Oito Citações Literárias sobre Maconha e Haxixe

TopGanja

hempadao 20 maio, 2014

O post de hoje é totalmente inspirado em uma publicação do blog Socialista Morena. Eles fizeram a lista da relação entre grandes escritores e maconha, o Hempadão viu aquilo e pensou: dá um TopGanja. E lá se vão oito grandes nomes da literatura/pensamento ocidental que sem dúvida contem grande relevância ao nosso estudo cotidiano sobre a erva. Crânios enfumaçados, cabeças de elefante, gênios que por acaso eternizaram verbos sobre o verde (ou marrom) Leia até o fim para entender:

1 – Hunter S. Thompson

Mais conhecido pela obra cinematográfica que o retrata… afinal, quem nunca viu Medo e Delírio em Las Vegas?! Poucos sabem que o personagem é real, é jornalista e um norte-americano muito louco. Sobre a maconha, ele já se pronunciou uma vez, e veja só o que ele disse: “Sempre amei a maconha. Ela tem sido uma fonte de alegria e conforto para mim por tantos anos. E eu ainda acho que é uma das coisas básicas da vida, ao lado da cerveja, gelo e grapefruits –e milhões de americanos concordam comigo.”

2 – Norman Mailer

Esse é considerado o pai do Novo Jornalismo, para medir a importância do cara basta ver sua salinha de troféu que ostenta nada menos que dois Prêmios Pulitzer. Apesar de sua carreira e experiências pessoais não serem tão alucinadas como as do escritor anterior, Norman também tem suas aspas sobre a erva, se liga: “O efeito da maconha em alguém é sempre existencial. Pode-se sentir a importância de cada momento e como isto nos afeta. É possível sentir a própria essência, tornar-se consciente do enorme mecanismo do nada – o zumbido do aparelho do som, o vazio de uma interrupção sem sentido. Nos tornamos conscientes da guerra dentro de cada um de nós, e como o nada dentro de nós busca atacar a essência dos outros, e como nossa essência, por sua vez, é atacada pelo nada dos outros.”

3 – Carl Sagan

Esse é sem dúvida uma das grandes mentes já existentes no mundo. Acumulando profissões como cientista, astrobiólogo, astrônomo, astrofísico, cosmólogo, escritor, o cara tem simplesmente 600 artigos científicos publicados. E um gênio desse gabarito deixou declarações a respeito da cannabis em seu uso recreativo e também medicinal, veja só: “Minha experiência com a cannabis melhorou muito minha apreciação da arte, um tema que nunca pude apreciar antes. O entendimento do propósito do artista, que eu obtenho quando estou chapado, algumas vezes continua quando estou de cara. Esta é uma das muitas fronteiras humanas que a cannabis me ajudou a transpor. Tem também algumas sacadas relacionadas à arte –eu não sei se elas são verdadeiras ou falsas, mas foram muito divertidas de formular. Por exemplo: passei algum tempo doidão apreciando o trabalho do surrealista belga (na verdade francês) Yves Tanguy. Alguns anos mais tarde, ao emergir depois de um longo mergulho no Caribe, afundei exausto na praia formada pela erosão de um recife de coral nas proximidades. Examinando à toa os fragmentos arqueados de coral em tons pastel que formavam a praia, vi diante de mim uma pintura de Tanguy. Talvez ele tenha visitado uma praia assim na infância.” (leia o texto completo de Sagan sobre a maconha aqui. Em inglês.)

E ainda um vídeo interessante sobre o uso terapêutico da planta:

4 – Alexandre Dumas

Grande escritor, Dumas registrou pelo menos uma vez tudo que sabia ou sentia sobre o concentrado de cannabis conhecido como haxixe. É inegável que a época todos os grande intelectuais tiveram contato com a droga psicoativa de efeitos que versam prazer e dor. Quanto exagero, não? “Julgue por si mesmo, senhor Aladim –julgue, mas não se resuma a uma só tentativa. Como tudo o mais, precisamos acostumar os sentidos a uma primeira impressão, suave ou violenta, triste ou alegre. Há uma luta em nossa natureza contra essa substância divina –nas naturezas que não são feitas para o prazer e se aferram à dor. É preciso que a natureza subjugada sucumba no combate, o sonho tem que vencer a realidade e o sonho reinar supremo; então o sonho se transforma em realidade e a realidade se torna sonho. Mas que mudanças ocorrem! Apenas pela comparação da dor da existência verdadeira com as alegrias da existência assumida é que você desejará não mais viver, mas sonhar para sempre. Quando você retorna a esta esfera mundana de seu mundo visionário, é como se trocasse uma primavera napolitana pelo inverno da Lapônia –deixar o Paraíso pela Terra, céu pelo inferno! Experimente o haxixe, meu hóspede –experimente o haxixe.” (em O Conde de Monte Cristo)

5 – Stephen King

É nada mais que nono autor mais traduzido do mundo e esse sabe realmente das coisas! Previu algo muito parecido com o que lutamos para que aconteça o mais rápido possível: a autossuficiência de cada através de seu cultivo caseiro. Veja só a citação de mais um célebre escritos americano e veja só se a realidade por ele descrita não é longe de ser um conto de terror: “Eu acho que a maconha deveria não só ser legal como deveria ser uma indústria caseira. Seria maravilhoso para o Estado do Maine. Tem uma erva muito boa plantada em casa. Tenho certeza que seria ainda melhor se fosse possível cultivar em estufas, utilizando fertilizantes…”

6 – Gilberto Freyre

É sabido que os três pilares da sociologia nacional mencionaram a cannabis em seus escritos em algum momento. Quase a lista fica sem nenhum brasileiro, mas felizmente temos nosso representante. No grande clássico Casa Grande & Senzala, ele mandou a letra de forma clara e nada subjetiva: “Já fumamos a macumba ou diamba. Produz realmente visões e como um cansaço suave; a impressão de quem volta cansado dum baile, mas com a música ainda nos ouvidos.”, uma das descrições mais belas e lúdicas do imaginário canábico, sem dúvida.

7 – Ramon Del Valle-Inclán

Em entrevista ao jornal El Heraldo, de Madri, o escritor espanhol soltou essa pérola. Romancista e poeta, é possível achar busto desta cara pelo seu país de origem. Em uma viagem ao México ele teve acesso à marijuana e isso lhe marcou, veja só:

“–O México me pareceu um país destinado a fazer coisas maravilhosas. Tem uma capacidade que o mundo não sabe admirar em toda a sua grandeza: a revolucionária. Através dela avançará e evoluirá. Dela… e do cânhamo índico, que lhe faz viver em uma exaltação religiosa extraordinária.
–O cânhamo índico?
–A erva maconha ou cânhamo índico, que é o que os mexicanos fumam. É o que explica seu desprezo à morte, que lhes dá um valor sobre-humano.”(entrevista ao jornal El Heraldo de Madri, 1918)

8 – Charles Baudelaire

Pra fechar um que não é novidade pra ninguém, Baudelaire! O mestre do hash, tendo chegado até a escrever um livro inteiro para este assunto, com título simples e direto: Haxixe. Em outro dos seus escritos, Paraísos Artificiais, ele descreve a felicidade em uma colherinha, imperdível: “Eis a felicidade! Uma colherinha bem cheia! A felicidade com toda a sua embriaguez, todas as suas loucuras, todas as suas criancices! Pode tomá-la sem medo; ninguém morre por causa disso. Seus órgãos físicos não sofrerão dano algum. Talvez mais tarde, se recorrer muitas vezes ao sortilégio do haxixe, diminuirá sua força de vontade e você será menos homem que agora; mas está tão longe o castigo e é tão difícil determinar a natureza do futuro desastre! Que risco você corre? Um pouco de cansaço nervoso no dia seguinte. Mas você não se expõe todos os dias a castigos maiores por menores recompensas?”, não é verdade?



Uma resposta para “Oito Citações Literárias sobre Maconha e Haxixe”

  1. al satterwhite disse:

    please remove my © image of Hunter Thompson on the beach – you did not ask permission – I make my living from my photography which you have illegally used

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