O Estado do Reino do Cânhamo [OnJack Ed. 218#]

OnJack

hempadao 29 abril, 2013

A data é Setembro de 2000 e, ao fazer as últimas alterações a esta 11a edição, e 12o epílogo, do Rei, descubro-me a refletir de novo sobre todas as mudanças que ocorreram desde 1985, quando foi lança­da a primeira edição deste livro.

A consciencialização sobre o cânhamo aumentou dramaticamente desde então — à vontade 10.000 vezes. Em 1985, para além dos poucos artigos disponíveis na loja do Capitão Ed e na minha, não havia praticamente nenhum produto de câ­nhamo à venda no mundo ocidental, e eram também escassos na parte oriental do globo. Hoje, em Setembro de 2000, inúmeros produtos de cânhamo são ven­didos em milhares de lojas por toda a América, e muitos milhares mais através do mundo, com mais lojas entrando todos os dias na corrida do cânhamo.

 

A variedade de artigos à venda é quase tão ilimitada quanto os usos do próprio cânhamo: papel, roupa, fibra, tecidos, xampus, cosméticos, óleos corporais, lubrificantes de máquinas, plásticos e uma grande variedade de alimentos do mais elevado valor nutritivo.

Penso com otimismo que os medica­mentos de cânhamo serão em breve le­gais a nível federal e se juntarão a esta lista, pois eles já foram legalizados em seis estados mediante iniciativas de elei­tores, e num estado, o Havai, mediante legislação estadual.

Empresas internacionais como a Body Shop, com as suas cerca de 1600 lojas, apostaram em larga escala no cânhamo, e fabricantes como a Hanf Haus, a Two Star Dog, a Headcase, a Hempstead e a Hempy’s, entre outros, adquirem maior proeminência a cada dia que passa.

Revistas como a High Times, a Canna­bis Culture (Canadá) e a Hanf (Alema­nha), etc, publicam informações de última hora sobre a crescente luta para a utilização legal do cânhamo.

Mas apesar de todas as mudanças po­sitivas que estão a verificar-se atualmen­te, parafraseando Bob Dylan, não pre­cisamos que um meteorologista nos diga para que lado sopra o vento.

Estou aqui em Los Angeles a meio da década mais quente jamais registada — passaram 9 dias consecutivos de um calor que bateu todos os recordes mundiais. Tenho um charro de marijua­na médica na mão. Devido à arrogância indiferente dos cientistas do governo, o aquecimento global está a aumentar dia a dia, mês a mês, ano a ano.

Diz-se que a camada de gelo do An­tártico, que contém 90% do gelo mun­dial, se está a derreter 10 vezes mais de­pressa do que se estimava há apenas 12 anos. Se isto continuar ao ritmo atual, dentro de 20 anos os nossos oceanos não subirão apenas entre 30 cms a 1 metro, mas poderão subir até 6 metros! Remi­niscências do filme Waterworld!

Sinto-me profundamente entristecido e ultrajado ao pensar que esta destruição insensata e exponencial do nosso meio ambiente poderia ter sido interrompida há muito tempo atrás, ou mesmo evita­da, simplesmente cultivando-se cânha­mo para satisfazer as nossas necessidades em termos de papel, plásticos, fibras e energia, tal como o Governo dos EUA nos aconselhou a fazer em 1916, no Bulletin 404, páginas 150-155. M revista Popular Mechanics de Fevereiro de 1938, e, em 1942, no filme de propaganda militar Hemp For Victory, realizado pelo Depar­tamento de Agricultura dos EUA

Em 1970, as principais mídias tolera­vam sobranceiramente a ganzá. A cultura juvenil estava em ascensão e os humildes pareciam destinados a herdar a terra do complexo militar-industrial. Por volta de 1983, o capitalismo avarento e incons­ciente da "geração eu" fizera retroceder a onda humanista.

Em 1978, após 202 anos de nacionali­dade, havia cerca de 300.000 americanos em prisões estaduais e federais e outros 150.000 em prisões municipais (para todos os crimes). Havia apenas 45.000 guardas prisionais em todo o país; apro­ximadamente um guarda por cada 10 prisioneiros. Nessa altura, a construção de escolas e universidades era uma prós­pera indústria em expansão. Gastava-se pelo menos cinco vezes mais na cons­trução de escolas do que na construção de prisões.

De súbito, espantosamente, em 1978, a nova liderança sindical dos guardas pri­sionais e as associações de funcionários correcionais transformaram o corpo de guardas previamente ineficaz num dos grupos de lobbying mais poderosos, e em alguns estados o mais poderoso, do país. O que a nova liderança de guardas rei­vindicava em 1978 eram sentenças deter­minantes cada vez mais pesadas para crimes cada vez menos sérios, e a virtual abolição de períodos de liberdade condi­cional a conceder por bom comporta­mento, de forma a assegurar-se o rápido crescimento das populações prisionais. Este desejo seria concretizado nos anos Reagan.

Nos últimos 22 anos, estes poderosos sindicatos de funcionários correcionais tornaram-se o maior contribuinte indi­vidual dos legisladores estaduais — e em grande medida do Partido Republicano. Agora, em 2000, mais de 1.500.000 pessoas estão encarceradas e 600.000 sob regimes de detenção, e o sistema penal sustenta 250.000 guardas prisionais, cer­ca de 1 guarda por cada 8 prisioneiros! Mas últimas duas décadas, a construção de prisões e o emprego no sistema prisional têm figurado entre os setores. maior crescimento nos EUA, enquanto os gastos federais e estaduais em novas escolas decaíram para menos de um quinto dos gastos na construção de prisões. Os Estados Unidos da América (a Terra da Gente Livre) têm apenas cin­co por cento da população mundial. E todavia, de todas as pessoas encarceradas pelo mundo fora, 25 por cento estão encarceradas nos EUA. As taxas estão notoriamente desequilibradas.



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