Uma visão sem paradigmas

Portas da Percepção

hempadao 27 fevereiro, 2015

Salve galera,

Hoje estreia um novo colunista aqui no Portas da Percepção! Trata-se do Filipe Puga. Espero que curtam os textos do novo colunista – já adiante que o material está muito massa! Eu, Fernando Beserra, continuarei escrevendo na coluna – como faço desde o início da mesma. Em breve mais novidades aqui no Portas da Percepção.

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Aproveito o momento para formalizar o agradecimento ao antigo colunista Jean Lefèbvre que deu grandes contribuições não apenas a esta coluna do Hempadão, mas a comunidade de psiconautas. Nosso lema segue o mesmo: informação, redução de danos e política de drogas sobre psicodélicos! Sem mais delongas, segue o texto! Não deixem de curtir o Portas no Facebook: https://www.facebook.com/portashempadao?fref=ts

Nas grandes e pequenas cidades a busca por diversão, novas sensações, e aventuras pelos jovens vem crescendo, a facilidade em se organizar encontros e obter drogas e álcool é um dos fatores que ajudam o crescimento dos casos de acidentes no país. Pais e filhos não conseguem se entender e a falta de união entre as famílias também contribui para alguns tristes acontecimentos relacionados a festas e drogas. Especialmente as festas eletrônicas, popularmente chamadas de “raves”, são consideradas incentivadoras para o acontecimento desses fatos.

Seria somente as drogas a causa principal desses tristes acontecimentos? ou o mal uso delas? ou a falta de informação sobre o que as pessoas estão ingerindo? O que para muitos é apenas diversão é levado a sério por pessoas que se interessam em conhecer a origem, e como isso se tornou tão comum ultimamente, e como pode afetar a vida humana tendo em mente que uso de drogas é normal em diversos países por pessoas que também trabalham, estudam, e vivem normalmente com amigos e familiares.

Um estudo dirigido por Charles S. Grob diretor da divisão de psiquiatria infantil e adolescente no centro médico da universidade UCLA em Los Angeles do EUA, vem desenvolvendo uma terapia com o uso do MDMA (metilenodioximetanfetamina) o princípio ativo do ecstasy, em pessoas autistas, o objetivo do estudo não é tornar as pessoas autistas em pessoas não-autistas, mas sim poder tratar a ansiedade social esmagadora, trazer uma vida melhor e tranquila para que elas possam viver normalmente aprendendo e se desenvolvendo como qualquer pessoa não-autista.

Na década de 1950 pesquisadores já exploravam como o MDMA e o LSD eram extraídos da natureza e também suas aplicações clínicas, e com o desenrolar dos estudos ficaram espantados com a maneira que as propriedades dessas substancias alteram a mente humana, e como poderiam ajudar a tratar condições psicológicas como depressão, ansiedade e até mesmo a esquizofrenia.

Na década de 1960 começava uma nova perspectiva sobre as substancias psicodélicas e como elas se tornaram a vanguarda do movimento de contracultura, que estava varrendo o mundo ocidental na época. As pessoas estavam entendendo como o governo estava usando elas na guerra e nas demais situações do dia-a-dia, então começaram tomar uma posição contra isso, mais especificamente contra guerra do Vietnã. Por isso, não demorou muito até que o “Ato de substâncias controladas” foi aprovado em 1970 nos EUA, colocando a maioria dos psicodélicos sob estrito controle, juntamente com a mídia que exibia somente conceitos ruins sobre o assunto, e dessa maneira a pesquisa sobre substancias psicodélicas foram silenciadas nas próximas décadas.

Atualmente as pesquisas com essas substancias que são encontradas em diversas plantas e fungos da natureza estão voltando gradativamente e procurando obter financiamentos, afim de conhecer os benefícios terapêuticos e medicinais de várias substancias psicodélicas como ibogaína, ayahuasca, mdma, lsd, cannabis entre outras. Já foram encontrados resultados notáveis no tratamento com ibogaina e ayahuasca no vício de outras drogas como heroína e cocaína. Também foi comprovado como o uso de formas concentradas da cannabis pode erradicar o câncer e outras doenças fatais.

Todas essas pesquisas nos levam a pensar em como a natureza já poderia ter criado varias ferramentas para problemas da humanidade. Os próximos anos irão mostrar a capacidade curativas dessas substancias. O público que sempre ligou drogas a mortes e coisas ruins poderão entender os benefícios a saúde, e também entender melhor como essas substancias são adulteradas, afim de se obter mais dinheiro com o tráfico.

A venda de outras substancias se passando por ecstasy ou lsd, ou mescla de substancias mais baratas, que também geram efeitos no sistema nervoso central vem gerando problemas. Tais substancias podem sim ser fatais ao corpo humano quando usadas em excesso, pessoas com pouca informação chegam com o intuito que tudo será perfeito e agradável após o consumo, porém esquecem-se de verificar o que realmente estão tomando. A busca é tamanha que se encontrou uma maneira muito lucrativa com a venda de psicodélicos, sendo vendidas para as pessoas substancias de péssima qualidade e muito perigosas a saúde.



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