No Brasil internação aos drogados, na França – o Museu! [Portas da Percepção #211]

Portas da Percepção

hempadao 15 março, 2013

por Fernando Beserra

 

Enquanto no Brasil o assunto do dia é a perda dos direitos civis, sob a égide da internação compulsória, e o endurecimento penal para o comércio de substâncias psicoativas tornadas ilícitas, na França parece que os ares são bem diversos…

 

imageMas não estamos discutindo política, embora politicamente escrevendo. O ar da graça francês vem de Paris, mais especificamente da Casa Vermelha (Maison Rouge) onde ocorre até o dia 19 de maio a exposição “Sous influence”. A Exposição conta com um acervo de 250 obras de 91 artistas, todas de algum modo ligadas aos efeitos das substâncias psicoativas. Grande parte do acervo foi produzido com os artistas em estados alternativos de consciência e outras buscam representá-lo de algum modo.

A exposição reúne obras de artistas famosos como Francis Picabia, Jean Cocteau, Damien Hirst, Basquiat e, pasmem, o brazuca Hélio Oiticica. Para quem não conhece, vale a pena pesquisar. Oiticica, artista e anarquista, foi um dos mobilizadores do neo-concretismo, do tropicalismo e fazia intervenções de cair o queixo, tendo sido até mesmo expulso do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A obra do artista exposta é “Quasi-Cinema 02.CC5”, trás traços do rosto de Hendrix com linhas de pó branco, na capa do disco “War Heroes”. Sob a capa, uma folha de papel alumínio…

imageNa exposição francesa, que bem poderia se repetir no Brasil, tudo começa na entrada, onde as pessoas inevitavelmente passam pelo “Swinging corridor”, do artista belgo Carsten Holler, que dá a sensação ao espectador de que as paredes estão se mexendo, alterando a consciência. Este é um efeito típico nas artes produzidas a partir dos anos 70 do século passado, na optical art.

Na entrada do corredor, incensos simulam o cheiro do ópio. Adel Abdessemed também participa da exposição, onde “captura” o cheiro da fumaça do haxixe em um vidro. A exposição, segundo seu curador, pretende expressar as experiências com drogas de forma não pedagógica, criando um cenário que permite inclusive a discussão sobre as substâncias.

Na exposição, também são encontradas mesas com vários utensílios para o uso de psicofármacos diversos.

Por fim cabe a frase de Antoine Perpère, curador:

“A guerra as drogas não funciona. Sou a favor da descriminalização do uso de drogas”.



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