Tenhamos Classe?! [Reeducação #56]

REeDUcaÇÃO

hempadao 29 outubro, 2014

por Anna Rodrigues

Iaê galeraa, como está essa vibe vida? Esses dias estava refletindo sobre nossa diversidade cultural e como as drogas interagem quando essa temática é colocada entre classes econômicas. Acredito que seja interessante observar como a política de drogas comunica-se com essas diversas instâncias sociais que acabam segregadas pelo poder do dinheiro. No caso, acredito que o debate fique em torno de como a política de redução de danos poderia modificar a forma como lidamos com a questão das drogas e como isso iria se modificar dentro das classes "x" ou "y" responsáveis cada uma por um momento da organização do tráfico.

Primeiramente vamos refletir sobre o meio que estamos presentes; “Eu” como usuário de substâncias psicoativas que tenho acesso a informações sobre o que a de mais moderno em torno desse debate, tenho que tipo de comportamento para com a forma como tenho aquisição a essas substâncias? Planto, compro, repasso, vendo, essas atividades são rotineiras quando vamos conversar sobre drogas, mas e ai? Só sobre elas? Situações que nos fazem ter a ação de se relacionar e se conectar a esse mercado direta ou indiretamente, estão rotineiramente em nossas vidas.

Estou tentando relacionar ao que Ruggiero e Souht colocaram como “cidade como bazar” que no caso, é o que vemos todos os dias, principalmente nas grandes capitais. Seria a descrição “ tranquila” e rotineira existente entre a relação das pessoas com o comércio ilegal, informal e ilícito, que desenvolve desde da década de 80 o desenho das estruturas sócias e urbanas de uma cidade.

A situação é comum, todavia a problemática nasce quando a sociedade e o Estado acabam por “virar as costas” para esse comércio dos ilícitos (no caso das substâncias psicoativas), pensando que assim ele deixará de existir. Várias políticas foram desenvolvidas para combater o consumo das drogas, mas até pouco tempo nenhuma tinha sido verdadeira o suficiente para assumir que elas jamais deixarão de existir.

Com isso, não é difícil observar que formamos cenários urbanos classificados por rendas econômicas e assim, por um momento da relação de venda/consumo desses ilícitos. É claro que o debate aqui descrito sobre o tráfico é genérico, pois para associar todas essas classes se faz necessário um estudo mais profundo da forma como essas substâncias se colocam pelo mundo. “É uma rede entre Estados, empresas de tráfico, redes bancárias, grupos armados, pequenos produtores agrícolas e outros grupos sociais. É muito difícil encontrar um País que não esteja envolvido de alguma forma com a teia de poder do tráfico de drogas ilícitas.” ¹

Pensando em diminuir as diferenças entre essas classes, melhorando a qualidade dos produtos e da forma de consumo, penso que a política da redução de danos tem a oportunidade de adentrar essa situação e tentar modificar essas relações. Sem incentivar o consumo e o comércio, apenas propagando conhecimentos que são necessários para que se respeite as culturas das drogas e assim seu mercado.

Ao meu ver, a primeira “regra” da "RD" é conhecer a si mesmo, acredito que aqui se coloque uma questão de caráter e sinceridade para com você e com o próximo. Em seguida, é conhecer a sustância com a qual você deseja ter sua experiência, seja vendendo ou consumindo. Ter conhecimento sobre a droga faz com que sua relação seja potencializada e você minimize todos os danos que ela poderá lhe causar, seja psicologicamente, economicamente e/ou socialmente.

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Dessa forma, já que na Lei Brasileira não é existente um aparato legal para o consumo e venda dessas substâncias, porém as pessoas não deixam de utiliza-las, o que se deve trabalhar são as formas de retirar o lado “negro” dessa relação. Lógico que isso não é tão simples, todavia se cada um fizer sua parte, e as redes começarem a interagir como irmandades, colaborando uma com a outra, sem preocupações superficiais de poder, as classes sócias que o sistema tenta tanto torturar serão mais fortes, e assim seremos reais cidadãos da Terra.

¹ Rui Ribeiro de Campos/ Geografia política das drogas ilícitas.



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