Nada de novo no front

Chapa2

hempadao 14 julho, 2015

por Tales Henrique Coelho

No ano de 1888 o Brasil finalmente aboliu a escravidão em todo o seu território. A Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel no dia 13 de maio, exatamente 23 anos depois que a escravatura havia sido banida em todos os estados dos EUA, 81 anos depois da Inglaterra, 59 anos depois do México e 65 depois do Chile. Fomos o último país das Américas a abolir essa abominação, e um dos últimos do mundo.

escravos

(Isso foi legalizado no Brasil décadas depois de estar proibido em outros países)

Recentemente uma notícia me fez pensar numa analogia em relação às leis sobre drogas. Isso porque a Câmara dos Deputados do Chile aprovou, em primeira votação, um projeto que legaliza a maconha, seu plantio e uso medicinal ou recreativo, assim como já acontece no nosso vizinho Uruguai. 

Do jeito que as coisas vão por aqui, é bem provável que, assim como a escravidão, a gente demore uns 65 anos para copiar o ótimo exemplo de nossos vizinhos andinos.

Apesar de termos uma pequena esperança de avanço no STF, onde os velhinhos de toga tendem a, na prática, descriminalizar o uso de drogas. (Entenda melhor aqui).  O que não é a legalização em si, mas é o avanço possível.

O ideal e a verdadeira mudança viriam com uma nova lei de drogas, uma mudança de paradigma, criando novos mecanismo de regulação de um mercado legalizado. Isso depende de uma aprovação no Congresso Nacional.

E, com os picaretas conservadores que temos por lá, não podemos esperar nada. Aliás, podemos sim. Do jeito que as coisas andam, é capaz de aprovarem alguma lei ainda mais dura, na contramão de todo o planeta.

(Daqui a pouco ele resolve reinstalar a Monarquia no Brasil).

Por enquanto continuamos sendo a vanguarda do atraso. Assim como a abolição da escravidão, é bem provável que a legalização só venha muitas décadas depois de outros países.

E, assim como a escravidão, em algum momento no futuro as pessoas vão olhar para trás e ver como era imbecil, absurda e racista a atual lei de drogas.



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