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Hemportagem

hempadao 22 junho, 2013

texto e foto Lissandro Garrido

Cheguei no IFCS por volta das três horas da tarde. O clima entre os manifestantes era de paz. Notei a presença de alguns partidários, tinham muitas bandeiras. Confeccionaram cartazes e saíram de lá para se juntar a outra parte da manifestação que estava na Candelária. Não tenho certeza, mas acredito em 1000, 2000 pessoas no IFCS (sou ruim em contas, me perdoem).

Notei umas pequenas confusões durante a manifestação, mas nada que perturbasse a paz em que o manifesto se encontrava. Até a chegada na Prefeitura tudo conseguiu fluir bem.

 

A Prefeitura estava cercada pela Polícia Militar com cachorros na parte interna.  Na parte externa, a Polícia Montada fazia uma fileira para impedir que a manifestação entrasse na Prefeitura. Ali, todos ficaram parados cantando o hino nacional, palavras de ordem e alguns passavam com cartazes na frente da Polícia Montada que permanecia parada somente observando. Notei que duas pessoas que estavam na frente da manifestação perturbavam os cavalos da polícia. Pareciam bêbadas e tinham um comportamento completamente contrário ao dos outros que solicitavam aos rapazes bebuns que deixassem a manifestação permanecer em paz. Um deles, não satisfeito em encher o saco dos outros manifestantes que seguiam em harmonia, resolveu começar a arrumar confusões com os próprios manifestantes.

Era visível que ele não estava em condições alguma de manifestar e não tinha nada a ver com o clima de tranquilidade dos outros que pediram por diversas vezes que ele parasse com aquele comportamento (Coisas bem chatas mesmo, como dar socos no ar, avançar nas pessoas, atiçar o cavalo dos policiais). O pessoal cercou ele e começou uma confusão por causa da conduta estranha do rapaz.  Eram aproximadamente cem pessoas batendo nele.

Neste momento, o clima já estava bem tenso com os bebuns na frente. De repente, só vi pedras e morteiros sendo jogadas na Prefeitura. A galera parou tudo e começou a pedir paz, mas, o bicho pegou. A Polícia avançou com cavalaria e os policias que estavam dentro da Prefeitura começaram a jogar bombas de gás na multidão. Não teve jeito, a confusão ferveu.

Fiquei o tempo inteiro entre a Polícia e a multidão, junto com vários outros fotógrafos e um grupo de médicos voluntários. A coisa não melhorava e a Polícia começou a gritar “Choque, Choque, Choque”, quando surgiu o BOPE com seus escudos e policiais de fuzil na mão avançando na multidão que continuava jogando pedras e morteiros. A manifestação já tinha se dispersado e voltado para Presidente Vargas, em sentido à Candelária, mas o grupo de pessoas que atacava a polícia ainda era muito grande e se misturava aos manifestantes que permaneciam no local pedindo paz.

 

Com a chegada do Batalhão de Choque, a Polícia começou a encurralar os manifestantes e cercar as ruas da cidade, o tempo inteiro utilizando bombas de gás, tiro de borracha e bombas de efeito moral.  Esse grupo continuava a revidar contra a polícia, que permanecia avançado e empurrando os manifestantes de volta para a Candelária, tentando dispersar a multidão.

Durante este tempo, uma minoria começou a queimar placas, lixos, arrastaram grades de ferro para tentar conter o avanço da polícia.

Neste momento, a Polícia já tinha ultrapassado a altura do Terreirão do Samba e os Bombeiros apagavam o fogo. Saí de lá e fui em direção a Lapa encontrar alguns amigos achando que a noite tinha terminado ali. Lá, ouvi pessoas relatando ataques da polícia em restaurantes na Riachuelo e na Mem de Sá. Logo em seguida, vi uma correria na Mem de Sá de pessoas que vinham dos Arcos da Lapa gritando que a polícia havia cercado o local. Relataram ainda que eles atacavam com gás. Meus amigos e eu subimos para o segundo andar de um bar e só saímos de lá quando percebemos que os carros do Batalhão de Choque deixaram o local. Por onde passavam, recebiam vaias e chegaram até a apontar suas armas para as pessoas na rua.

Esta foi apenas uma das partes que vi, não posso dizer de tudo. Mas observei muitos pedidos de paz, muita gente cantando, pessoas que saiam do trabalho dispostas a aderir à manifestação, vi mães também, uma até com seu filho no colo, enfim, pessoas que queriam lutar por seus direitos sem violência. Infelizmente, um grupo pequeno não veio com a mesma intenção.

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