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Caos in Casa

hempadao 19 novembro, 2013

Então, meu nome é D., fumo desde o início deste ano, e apesar de começar a apreciar a maconha regularmente de uma forma precoce, nunca gostei de mentiras. Logo, desde o início do meu trajeto como maconheiro sempre tive vontade de assumir à minha mãe e aos meus familiares sobre meu hobbie (fumar), que para minha família é um um tanto quanto comum, porém infelizmente pelo lado negativo já que possuo um irmão (quase 30 anos e totalmente dependente de meu pai financeiramente) viciado em crack.

Mesmo que não esteja 100% maduro em minhas atitudes, talvez por conta da idade, sempre fumei de forma discreta, e nunca deixei vestígios, seja de cheiro, bagas, ou até mesmo um simples isqueiro, e talvez por isso eu tenha conseguido esconder o meu ato até o dia 17/08/2013, quando felizmente (sim, felizmente) resolvi fazer uma mini-festa aqui no meu apartamento para meus poucos amigos que viriam, porém todos fumantes de maconha e que sabiam o que ia acontecer, do contrário, minha mãe acreditava que íamos apenas beber.

Moro com minha mãe, e meu primo (meu pais são separados), e este possui um narguilé, o qual inventamos de fumar na tal festa, quando chapados, imaginemos a cena… o resultado foi o carpete da minha sala queimado pelo carvão, o que enfureceu minha mãe, pois ela não sabia que fumaríamos qualquer tipo de substância. Inicialmente eu menti, dizendo que fumamos essência, mas após um tempo ela achou um punhado de maconha perdido no canto da sala, do qual nem eu tinha conhecimento.

Eu estava sentado em frente ao meu computador, no meu quarto, e trancado, quando ela entra chorando, abre a mão (com um punhado de maconha), e me pergunta porque eu havia fumado, se sabia das consequências de tudo aquilo no futuro (exemplificou, citando o meu irmão). Eu abri o jogo, disse que fumei sim, que sempre gostei de fumar e de estar chapado, mas que isso não me impede de sonhar e de construir minha vida de forma saudável e responsável, falei pra ela que se abrisse minha mochila, iria achar mais, ela abriu, e obviamente ela chorou, e muito, mas felizmente, eu tive uma das maiores – e felizardas – surpresas que algum maconheiro adolescente poderia ter:

Ela me devolveu o pote de cannabis que tinha dado em suas mãos com a seguinte frase: "Toma, isso é teu…". Eu fiquei surpreso, e em meio a choro (por ver minha mãe naquele estado), fiquei feliz e determinado a dar muito orgulho a ela no futuro.

Tendo esse irmão (que é somente por parte de pai), depressivo e suicida por no mínimo duas vezes em sua vida, minha mãe teme que o mesmo aconteça comigo, e por isso já me levou a psiquiatra/psicólogo – sob a minha aceitação, é claro – para que tomássemos as decisões cabíveis, de nada adiantou, o psiquiatra apenas reforçou a ideia de que "a maconha é porta de entrada para outras drogas", e que nada ela poderia fazer, pois eu SIM, quero continuar fumando cannabis, e de acordo com isso, eu e minha mãe mantemos esse segredo, nem meu pai, tio, tia, e sequer primo (que mora na mesma casa) sabem que eu fumo.

Em suma, minha mãe não aceita eu fumar, mas respeita e deixa eu fumar em casa (como sempre fiz, de forma discreta e silenciosa) por segurança. Após algumas semanas fumando sob consciência dela, decidimos que íamos fazer um trato, por precaução de todo o ocorrido de meu irmão (que fumava escondido e sem limitações). Decidimos que eu fumaria somente aos fins de semana, ou seja, ela mesmo regularia minha maconha, e até hoje isso permanece, em meio a plena confiança, de que eu respeite essa regra e fume somente aos finais de semana, em festas ou coisas do tipo, e durante a semana eu estude, garanta boas notas, e por consequência, um bom e bem sucedido futuro.

Então pessoal, esse foi o relato da minha trajetória como fumante de cannabis, felizmente eu tenho uma excelente mãe e estou super feliz com isso, não precisei largar meu hobbie, mas ao mesmo tempo cumpro com minhas responsabilidades. Infelizmente a minha realidade é uma exceção em meio a tantas outras Brasil à fora, talvez por conta da criminalização de usuários e falta de conhecimento da sociedade, como maconheiro é óbvio que eu gostaria que todos pudessem desfrutar da planta sem receio, mas isso não é possível, e o que me resta é simplesmente lamentar… 🙁

Relato de um leitor enviado para redacao@hempadao.com



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