Salvia divinorum: entrando no Multiverso! [Portas da Percepção 456#]

Portas da Percepção

hempadao 9 dezembro, 2017

A planta Salvia divinorum pertence à família das Labiatae (mais recentemente denominada Lamiaceae), i.é, a família da menta, que contêm os diterpenóides salvinorina A e salvinorina B, sendo o primeiro o seu principal princípio ativo. Ela era usada, tradicionalmente, na região de Oaxaca na América Central. Os xamãs/curandeiros na região do México usavam da S. divinorum por meio da mastigação ou de infusões com água. J.B.Johnson, primeiro antropólogo que observou o uso dos fungos enteogênicos no México em 1938, mencionou a existência de uma infusão visionária preparada com folhas nomeada de “erva Maria”; Bas Pablo Reko coletou mostras de folhas usadas em adivinhação na zona mazateca. Segundo Ott (2004) outra grande descoberta foi a de Robert Weitlaner, em 1952, de cerimônias de cura onde era utilizada a “erva de Maria”. O estudo se ampliou a partir da expedição realizada em 1962 por Robert Gordon Wasson e Albert Hoffman. Na década de 80, Ortega e colaboradores conseguiram isolar das folhas de Salvia divinorum um composto ativo ao que denominaram “salvinorina”, sendo conhecido hoje como principal princípio ativo da Ska-pastora (Salvinorina A e B), uma das denominações da S.divionrum.

por Fernando Beserra

Em 1962, R.G. Wasson resumiu suas descobertas sobre a etnofamarcognosia da Salvia divinorum na zona mazateca do México. O nome mazateca, erva Maria, mostra sua influência católica, embora a Maria bíblica não tenha sido uma pastora nem figura pastoreia na iconografia católica. Os mazatecas empregavam três principais plantas psicoativas como parte de suas práticas espirituais, como os cogumelos com psilocibina/psilocina; a Ipomoea violácea e a Salvia divinorum (CASSELMAN et al., 2014). O uso da Salvia d. ocorria ligado, primariamente, a cerimonias de cura e divinatórias (LUZ, 2015). Quando participou de uma cerimônia, em 1973, Dias (2013) narrou que foi orientado pela xamã a cantar a voz da planta. Enquanto Dias passava pela experiência, a xamã Doña Julia cantava – em uma das línguas mazateca, um impactante som, que incluía o verso abaixo:

Vento da casa Mazateca!

Vento do precipício!

Deixe-os passar bem em seu caminho.

Que o sol se levante bem e proteja você

Enquanto você viaja nas ravinas

Na descoberta da Pastora.

Deus está nos criando!

A Ska-pastora foi estudada por Wasson que a considerou a antiga pipiltzintznli dos astecas, uma importante planta deste povo, utilizada de forma religiosa e divinatória. Além disso, foi conjecturado por Emboden (apud OTT, 2004) que a S. divionorum estaria representada e relacionada a um deus da morte em um painel no Dresden Codex maya.

Considerados por alguns como um enteógeno menor, por outros como o enteógeno par excellence (BIGWOOD, 1978), a Salvia D. permanece como uma substância misteriosa. Foi chamada também, por Diaz (apud OTT, 2004), junto as Cannabis e a Calea zacatechichi de Onirógena, ou seja, produtora de sonhos. Mais do que a Cannabis, parece que a divinorum merece a classificação. Apesar desta tentativa de classificação do Diaz, menos popular, não me parece haver dúvida de que a Salvia divinorum é um psicodélico, isto é, uma substância que promove a manifestação da alma (do inconsciente), mais particularmente do inconsciente coletivo, de uma forma mais radical que a maior parte dos psicodélicos e, portanto, de mais difícil interação e integração. O Erowid, sabiamente, classifica como psicodélico atípico.

O nome desta incrível planta foi dado, na ciência ocidental, por Epling e Jativa em 1962, das plantas trazidas por Hoffman e Wasson. A pequena popularização do uso social da Salvia divinorum, recente historicamente, foi mais associada a experiências muito intensas com extratos de S. divinorum potencializados (5x, 10x, 25x, etc.). Ott (2004) relata o início do uso fumado da Salvia d. por usuários de Cannabis em meados da década de 1970. Tal uso cresceu e se tornou o principal uso da Salvia d. na cultura ocidental contemporânea, isto é, o uso da planta de forma tradicional, mascada, é algo ainda mais raro que o uso da Salvia d. O uso tradicional, mascado, de forma distinta, apresenta experiências menos agudas e impactantes e se assemelha, até certo ponto, ao efeito da Cannabis sativa. Já o uso fumado, em extratos potencializados, leva de fato a experiências bastante impactantes do ponto de vista senso-perceptivo. Tais experiências têm duração curta, em média 15 minutos, enquanto no uso mascado o efeito se prolonga, em média, de 1 a 2 horas.

Os efeitos da divionorum são bastante singulares. O seu uso em extrato tem diversas características psicodélicas e varia profundamente de acordo com o usuário/set, com o ambiente de uso (setting) e com a dose e forma de uso. A experiência envolve desde alterações bruscas ou sutis na senso-percepção ou a emergência de imagens eidéticas, vividas internamente, mas que chegam a ser sentidas como profundamente verdadeiras. A atenção, memória, forma e conteúdo do pensamento, afetos, todos se alteram de forma análoga, embora não idêntica, a outras substâncias psicodélicas. De acordo com Pedro Luz (2015, p.146) a sally-d promove: “visões, experiências extracorpóreas, viagens astrais, ubiquidade, audição de vozes, inabilidade para controlar os movimentos, paralisia parcial momentânea e transe”. Alguns usuários sentem que durante o uso da S. divionrum o usuário tem a experiência do ego (eu) e da vontade menos presentes que em outros psicodélicos, isto é, se perde mais o controle da experiência e alguns são arremessados em um mundo significativamente distinto da realidade ordinária. Tal enfraquecimento do complexo egoico (abaissement du niveau mental, retomando o conceito do psiquiatra francês Pierre Janet) não chega a ser semelhante aos efeitos neurotóxicos e que amnésicos dos alucinógenos atropínicos (datura, p.ex).

Um estudo sobre os efeitos da Salvia d. foi realizado por Addy e outros (2015), com metodologia duplo cego, randomizado, com grupo de controle (placebo) e experimental. Trinte e dois participantes foram voluntários. O grupo controle recebeu uma dose sub-psicoativa de Salvia d. (100 ug), enquanto o grupo experimental recebeu 1.017 ug de salvinorina A dissolvidas em 25mg de folhas secas de Salvia divinorum. Entre os participantes, todos possuíam uso prévio de alguma substância psicodélica entre as estabelecidas na pesquisa. Foi realizado o uso de extratos fumados, de forma a aproximar a experiência experimental da experiência real de uso contemporâneo. Igualmente, 37% dos participantes já haviam utilizado a Salvia divinorum. Na pesquisa foi adotada a análise de conteúdo e foram identificados três grandes temas e 10 sub-temas, a partir da resposta do grupo experimental. Além disso foi criado um quarto tema pelo pesquisador para abordar o potencial de abuso da planta. São os temas principais:

1. Qualidade da experiência:

Foram destacadas três qualidades fundamentais desta experiência, a saber: velocidade, na medida em que o efeito é abrupto, rápido; além de ocorrer de forma inesperada e muito rápida, o efeito é intenso; por fim, a experiência foi sentida como única, nova ou estranha (50%). Alguns participantes (20%) descreveram a experiência como “doida”. Tal descrição é corrente e no livro Carta Psiconautica, Pedro Luz (2015, p. 149) narra a seguinte experiência com a S. divionarum:

De outra feita na companhia de F.P e V.M fumei um extrato 30x de Salvia divinorum. Antes mesmo de eu exalar a fumaça minha consciência tinha sido projetada para outra realidade. Eu me encontrei em um jardim repleto de plantas com brinquedos de parque de diversões com seres que pareciam ter saídos de um cartum surrealista. Durante o que me pareceu uma eternidade eu estive em transe, completamente alheio ao que acontecia ao meu redor, naquilo que chamamos de “mundo material”, e totalmente esquecido de quem eu era e de minha história de vida, existindo naquele momento somente enquanto observador de estranhos fenômenos em torno de mim. Eu era pura consciência contemplando um novo e bizarro mundo, desconhecido até então. Foi quando eu ouvi uma voz suave me falando, quase num murmúrio, “Calma, você vai voltar…” no momento em que eu me perguntava “Volta para onde?” a realidade ao meu redor de sobrepôs as visões, até que esmaeceram e eu voltei a mim aos poucos.

2. Alterações perceptivas;

a. Marcada por alterações no processo sensorial e integração perceptivo. Foram percebidas algumas modalidades de alterações perceptiva: auditória, visual e interoceptiva, além da junção de sensações distintas (sinestesia) como sentir o cheiro de um som ou ouvir um gosto. Além disso, mais da metade dos participantes da pesquisa sentiu alterações subjetivas da temperatura [ficou muito frio; muito quente; fiquei suando]

3. Mudanças cognitivas-afetivas;

a. Mudanças de afeto: 14 participantes sentiram importantes alterações afetivas durante a ação da substância. A maior parte (10; 33%) atribuiram uma valência positiva (p.ex, felicidade ou euforia) e um número menor (4; 13%) uma valência negativa (medo, ansiedade, pânico). Durante o follow-up de oito semanas, 9% (n = 2) reportaram que ainda perdurava alguma mudança afetiva negativa, incluindo vontade de chorar ou insegurança quanto as coisas e 17% (n = 5) reportaram que ainda perduravam mudanças afetivas positivas, incluindo se sentir alinhado; calmo e uma sensação de inteireza;

b. Despersonalização: 37% reportaram experienciavam alterações subjetivas na auto-percepção. 43% sentiram a perda do controle da experiência (que aceitaram/se renderam ou rejeitaram/resistiram a experiência);

c. Distorção do pertencimento do corpo: 20% dos participantes da pesquisa se sentiram desconectados do corpo; 10% sentiram alterações na forma ou limites do corpo; 10% se sentiram incapazes de mover partes do corpo;

d. Monitoramento da realidade alterada: a capacidade de perceber a realidade compartilhada/consensuada foi alterada para muitas pessoas. 73% permaneceram presenciando o túnel-realidade do consenso, no entanto, alterado, p.ex: “a sala estava começando a se tornar movível”. 40% lembravam a si mesmas que estavam no setting da pesquisa. 30% perderam completamente a noção de que estavam em uma sessão experimental.

4. Potencial de abuso;

a. Não houve evidência de interesse de uso continuo da S. divinorum. Em um follow up de 2 meses, 9% dos participantes da pesquisa haviam utilizado S. divinorum no período.

Ainda acerca da classificação da Sally D, embora possa ser considerada um psicodélico, não há dúvida de sua diferença em comparação aos psicodélicos agonistas do receptor serotoninérgico 5HT2A, como a psilocibina/psilocina e o LSD. Inicialmente já se pode observar que a salvinorina A, diferente da maioria dos princípios ativos dos psicodélicos não é um alcaloide, mas um terpeno. Até 2002 era um grande mistério o mecanismo neurofisiológico da S. divionorum. Neste ano, Roth e colaboradores (2002) descobriram que a salvinorina A é um agonista potente e seletivo dos receptores kappa opioides. Seu efeito é sentido por muitos usuários, embora não para todos, como menos focado nas alterações visuais, além de ser mais intenso e menos agradável (ADDY et al., 2015).

Ainda acerca do uso contemporâneo da Salvia d., Casselman e Heinrich (2011), em análise de vídeos do youtube com o uso da planta, consideram que os vídeos indicam experiências positivas para os usuários. A pesquisa de Kelly (2011) parece apontar que adultos jovens que usam a Ska-pastora têm ao menos um conhecimento básico sobre o assunto, pois a maioria dos usuários entrevistados usou a planta em casa e não em locais como parques, bares ou festas. Alguns usuários descrevem a intensidade dos efeitos psicodélicos de forma positiva, enquanto outros consideram a intensidade tão grande que os leva a não continuar o uso da substância (KELLY, 2011). A maioria dos jovens adultos não reportaram efeito negativo na saúde resultante do uso da salvia, embora alguns reportem nebulosidade mental (cloudiness) (KELLY, 2011). Igualmente os participantes da pesquisa não relataram efeitos negativos em seus pares. Kelly (2011) conclui que o perfil de baixo risco no uso da salvia por adultos jovens pode ser influenciado por seus status legal, o que nos leva a questionar se o atual status ilícito da salvia no Brasil pode produzir efeitos negativos. Em outro estudo (SUMNALL, 2011), com uma amostragem de 154 participantes (online survey), os usuários foram questionados quanto a seus comportamentos, conseqüência do uso, dentre outros. Sumnall (2011) como resultado indicou que há pouca evidencia de usos desfuncionais da S. divinorum e poucos relatos de consequências adversas do uso, bem como não há evidencia que usuários exibiriam mais esquizotipia.

É interessante colocar que, embora muito material sensacionalista – mesmo na academia – tenha sido produzido após a popularização da S. divinorum no Youtube e seu uso aumentado, ao menos nos EUA, ainda assim muito do que é levantado já parece enviesado por tabus. Nos EUA até mesmo a atriz Milley Cyrus, em 2011, quando foi “flagrada” fumando em um bong, relatou ter usado S. divinorum e não maconha (http://hempadao.blogspot.com.br/2011/01/ed-98-portas-da-percepcao-miley-cyrus-e.html).

Um destes é que a S. divinorum produziria dependência. Os surveys têm apresentados dados que sinalizam que o uso de S. divinorum tende a ser esporádico e muito de seus usuários reportam menos de 20 usos na vida (BAGGOTT et al., 2010). Pode-se indicar que a S. divinorum apresenta pouco potencial de abuso (ADDY et al., 2015). Seus principais riscos parecem estar relacionados a seu uso agudo, embora ainda pouco se conheça do uso a longo prazo em doses altas e potencializadas. No que concerne ao uso fumado, a consciência alternativa promovida pode ser tão radical que coloque o usuário em risco, especialmente caso esteja sozinho/não acompanhado. Portanto, uma ação fundamental de redução de danos é ter um cuidador durante a experiência e estar distante de objetos e situações que coloquem o usuário/psiconauta em risco de ferimentos ou a sua própria vida. Usar a S. divinorum com colchão em torno, almofadas e outros objetos pode ajudar no caso de o usuário cair após os tragos iniciais.

No Brasil, a S. divinorum foi proibida em 2012, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) apresentou a Resolução nº 27 (RDC 27) e atualizou a Lista de Substâncias Entorpecentes, Psicotrópicas e Precursoras e outras sob controle especial. Na ocasião inseriu a salvinorina A na Lista F2 (Lista de substâncias psicotrópicas de uso proscrito no Brasil). Na ocasião a ANVISA, mantendo sua posição conservadora, proibicionista, e, portanto, favorável ao narcotráfico, incluiu a planta Salvia divinorum na Lista E (Lista de plantas proscritas que podem originar substâncias entorpecentes e/ou psicotrópicas). Na ocasião, visitava o Brasil uma junta vinculada a ONU, que veio atrapalhar a política de drogas brasileiras e promover essa política que, em última análise, apenas aumenta o consumo de substâncias, abandona o controle sanitário, e promove morte, assassinato e encarceramento em massa.

Há diversos usos médicos e psicoterapêuticos da S. divinorum. Alguns destes usos são conhecidos tradicionalmente. A S. divinorum foi usada para tratar desordens urinárias e defecatórias; alívio de dores de cabeça e reumatismo (LUZ, 2015; EROWID, S/d), dentre outros. Um possível uso em psicoterapia foi apresentado no Journal of Clinical Psychopharmacology em 2001 pelo clínico Hanes. Um de suas pacientes usou a Sally-d oralmente (não fumada) em uma quantidade de 8 a 16 folhas, duas a três vezes por semana. No acompanhamento, com uso da escala HAM-D, observou a total remissão dos sintomas do transtorno depressivo moderado. O uso da planta teria levado a insights, autoconfiança e uma maior “despertar psicoespiritual” (EROWID, S/d). Seriam necessárias novas pesquisas para avaliar o real impacto da S. divinorum na depressão. Por seu efeito singular no sistema nervoso e a velocidade do seu efeito, ainda é possível que venhamos a conhecer melhor, nas próximas décadas, os efeitos terapêuticos da Salvia divinorum e das salvinorinas. Para isso, no entanto, é preciso uma postura aberta para a pesquisa e sem preconceitos infundados.

Referências:

ADDY et al. 2015. The subjective experience of acute, experimentally-induced Salvia divinorum inebriation. Journal of Psychopharmacology, 2015. p. 1-10.

BAGGOTT, M. J; EROWID, E.; EROWID, F., et al. Use patterns and selfreported effects of Salvia divinorum: na internet-based survey. Drug Alcohol Depend., 11, p. 250-256.

CASSELMAN, I. et al. From local to global – fifty years of research on Salvia divinorum. Journal of Ethnopharmacology, v. 151, fev. 2014, p. 768-783.

HANES, K. R. Antidepressant effects of the herb Salvia divinorum: a case report. J. Clin. Psychopharmacol. dez 2001, 21 (6), p. 634-635.

KELLY, B. C. Legal tripping: a qualitative profile of Salvia divinorum use among young adults. Journal of Psychoactive Drugs, jan-mar. 2011; p. 46-54.

LUZ, P. Carta psiconáutica. Ilustrações Julia Dabasse. Rio de Janeiro: Dantes, 2015.

OTT, J. Pharmacotheon: drogas enteogénicas, sus fuentes vegetales y su historia. Madri: La Liebre del Marzo. 2004.

Mais sobre Salvia divinorum no Hempadão:

BESERRA, F. R. Pesquisas e história da Salvia divinorum. Portas da Percepção, Hempadão. 2013. Disponível em: < http://hempadao.com/pesquisas-e-historia-da-salvia-divinorum/>.

BESERRA, F. R. Esclarecendo a proibição da Salvia divinorum e da Argyréia nervosa. Portas da Percepção, Hempadão. 2012. Disponível em: <http://hempadao.blogspot.com.br/2012/07/esclarecendo-proibicao-da-salvia.html>.

BESERRA, F. R. Miley Cyrus e a Salvia divinorum. Portas da Percepção, Hempadão. 2011. Disponível em: <http://hempadao.blogspot.com.br/2011/01/ed-98-portas-da-percepcao-miley-cyrus-e.html>.

BESERRA, F. R. Um relato de uso de Salvia divinorum. Portas da Percepção, Hempadão. 2011. Disponível em: <http://hempadao.blogspot.com.br/2011/03/ed105-portas-da-percepcao-um-relato.html>.

OTT, J. Salvinorina A e Ska-pastora In: Pharmacotheon. Portas da Percepção, Hempadão. 2011. Tradução de Fernando Beserra. Disponível em: <http://hempadao.blogspot.com.br/2011/02/ed103-portas-da-percepcao.html>.



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