Racismo, drogas e a revolta em Ferguson, nos Estados Unidos

Chapa2

hempadao 25 novembro, 2014

por Tales Henrique Coelho

A cidade de Ferguson, no estado norte-americano do Missouri, voltou a ser palco de protestos violentos da comunidade negra contra o racismo institucionalizado. Isso porque o policial Darren Wilson, que em agosto matou o jovem negro Michael Brown, foi inocentado pela justiça apesar de todos os indícios de que se tratou de uma execução.

No mês de agosto a cidade foi o epicentro de protestos como há muito tempo não se via nos Estados Unidos, com a revolta se espalhando por todo o país. Agora não é diferente: a comunidade negra norte americana está se mobilizando, de Nova Iorque a Los Angeles, para gritar alto: PAREM DE NOS MATAR!

Este é um quadro que tem tudo a ver com a criminalização das drogas e sua origem racista. Nos EUA, como aqui, a guerra às drogas é na verdade um pretexto para a guerra às minorias, aos pobres, que são as principais vítimas de toda esta máquina mortífera. E quem diz isso não sou eu mas, por exemplo, o próprio comissário de polícia de Nova Iorque, como vimos na semana passada.

Aqui no Brasil, celebramos na semana passada o Dia da Consciência Negra. Uma data que para alguns pode não significar nada, mas para muitos é um dia de reflexão importante. Porque aqui, como nos EUA, os negros continuam sendo as principais vítimas da guerra às drogas.

Para se ter uma ideia, em 2013 das 53.646 vítimas de homicídio no Brasil, 36.479 eram negras; dos 574.207 presos, 307.715 são negros, 61,7% a mais que brancos. Em 10 anos, os homicídios de jovens brancos caíram 32%. Já os homicídios de jovens negros subiram 32%! É ou não é uma guerra racista? Esses são dados do 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que mostra ainda que quase 30% dos detentos foram presos só por causa de drogas.

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Aqui, como lá, a proibição tem origem no racismo, como mostrou o coletivo Cultura Verde neste excelente texto.

A revolta em Ferguson, que se espalha pelos EUA, é filha do racismo e da proibição das drogas, e prima-irmã do quadro lamentável que observamos nas prisões e nos IMLs brasileiros.

É como sempre digo: a legalização das drogas não é uma causa para beneficiar maconheiros e doidões. É uma necessidade urgente para interromper esse ciclo de mortes e prisões injustas, para tirar uma "justificativa" aparentemente positiva que tem resultados extremamente negativos para toda a sociedade – incluindo quem nunca tomou nem um gole de cerveja.



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