Sou Maconheiro e Não Quero Sair Dessa!

Caos in Casa

hempadao 25 junho, 2013

Relato de um leitor enviado para redacao@hempadao.com

Aqui quem vos fala é o seu amigo “Farofa”. Comecei a fumar quando tinha 18 anos, na saída do trampo com um colega de trabalho. Depois que experimentei, soube que passaria o resto da minha vida na companhia da erva.

Sempre tive uma relação muito aberta com os meus pais. Fumo escondido deles há um ano e meio e sempre foi muito ruim ter que esconder. Eu ficava imaginando como seria a reação deles. Minha mãe nunca aceitaria, já que ela teve uma criação muito católica e fumar maconha, pra ela, sempre foi coisa de ‘marginal’. Meu pai eu não sabia. Ele é um cara legal, mas cheio de preconceitos.

Um belo dia que fui bolar um, abri meu kit e reparei que tinha perdido um dos meus pacotes de seda (sei lá, numa sequelada). Aí eu pensei comigo mesmo que a ‘casa tinha caído’. Depois de tanto procurar, achei melhor deixar pra lá, pois já tinha uma ideia do que falar caso a minha mãe encontrasse, já que já tinha dado pala e me saído com algumas desculpas. Lá no fundo, acho que ela já desconfiava, mas não queria acreditar.

Passaram uns dias, então liguei pra minha mãe. A voz dela no telefone estava séria e disse que queria conversar comigo quando chegasse em casa.. Eu já sabia o que era e resolvi explanar pro meu pai. Ele me ouviu numa boa, mas assim que eu acabei de falar, ele veio com um monte de discurso proibicionista, dizendo que a maconha era porta de entrada pra outras drogas, que eu ia me envolver com traficante e morrer, que ninguém na família tinha histórico com droga. Tentei argumentar, mas foi inútil. Preferi ficar calado porque eu ia ouvir menos. A pior coisa foi quando ele veio me dar um abraço e disse no final “Você vai sair dessa meu filho”. Isso me fez desabar. Como assim "sair dessa"?! Sou algum delinquente?! Eu comecei a trabalhar por vontade própria aos 18 anos, faço faculdade e há umas duas semanas atrás eu passei em primeiro lugar num processo seletivo de estágio de uma média de 50 candidatos, para 3 vagas ofertadas.

Minha mãe veio, disse que encontrou uma baga enrolada no papel do lixeiro e que sabia que era minha, pois já tinha encontrado uma vez e eu tinha jogado um migué. Eu preferi abrir o jogo. Ela me ouviu. Eu disse que não afetava a minha vida, mas mesmo assim, ela estava muito triste e pediu pra eu parar. Eu menti, disse que ia parar.

Tenho uma ótima relação com os meus pais, mas é uma pena que eu tenha de mentir, porque a criação que eles tiveram foi essa, e não vai ser agora que eles vão mudar de ideia. Enquanto isso, a fumaça continua subindo só que agora me ligando mais nas coisas pra não dar pala.



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