O Brasil dos ‘matáveis’

Chapa2

hempadao 16 junho, 2015

por Tales Henrique Coelho

Já parou pra pensar que no Brasil certas palavras têm pesos bem diferentes, embora não tenham sentidos tão distantes? É o caso do ‘traficante’ por exemplo: é na hora identificado como um grande mal, um sujeito que merece morrer. Já quando temos um ‘suspeito’ de desviar milhões, o discurso é sempre outro…

Isso acontece mesmo que o traficante nunca tenha feito nada muito além de vender drogas, e que o ‘suspeito’ em questão tenha desviado milhões em recursos públicos.

O corrupto pode ter sido responsável por muito mais danos à sociedade que o vendedor de maconha e pó da favela. Mas quase nunca veremos alguns tipos de criminosos nem mesmo algemados.

Já os que se enquadram em certas categorias, esses estão todo dia no programa do Datena.

Não é novidade pra ninguém que por aqui o conceito de cidadão é muito amplo, e não é igual para todos. Uns são mais iguais que outros.

Ou alguém lembra se teve gente presa ou ‘escrachada’ na TV por causa do helicóptero lotado de cocaína?

No Brasil a guerra às drogas serve para rotular muita gente. Para justificar a matança de ‘inimigos públicos’ construídos. Enquanto outros que desviam e sonegam milhões aparecem na ‘Caras’, que aquela sua tia avó que defende a pena de morte deve adorar.



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