Relato do Leitor sobre Abordagem Policial: “Seu nóia!”

bONG

hempadao 29 abril, 2016

O suficiente para fazer uma pontinha, era o que eu tinha. Resolvi apertar com um pouco de tabaco, só para dar uma luz antes do almoço, coisa simples, nem 500mg de cannabis. Acabei de acender, dou dois tragos, a casa caiu, a viatura passou e ganhou. Acatando a ordem, encostei. Saio de dentro do carro normalmente, aquela mão levantada de leve, não sou nenhum marginal e o policia logo viu. Revista padrão tudo dentro da normalidade, pergunta se tenho algo a mais no carro e explico oque portava, era só aquele fininho que em sua maioria era tabaco. Ele procede uma revista no interior do carro. Então é a vez de seu parceiro que resolve fazer o papel de “Policial mau” tipo nos filmes americanos, e foi isso que me incomodou…


– Quem você é? Onde trabalha? Onde mora? Com quem?

Explico tudo normalmente, dando detalhes e com a firmeza de um cidadão de bem ciente das leis. E continua … “Esse carro é seu? Tá no seu nome? Comprou onde? Seu nóia … Ai não deu… NÓIA? Logo respondi: (segue o diálogo)

Eu – Noia não!
PM – Então você é oque?
Eu – Sou um usuário de Cannabis, trabalho, tenho minha residência, familia, não sou noia.
PM (Tirou um sarro com o outro, que já tinha se aproximado, por eu ter usado o termo Cannabis: “Você viu, é noia mas é inteligente)
PM – Então pra você o que é noia?
Eu – Para mim é aquele que não tem mais controle sobre a droga, um usuário pesado, doente.
PM – Pra mim você é nóia!

Dai segue, seu noia, seu noia, seu noia, é você que financia o trafico, seu noia. Por isso o Brasil esta desse jeito, seu noia, você entendeu que você é noia? Seu noia … vou prender seu carro, mas dai tenho que te levar pro DP e lá você vai assinar um usuário, porte de substância ilícita, não vai mais arrumar emprego, vou ter que separar o que é maconha do cigarro… seu noia!

Bem, contra fatos não há argumentos, eu estava errado e poderia ter sido autuado formalmente, fiquei calado e a contra gosto concordando com o policial em tudo que ele me adjetivava e me atribuia culpa, e assim, a advertência foi oral. Fui liberado e segui o trajeto.

Desse fato ficou minha indignação, um policial na minha opinião bem mais capaz e formado, o “Policia bom”, logo percebeu do que se tratava e não viu necessidade de um “esculacho” a céu aberto, me advertia quanto a ilegalidade da substância e que enquanto ela não fosse liberada seria esse o procedimento. O outro, “Policial mau” fez questão de tentar me denigrir, me atribuindo rótulos frutos do seu preconceito, me culpando pelo tráfico e relacionando o meu hábito com problemas do país, isto acredito por falta de conhecimento. Chegou até a me ameaçar de levar em uma biqueira e me entregar como X9. Pura ignorância ou limitação daquele ser que também é vítima? Sim, uma vítima real do estado. Esta forma de pensar condiz com quem foi privado da educação de qualidade, com informações alinhadas ao progresso. De quem foi submetido ao pensamento simplista, sem o convivio de pessoas de intelecto e moral elevada o que o leva ao simples julgo do certo e errado sem a averiguação das circunstâncias, sem tolerância.

Pessoas assim não podem compor uma corporação como a Policia Militar, na verdade vou além, eles sim deveriam compor a Policia Militar! Mas a segurança e o patrulhamento das cidades não deveria ser feito pela PM. Necessitamos de guarda capaz e formada, apta a lidar com o cidadão, que seu efetivo seja formado por agentes de integridade e formação para saber como agir e prestar um serviço real a população, sem as mentes violentas e conturbadas de muitos PM’s que são expostos ao risco de morte diário combatendo o tráfico ou melhor, enxugando gelo. Precisamos de uma reforma urgente na Política de drogas, alinhada com a situação atual, onde não tenhamos que perder Homens, energia e dinheiro combatendo o tráfico.

Carta do leitor.

Sofreu alguma violência ou injustiça por estar consumindo maconha? Compartilhe conosco, mande o relato para: hempadao@gmail.com



5 respostas para “Relato do Leitor sobre Abordagem Policial: “Seu nóia!””

  1. eumermo disse:

    olha, amigo acredito que todos os maconheiros já passaram por algo do mesmo tipo ou pior…
    mas nem todos conseguiram resumir tão bem a indignação com respeito a certos “heróis de mentira”.
    Forte abraço – São Paulo – SP

  2. Morgana disse:

    Olá… curti muito o teu relato. Sou principiante, eu era cheia de preconceito porem meus preconceitos em relação ao cannabis não eram direcionados aos outros (conhecidos e amigo), meus preconceitos eram internos, eram meus. Fechei um ciclo e abri um novo, abri a mente e tive vontade de me livrar do meu preconceito interno e esta sendo massa. Bom curti de verdade o teu relato e tua visão inteligente sobre os fatos, caso queira meu inta é; rosealferes.

  3. Vinicius disse:

    Comigo e com uns amigos foi bem parecido, e alem de ficarem nos chamando de nóia, diziam o tempo todo que eramos lixo, lixos da sociedade, isso que nem nos pegaram com nada, só admitimos fumar maconha. Isso foi muito revoltante, e o que podemos fazer??? Nada, pois alem de tudo ainda diziam que se nos pegassem novamente mesmo sem nada e a noite iriam nos “encher de porrada” e apresentar algo como se fosse nosso para nos levar até o DP.

  4. Gabriel disse:

    Na minha opinião, o relator lidou muito bem com a situação inteira. Existem momentos para se impor e momentos para acatar. Pelo descrito, é perceptivo que ele soube distinguir esses momentos.
    Por sorte, nunca passei por nada parecido, mas moro em Florianópolis, recomendo aos amigos vir estorar um por aqui e conhecer a cidade, diversos pontos são conhecidos por serem “legalizados”. Por não ser uma cidade com indice de criminalidade alto, temos uma policia que não é tao resistente ao usuário. Salve casos a parte.

    • Fpolis disse:

      Taooo mano so de fpolis tbm e maconha aki tem pouco e nao convide mais maconheiros pra k.. desculpa aos irmão de cannabis mais n da nao kkkkkkk eh nois raça
      FLORIPA JAMAICA DO BRASIL!

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