V Ciclo de Debates Antiproibicionista! [REeDUcaÇÃO #50]

REeDUcaÇÃO

hempadao 23 março, 2014

Imag.01Por Anna Rodrigues

Salve,salve galera! Coisa feia da minha parte , um post por mês, volta as aulas, carnaval, doença, organiza isso, se compromete com aquilo Ajah pique para continuar uma rotina normal,porém estamos de volta! Espero que todos estejam bem,curtindo a vida com os objetivos da redução de danos e tudo mais!

Hoje venho aqui conversar sobre o V ciclo de debates antiproibicionista, promovido pelo coletivo Cannabis Ativa, que rolou semana passada na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.Com a temática: Drogas,Diversidade e globalização : A legalização que queremos. Foi uma semana de debates com mesas redondas, palestras, conferências e oficinas. Como a maioria dos coletivos e marchas da maconha que conheço,o borbulho se inicia nas universidades,e nosso coletivo não é muito diferente,formado exatamente por estudantes e professores da UFRN,esse ano o ciclo foi de extrema importância. Principalmente pelo momento que o Brasil se encontra , fomentado cada dia mais o debate sobre a legalização e regulamentação de nossa querida Ganja.A pedido do diretor do Centro de Ciências Humanas Letras e Artes (CCHLA) Herculano Campos,a mesa de abertura foi voltada para uma conversa sobre a utilização da cannabis no setor de aulas II. Mesa essa que também contou com a participação da Pró-Reitora de Assuntos Acadêmicos Janeusa Trindade. Logicamente deu o que falar,a mídia foi até bacana ao tentar não transparecer idéias miraculosas sobre a temática, porém não muito longe do que o juiz Marco Bruno Mirando e também professor da Universidade postou em seu Twitter .

Infratores da lei, pode até ter seu “fundo de verdade”,mas,muito além disso, os estudantes do setor II e não só desse setor, são cidadãos, usuários, Humanos, formadores desse universo político do qual todos fazemos parte. E a Universidade ao abrir o diálogo para tal demonstra que o mundo não está perdido, e que é necessário mudar,e para isso é necessário se pensar! E é lá na universidade, espaço de construção e desenvolvimento de senso crítico que se deve fomentar isso! Até porque democracia se faz com participação, eu aprendi que para a lei ser vigente, é fundamental se ouvir todas as partes, logo a colocação de Bruno nos diz que esses alunos estão fora de seus direitos, e não deveriam então ser ouvidos? Mas isso aqui não é o foco principal,apenas algo que não deve deixar de ser comentado,pois mostra o quanto ainda é longa nossa caminhada.

Imag.02A conferência de abertura foi com o professor e médico Dr. Carlini, que levantou a questão “ internação compulsória para dependentes de crack, solução ou engano”. Carlini elencou três pontos de como o combate ao crakc em são Paulo tinha sido ministrado nos últimos anos; primeiramente como a violência policial intervia e não solucionará o problema,depois como e quando os dependentes foram vítimas de internações de maneira compulsória, algo que também não foi positivo ao que o Estado esperava.Terceiro,ressaltou o projeto consultório de rua, como uma das ferramentas de solução altamente eficiente,além de nos noticiar sobre o projeto do prefeito Haddad.Noticias essas, altamente prazerosas de serem ouvidas,pois saber que realmente estão tratando como respeito,gente que sempre foi gente,independente de vícios ou virtudes,é ter a esperança que a política de redução de danos é a base para solução das recorrentes problemáticas da temática quem questão.

No segundo dia pela tarde, realizou-se a mesa redonda: “ o proibicionimo e a legislação’’, com participação do nosso vereador Hugo Manso e meu grande amigo Heros Henrique, futuro gestor de políticas públicas,policial militar,e forte militante da causa.A mesa levou-me a um pensamento um tanto inocente para quando vamos dialogar com questões de politicagem, no caso, essa parte legal, iria um pouco além de prerrogativas partidárias.Por mais complicado que seja nosso legislativo, que diversas vezes nos parece mais retroceder À democracia do que ajudá-la em sua autenticação, essa questão de legalização é “apenas” uma falta de MILITANCIA! Sem desmerecer todo o crescimento , desenvolvimento e lógico vitorias dos últimos ano.Todavia, vou lhe fazer duas perguntinhas : Todos os seus amigos que fumam maconha,vão a marcha? Você, vai a marcha?! Como Heros colocou na mesa,a nossa janela de oportunidade¹ está nessa indagação,será que não é claro que só falta-nos força para demonstra que essa demanda deve estar na agenda governamental!? Projetos como o de Jean Wyllys ² só serão aprovados,quando mostrarmos nossas caras!

Pela noite, a palestra foi com o prof. Leonardo Martins , (Dep.de Direito UFRN) ,que nos levou a uma questão super interessante: – o direito, do direito, de proibir.Essa proibição então se encontraria aparada pela nossa Constituição Federal por questões de Moralidade, Proteção a infância e Juventude, Proteção contra si Próprio e saúde pública. Paremos dois segundos para pensar, -se esses argumentos são o que afirmam a motivação da proibição, então seria ao meu ver,a mesma que também poderia nos levar a não proibição.O ministério da saúde deveria então diagnosticar se essas quatro colocações realmente estão sendo efetivas perante o sistema proibicionista.

Imag.03No último dia no período da tarde a mesa “ Política de saberes e políticas de drogas:Um diálogo necessário.“Que foi ministrado por Leilane Assunção,professora, doutora, integrante do coletivo cannabis Ativa, e referência na discussão LGBT e de drogas no país.Junto com Wagner Coutinho que é secretario da ABESUP ,teríamos Geraldo Santiago que é o advogado da marcha do Rio,porém ele ficou com dengue e não pode participar (melhoras). Infelizmente Nesta mesa não estive presente,pois não consegui chegar a tempo,porém estamos editando os vídeos e posteriormente divulgarei por aqui.

Pelo turno da noite ,a conferência de enceramento ficou com o Prof. Edward MacRae, ”Usos políticos da proibição da Cannabis no Brasil” .Edward nos contou sobre a história da proibição da cannabis no Brasil, de como ela foi proibida primeiramente em nossa país e depois nos EUA,mas levantou principalmente a questão de como a mudança na lei 11.343/06 ³, influência no caminhar da descriminalização para classe média, porém estaria sendo um retrocesso para com a relação do aumento da criminalização da pobreza no Brasil.

A forma como a política é efetuada só faz com que nossas periferias continuem a sangrar o que nos leva ao ponto que comentei acima, na palestra do Prof. Leonardo Martins.A indagação que o ciclo deixou-me é: – já que é proibido pois se deve proteger a nossa juventude,como se pode ser legal a definição atualmente de proteção? Aonde jovens negros(as) são postos em “ratoeiras” nada convencionais, para uma então “reabilitação social”!

No último dia, rolou a oficina de maricas, além claro de ter sido o dia da poesia, então para terminar o post de hoje, um verso :

“Debater Cannabis não é apologia,
Isso meu caro,se chama democracia!
O natural do meu quintal,
Não sabes seu pardal,
É a cura da sua doença,pois
Sociedade de verdade ,
Não se constrói apenas com politicagem.
Não tenha medo da luta,
vamos para rua!
As marchas da maconha estão chegando,
E eu vou meu beck bolando,
Por um nova política de drogas,
a fumaça vou soltando. “

¹ -Jonh Kingdon .Agendas,alternativas e políticas públicas.

²-http://jeanwyllys.com.br/wp/wp-content/uploads/2014/03/SISTEMA-NACIONAL-DE-POLITICAS-PUBLICAS-SOBRE-DROGAS_versao-final_18-03-2014.pdf

³-http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11343.htm



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