Renasce o Cânhamo Industrial! [OnJack Ed. #239]

OnJack

hempadao 23 setembro, 2013

Em 1998, após um hiato de um quarto de século, relançou-se em Portugal o cultivo do cânhamo industrial, que pas­sara a ser incentivado em toda a União Europeia (desde que as sementes apre­sentassem um teor de THC inferior a 0,3%) por terem sido reconhecidas a sua versatilidade, rentabilidade e vantagens ecológicas. Assim, supervisionados pela empresa Cânhamo de Portugal, pioneira nesta área entre nós, 18 agricultores su­bsidiados pela União Europeia, plantaram 33 hectares de cannabis industrial de norte a sul do país.

 

Porém, apesar dos agricultores estarem munidos com os necessários avais do Ministério da Agricultura e da Polícia Ju­diciária, a GNR, eterna arqui-inimiga da cannabis, não esteve com meias medidas e prontamente deteve, em Lagos e Tondela, dois destes cultivadores legítimos de cânhamo industrial, acusando-os de pro­dução de estupefacientes. O picaresco episódio foi possível por não estar ainda completamente transposto o Direito Co­munitário para o Direito Nacional, sendo que à data a nossa legislação continuava a proibir todo e qualquer cultivo de cannabis, não obstante os novos regulamentos europeus que estimulam o setor do câ­nhamo para cultivo serem aplicáveis a todos os estados-membro.

Esta contradição foi obviada através da publi­cação de um decreto regulamentar em Outubro de 1999.

Para Augusto Teixeira, dono da Cânha­mo de Portugal, este sucedido ilustra o risco dos preconceitos vigentes em relação ao cânhamo dificultarem o renascer daquela que foi outrora a rainha das cul­turas portuguesas; exemplificando, o empresário chama a atenção para o fato da nova legislação impor condições de produção tão apertadas ao cânhamo que o negócio torna-se pouco rentável. O que é especialmente frustrante para quem, co­mo Augusto Teixeira, está tão consciente das incríveis potencialidades da cannabis industrial: "Não há nada que lhe chegue aos pés. Permite uma produção de fibra completamente fora do real; tem capacidade de produzir em quatro meses a mesma quantidade de pasta de papel que produz o mesmo hectare de eucaliptos em sete anos". E, sublinhando que se trata de uma cultura biológica em que não são permitidos pesticidas nem herbicidas, Augusto Tebíeira resumiu assim, em de­clarações ao Público, a questão da versati­lidade da cannabis industrial: "Não há praticamente nada que não possa ser feito com cânhamo, exceto haxixe".

Entretanto, com a abertura em Por­tugal das primeiras "lojas do cânhamo" (a pioneira sendo a Hemp House-Noia, na Ribeira do Porto), acelerou-se a divulgação entre nós das inúmeras utilizações extra-visionárias da cannabis e das suas qualidades ambientais, com o resultado da planta proscrita ter começado a ga­nhar uma imagem positiva junto do público em geral. E, sinal dos tempos, em Março de 2001 foi publicado O Rei Vai Nu (Via óptima, Porto), a edição portuguesa do manifesto de Jack Herer que originou o movimento pró-cânhamo.

A Ganja Estreia no Cinema Português

Em 1981, pela primeira vez desde o início do proibicionismo, o ci­nema português abordou, embora elipticamente, a questão do uso de drogas, nomeadamente o haxixe, entre os jovens. O filme pioneiro é Chico Fininho, de Sério Fernandes, inspirado no tema homônimo de Rui Veloso (de 1979), o qual mar­cara por sua vez a primeira alusão ao consumo de drogas na cultura popular portuguesa. No filme Chico Fininho o papel do "freak da Can­tareira" é desempenhado pelo ator Vítor Norte, que faz aqui a sua es­treia cinematográfica.

* O single Marijuana (1980), da banda rock Arte e Ofício, é única referência explíci­ta à cannabis na música nacional da época.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *




Papelito
Banner Sedina