REeDUcaÇÃO #43 – Mulheres na pauta por Maconha na Brasa!

REeDUcaÇÃO

hempadao 13 novembro, 2013

por Anna Rodrigues

Então saí de casa para mais uma aventura congressista. Desta vez na Bahia-Salvador, na fissura de novos conhecimentos sobre políticas públicas e drogas, fui para no 4º Congresso da Abramd aonde conheci Guilherme Storti e recebi o convite para escrever nesta coluna. Sou Anna Rodrigues, estudante de Gestão de Políticas Públicas da Federal do Rio Grande do Norte. Redutora de danos, pesquisadora da área, além de participante de vários movimentos sociais principalmente, é claro, da marcha da maconha. No mês da Miss Marijuana não poderia iniciar minhas atividades neste blog sem desenvolver um contraponto entre o movimento feminista e a descriminalização das drogas.

A luta pela autonomia das mulheres, assim como os direitos dos usuários se associam pela busca do cumprimento dos Direitos Humanos, pois antes de qualquer posicionamento, temos o direito ao nosso próprio corpo. E esse direito por diversas vezes é violado quando mulheres são impedidas de praticar, por exemplo, um aborto seguro, e os usuários de terem o controle da origem das substâncias que querem utilizar. Os dois movimentos se correlacionam pela busca de igualdade de gênero em contrapartida a uma sociedade patriarcal, e a descriminalização das drogas através do combate ao proibicionismo.

Para uma reflexão sobre a guerra às drogas e como esta atinge o público feminino, trago-lhes os dados da última pesquisa realizada pelo departamento penitenciário nacional (DEPEN2011), que realizou um levantamento de dados sobre as mulheres que foram encarceradas nos últimos anos. Essa pesquisa nos levou a um panorama brasileiro nada positivo, pois 60% das mulheres presas estão lá por terem sido apreendidas com algum tipo de droga ilícita. Todavia, em sua maioria elas não foram presas por utilização da droga, mas sim por transportá-la. Essa ação faz com que as mulheres sejam nomeadas de “mulas’’, que no caso seriam aquelas que tentam de alguma maneira, por motivos financeiros, de relacionamento, ou por crerem que essa seja uma maneira mais fácil de entrar no negócio para assim desenvolver uma certa ascensão social. Dessa forma, elas cedem seus corpos a uma espécie de “rebaixamento” para o desdobrar desse trabalho. Estas mulheres acabam se tornando subalternas à gerência do tráfico, e isto também é um caso a se pensar, pois no tráfico também se busca igualdade de gênero. O estudo também nos mostrou, e é válido colocar em destaque, que o sistema prisional sofre um déficit de 13.058 vagas, uma superlotação que se evidencia principalmente após a lei 11.343/06 (Lei Antidrogas). Concretizando assim que esta foi criada para o não asseguramento das mulheres, já marginalizadas e oprimidas pela sociedade.

Aonde quero chegar com isso? Quero dizer que nós mulheres, somos todas Miss, marijuanas ou não. Ficamos tristes quando temos notícias de plantações de cannabis que são destruídas, mas também temos o dever de compreender o externo da situação, pois não podemos deixar de debater por completo a temática das drogas, uma vez que uma miss necessita de conhecimento de caso, sabendo que sua liberdade se relaciona com seu nível de conhecimento e compreensão. A clareza do pluridimensionalismo que é este debate fará com que a união de forças alcance uma reforma eficaz. No último sábado 09/11/13 tivemos a eleição da miss universo 2013 e não peco em dizer que nossas concorrentes ao Miss Marijuana desse ano, sabem que para se salvar o mundo, de início se deve pensar na reorganização dessa política proibicionista.

A noção de humanidade de cada um estará em sua capacidade de conseguir enxergar as várias dimensões e saberes de como se colocar perante o que aprendemos e aperfeiçoamos no dia-dia. O Miss Marijuana é um incentivo a isto. Não sejam apenas rostinhos bonitos que curtem um baseado bem bolado, sejam dichavadoras de novas informações, se reeducando perante espirais de conhecimentos, que nos fazem diversas vezes cegas perante o debate. Não tenha medo de opinar, seja uma militante verdadeira, pois assim poderemos mudar o quadro social brasileiro. É uma luta que não pode parar, que fala de prazeres de viver e saber. Lembrando que pertencemos e habitamos um Estado laico democrático, que de tão “popular” chega a ser capitalista, homofóbico, classicista e sem sombra de dúvidas proibicionista. Pensando que dentro de nosso parlamento temos representantes LGBT e uma bancada evangélica, que se firmaram por terem milhões de seguidores, o que podemos produzir então para nossa luta?

Enfim, esses são assuntos futuros. Para finalizar minha discussão, creio que deveríamos fortificar cada vez mais e desenvolver em espaços públicos de discussões. Devemos dar voz à nossa insatisfação sem medo! Espero poder contribuir não só com um viés político, mas criando debates para uma nova ótica das políticas de drogas, mostrando que não só a legalização da maconha irá resolver nossa problemática.

Referências: Alice Bianchini 2013/ Bastos 2011/



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