Tiemi, 26 anos, PR [Candidata 026 – Miss Marijuana]

Miss Marijuana 2013

hempadao 21 novembro, 2013

1) Nome, idade, estado onde mora.
Tiemi, 26 anos, Paraná.

2) Por que você acha que a maconha foi proibida?

Apesar do uso e comercialização da maconha ter sido encaixado constitucionalmente como um crime contra a saúde pública, acredito que sua proibição esteja muito mais vinculada a aspectos políticos e econômicos – e que tem na indústria farmacêutica sua principal beneficiada. Além disso, acredito que há um grande fator moral que levou à proibição da maconha. O fato de vivermos em uma sociedade de consumo, visceralmente capitalista, contribui com a valorização de um tipo de sujeito: o sujeito produtivo. No entanto, o errôneo estereótipo criado a respeito dos usuários de maconha (“vagabundos”, “drogados”, entre outros) vai contra esta ideia e, entre outros efeitos, acaba por criar uma moralidade indissociável à legislação que condena seu uso.

3) Trabalha ou estuda? Qual sua área de atuação?

Sou antropóloga e pesquiso a participação indígena em instituições do Estado brasileiro

 

4) Qual a sua opinião sobre a legalização da maconha no atual contexto político-social nacional?

Sou a favor da legalização e descriminalização tanto do cultivo, quanto do uso. Atualmente, vemos que a criminalização da maconha produziu não apenas uma política antidrogas repressiva, que segue as linhas mestras da norte-americana, mas também um julgamento moral sobre seus usuários, indissociável de tais leis. Contudo, iniciativas tal como a do nosso vizinho Uruguai, vem despertando o interesse de diferentes setores da sociedade brasileira e mostrando que existem alternativas possíveis. Penso que a difusão da cultura cannábica e a militância a favor da legalização são essenciais para que os preconceitos sejam superados e ocorra uma mudança significativa na legislação nesse sentido. Também vale lembrar que a proibição da maconha ocorreu em tempos relativamente recentes, e que seu uso era amplamente difundido (e não problemático) nos séculos passados entre grupos ameríndios, de escravos e de colonizadores que vieram para o Brasil.

5) Como você gosta de gastar a onda?

 

Se estiver sozinha, eu gosto de gastar minha onda curtindo um bom som em casa. Quando com meus amigos e amigas, a melhor coisa a fazer é trocar idéias. Sempre surgem umas geniais – como a ida à cachoeira que originou as fotos do concurso.

6) Uma boa música para ouvir chapada:
Um reggae jamaicano safado. The Gaylads – I Love the Reggay

7) Por que você quer ser a Miss Marijuana 2013?

Eu quero ser a Miss Marijuana 2013 porque nunca usei um vaporizador. Além disso, acho super importante apoiar iniciativas que valorizam a comunidade cannábica, tal como o concurso. Na verdade, já que a ideia do concurso é desconstruir paradigmas… Deveria haver um concurso de Mister Marijuana também!

8) Qual sua opinião sobre as outras drogas?

Eu acho que o uso, produção e comercialização de drogas lícitas e ilícitas devem ser colocadas em debate com a sociedade, e não apenas serem reguladas por critérios externos – que vem de governos, interesses políticos, e fatores econômicos. Também acho que enquanto tratarmos “as drogas” de forma reificada, dividindo-as apenas entre “lícitas” e “ilícitas”, e não atentarmos para as singularidades e potencialidades de uso de cada uma delas (positivos e negativos), este debate estará imensamente prejudicado

9) Se pudesse escolher, moraria no Uruguai, na Holanda ou prefere esperar o Brasil legalizar?

Eu vejo o Uruguai como um país extremamente interessante não somente pelas suas recentes determinações legais sobre a maconha (que vão além da legislação holandesa), mas também por regulamentar temas bastante polêmicos, como o abordo e casamento homossexual – os quais sou completamente a favor. No entanto, sou brasileira, e vejo que é meu dever contribuir com a luta para a descriminalização da maconha no meu país, junto com as demais pessoas que pensam como eu.

10) Há quanto tempo acompanha o Hempadão e o que mais gosta no blog?

Conheci o site há cerca de dois anos através de um colega que pesquisava a Marcha da Maconha. Desde então comecei a ler as reportagens e a “fuçar” o conteúdo sempre que possível. Eu adoro a seção Google Street Fire, um dia vou dar minha contribuição. E também sempre leio as matérias políticas divulgadas através do Hempadão que falam sobre a questão da legalização no Uruguai e no Brasil.

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