Raphael Mechoulam fala sobre Maconha, Canabinóides e Anandamida!

Chapa2

hempadao 12 abril, 2016

Geralmente o Chapa2 traz questões políticas em seus temas. Como o marasmo parlamentar está em alta quanto ao assunto política de drogas, nos deu na telha buscar hoje uma reportagem mais científica. Eis que encontramos uma deliciosa aula sobre canabinóides na entrevista feita pelo The Wall Street Journal com Raphael Mechoulam, químico de Israel conhecido como o “pai do THC”, por ter sido o primeiro a isolar e sintetizar este importante componente ativo da maconha.

São 85 anos de vida e boa parte dela dedicada ao estudo da planta. Mesmo com todos esses anos de batalha frente a proibição, Mechoulam se diz esperançoso, pois acha que o campo de estudo que ele passou a vida trabalhando chegou agora a um ponto de “inflexão”.

O composto chamado “Anandamida” encontrado por ele e sua equipe é uma aposta para a ciência médica do futuro, ele aponta, afinal, ainda não pôde ser testada em humanos como droga. Segundo ele, a insulina pode ser usada, regulamentada e estudada nos anos 30 do século passado com mais rapidez que os canabinóides hoje em dia, o que dificuldade tremendamente a ação da ciência. Por contraditório que pareça, antigamente critérios menos rigorosos de se produzir medicina acabavam sendo mais eficientes, tanto que a insulina é um caso de sucesso até hoje.

Ele conta também que chegou a fazer testes usando canabinóides sintéticos com ajuda de cientistas da América do Sul. Os resultados foram publicados há 35 anos atrás.

O relato é de que há época foram selecionados cerca de 15 pacientes com epilepsia. Sete ou oito deles continuaram com a medicação normal enquanto 7 ou oito outros passaram a receber o canabinóide juntamente a receita do tratamento normal. Dentre o segundo grupo, 4 tiveram os ataques controlados por cerca de quatro meses. O grupo que não recebeu o composto continuou com os surtos. Ele diz: “Nós publicamos isso e pensei que algo ia acontecer”, só que até hoje… não.

Questionado sobre porque ele acha que isso aconteceu com a maconha, o mestre que dedicou sua vida a ciência da erva responde em poucas palavras: “Provavelmente porque havia um estigma quanto a cannabis. Eu não vejo nenhuma razão pra isso. O fato é que um estigma sobre uma planta é algo completamente irrelevante”, disse ele. Quem dera nosso congresso também pensasse assim.



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