O que é a Lei? [OnJack Ed. 214#]

OnJack

hempadao 2 abril, 2013

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"Todas as leis cuja violação não causa danos a terceiros são motivo de chaco­ta". — Espinosa (c. 1660.)

Proibir a maconha é abdicar das nos­sas liberdades, das liberdades dos nossos filhos, das liberdades dos filhos dos nos­sos filhos, para sempre.

E isso, meus amigos, chama-se fascis­mo; e, dito de maneira simples, se as leis sobre a cannabis não forem revogadas, e se não forem descontinuadas práticas atuais que destroem a Terra, como a mi­neração em profundidade, a prospecção de petróleo, o abate maciço de árvores, a poluição industrial das águas e o uso de pesticidas e herbicidas, o nosso planeta morrerá em breve às mãos destes políti­cos ignorantes que se julgam no direito de fazer aprovar cada vez mais leis draco­nianas com vista a encher mais e maiores prisões e penitenciárias com alguns dos nossos mais decentes cidadãos. Estes mesmos políticos apresentam-se como sendo motivados unicamente pela sua preocupação com as crianças. Entretanto, todos os dias eles promovem o envenena­mento massivo destas mesmas crianças!

 

Mas para compreender verdadeira­mente por que razão, após 60 anos de desinformação que prossegue até hoje, dezenas de milhões de americanos con­tinuam completamente aterrados com a erva, considere-se a mentalidade e o carácter de Daryl Gates, chefe da polícia de Los Angeles entre 1978 e 1982, que admitiu ter ajudado a dirigir um progra­ma para suprimir informação correta sobre o cânhamo, e ordenado a prisão e intimidação de funcionários da Inicia­tiva Californiana sobre a Marijuana que estavam a cumprir o seu dever cívico e constitucional de angariar assinaturas para petições.

Em Setembro de 1983, na televisão e através de um porta-voz da polícia, Gates chamou aos proponentes da reforma das leis sobre o cânhamo "pessoas bem-in­tencionadas mas terrivelmente ingénuas no tocante à marijuana, pouco sabendo de facto sobre ela".

Em Janeiro de 1984, um pai perguntou a Gates, numa escola pública de San Fer­nando Valley, Califórnia: "O que posso eu fazer se descobrir que o meu filho fumou marijuana?" Gates respondeu, "É tarde demais. Uma vez que tenham fumado um cigarro de marijuana, perde­mo-los para sempre!"’
*Estas palavras exatas foram também usadas pelo promotor público do condado de Los Angeles, Ira Reiner, na sua campanha de 1990 para procu­rador-geral do estado. Reiner perdeu a eleição.

Alguns meses depois, o então procu­rador-geral da Califórnia, John Van de Kamp, suprimiu um relatório, datado de i? de Agosto de 1990, elaborado pelo seu próprio painel de conselheiros e que ins­tava à relegalização do cânhamo. Em 5 de Setembro, Gates testemunhou perante o Comité Judiciário do Senado dizendo que os fumadores de erva deviam ser "detidos e abatidos". Sustentou esta posição durante quase uma semana, até que um protesto público exigindo a sua demissão* o forçou a modificar o seu comentário para uma exortação no sentido de serem aplicadas penalidades mais severas aos fumadores. O antigo czar antidroga William Bennett disse: "Os únicos problemas que tenho com a decapitação de uti­lizadores de marijuana são de ordem legal" e um legislador do Mississipi declarou em 1998 que o castigo por uso de marijuana devia incluir a amputação de mãos, braços, pés e pernas (a sério!).

Em 3 de Março de 1991, o mundo ficou chocado ao ser informado de que os agentes de Gates eram de facto capazes desse tipo de comportamentos brutais e odientos, quando foi revelado um vídeo mostrando polícias de Los Angeles a es­pancarem selvaticamente Rodney King (acusado de excesso de velocidade e ten­tativa de fuga). Posteriormente, um teste a sua urina revelaria vestígios de THC. Gates continuou a apoiar os seus agentes desde o espancamento até à altura dos motins.
*Reiner foi praticamente a única autoridade ofi­cial a apoiar Gates publicamente.

Em Julho de 1998, o czar antidroga Barry McCaffrey, em missão de recolha de dados pela Europa, juntou o insulto à ignorância ao proclamar a um público de Estocolmo: "A taxa de assassínios na Holanda [onde as drogas "leves" são tratadas como um produto legal] é dupla da dos Estados Unidos (…) São assim as drogas". Na realidade, a taxa de assassí­nios é 8,2 por 100.000 nos E.U., e 1,7 por 100.000 na Holanda, menos de um quar­to da taxa americana.

Este foi apenas o último caso da carica­ta desinformação propagada por Mc­Caffrey. Em Dezembro de 1996, por exem­plo, os média citaram-no como tendo dito: "Não há o mais leve indício de que a marijuana possua valor medicinal"…

O OnJack publica, semanalmente, trechos da tradução do livro de Jack Herer, The Emperor Wears no Clothes.



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