas foi o irônico nome com o qual em 2005 foi batizado o escândalo de contrabando de cocaína dentro de malas transportadas pela companhia aérea Southern Winds, subsidiada pelo governo do então presidente, Néstor Kirchner. O escândalo veio à tona quando as autoridades policiais descobriram o envio de Buenos Aires a Madri de quatro maletas com um total de 58,9 quilos de cloridrato de cocaína (avaliada na época em 1,5 milhão de euros).

Nestor Kirchner, então presidente argentino, e sua esposa e senadora Cristina Kirchner Foto: Horacio Villalobos / Corbis via Getty Images
Nestor Kirchner, então presidente argentino, e sua esposa e senadora Cristina Kirchner Foto: Horacio Villalobos / Corbis via Getty Images

O caso provocou a remoção do chefe da Força Aérea, o brigadeiro Carlos Rohde, além de parte da cúpula da Aeronáutica. O caso também causou a detenção de diretores da Southern Winds.

Meia dúzia de pessoas de confiança de Kirchner foram envolvidos no escândalo. No entanto, Kirchner protegeu todo o grupo, incluindo o polêmico secretário dos Transportes, Ricardo Jaime.

Esse foi apenas um dos vários escândalos nos quais Jaime se envolveu. Durante o governo Kirchner ele prosperou de forma exponencial. Enquanto nos anos 90 Jaime morava em um espartano apartamento em Río Gallegos, capital da província de Santa Cruz, feudo político kirchnerista, a partir da posse de Kirchner em 2003 o novo secretário enriqueceu. Jaime passou a residir em apartamentos de luxo em Buenos Aires, trajar elegantes ternos, usar carros caros e adquiriu um iate, além de ter contratado curvilíneas secretárias.

5 – O NARCOTRAFICANTE E SEUS PAQUIDÉRMICOS PETS — COLÔMBIA:

Em 1993, quando faleceu com um tiro no peito, o mais famoso narcotraficante da história mundial, o colombiano Pablo Escobar, deixou ao país — além do flagelo das drogas e das máfias — um problema adicional, de caráter ecológico: os hipopótamos.

Ao longo destes 26 anos eles se reproduziram (atualmente seriam mais de 50) e espalharam-se pela área rural. Os paquidermes transformaram-se em um perigo para os habitantes humanos (essa espécie é famosa por sua agressividade). Além disso, as autoridades consideram esses hipopótamos um perigo à biodiversidade colombiana, pois afugentam animais nativos.
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Esse país sul-americano, dessa forma, transformou-se no lugar com mais hipopótamos em estado selvagem fora da África. Para complicar, os animais, que pesam 3 toneladas e comem 50 quilos de grama por dia, destroçam os bosques colombianos.
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Nos anos 80 o Cartel de Medellín ganhava em média US$ 420 milhões por semana com o business da droga. Na época, segundo diversas ONGs, de 15% a 17% dos prefeitos colombianos recebiam propinas dos traficantes para não atrapalharem seu business.

6 – O CEO DA DROGA QUE VIROU GRIFE — MÉXICO:

Joaquín Archivaldo “El Chapo” Guzmán, ironicamente chamado de “O CEO da droga”, foi o chefe do Cartel de Sinaloa e o mais importante narcotraficante das Américas, superando o emblema do setor até tempos atrás, que havia sido o colombiano Pablo Escobar. “El Chapo” é alvo de 11 acusações de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e 33 assassinatos. Sua sentença, originalmente prevista para ser anunciada no dia 25 de junho, foi adiada para o dia 17 de julho.

Os especialistas consideram que ele foi o principal protagonista da onda de violência que assola o México na última década, quando desatou lutas mortais contra outros grandes cartéis de droga. Mas sua prisão teve um efeito pior, já que agora os diversos cartéis tentam aproveitar sua ausência para conseguir o predomínio, até porque os filhos do Chapo não são líderes capazes de manter o controle de suas estruturas.

Em 2015 ele fugiu pela terceira vez de uma prisão de alta segurança por um túnel de 1,5 quilômetro de extensão, em uma moto que havia sido instalada sobre trilhos. Do ponto de vista da implementação, havia uma vantagem: o túnel não tinha de ser muito alto e largo, já que o temível traficante tem apenas 1,55 metro de altura. “Chapo” é a forma abreviada de “Chaparrito’, gíria mexicana para baixinho.

Joaquín 'El Chapo' Guzmán é escorado por soldados na Cidade do México no dia 8 de janeiro de 2016 Foto: EDGARD GARRIDO / REUTERS
Joaquín ‘El Chapo’ Guzmán é escorado por soldados na Cidade do México no dia 8 de janeiro de 2016 Foto: EDGARD GARRIDO / REUTERS

Nos últimos tempos, “El Chapo” reclamou das condições da cela em Nova York, afirmando que os cães dos guardas latem muito. Além disso, protesta pela falta de autorização para receber visita com o objetivo de relações sexuais. Neste período também reclamou que lhe servem pouca comida, embora esteja roliço.

Enquanto isso, a família do Chapo se expandiu para outro business, buscando a diversificação. A mulher e os filhos conseguiram do Instituto Mexicano da Propriedade Industrial a autorização para 24 tipos diferentes de marca para comercializar produtos que recordam o traficante. Foram autorizadas joias, maletas, brinquedos, guarda-chuvas e enfeites para árvores de Natal. A marca “El Chapo Guzmán” está em roupas e calçados. A marca “El Chapito Guzmán”, em roupas infantis. A marca “Don Chapo Guzmán” batizará uma tequila  (essa foi conseguida por pessoas fora da família).

Segundo a atriz Kate del Castillo, que entrevistou “El Chapo” quando ele estava na clandestinidade, o traficante mexicano “sabe muita coisa sobre vários políticos mexicanos”.

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