Mortes por Cannabis Sintética indicam necessidade de venda controlada de maconha, diz especialista na Austrália

WAW

hempadao 6 fevereiro, 2015

Dr. Alex Wodak

A morte de dois homens no centro de Queensland depois de fumarem cannabis sintética enfatiza a necessidade para regular a maconha e permitir sua venda controlada, diz o presidente daAustralian Drug Law Reform Foundation (Fundação Australiana de Reforma na Lei de Drogas).

Dr. Alex Wodak disse que foi muito difícil determinar as substâncias na cannabis sintética, tornando seus efeitos imprevisíveis e o tratamento para reações adversas difícil.

Os homens morreram depois de fumar um produto conhecido como Full Moon (Luz cheia) vendido em sex shops como chá de ervas. Um dos homens teve um colapso depois do primeiro trago e não recuperou a consciência novamente, disse a polícia.

Wodak, um especialista em vícios, disse que as pessoas foram levadas ao uso de drogas sintéticas pois são mais fáceis de conseguir e por causa da errônea ideia de que são legais e seguras.

"Isto é para mim um argumento forte para aceitar a  força das abordagens atuais para combater as drogas fazendo algo que será efetivo," diz Wodak

"Isso significa enfraquecer o mercado negro tendo uma abordagem regulada à cannabis que inclui a sua taxação"

Wodak disse que a regulação poderia tornar crime a venda às pessoas abaixo de certa idade e mulheres grávidas. A embalagem deveria ter etiquetas de aviso alertando às pessoas que o produto pode causar esquizofrenia  e informações de onde encontrar ajuda para aqueles que sentiram que podem estar viciados.

A permissão da venda de cannabis dessa maneira iria afastar os usuários do uso da droga sintética, que tem efeitos colaterais imprevisíveis, disse ele.

Os pesquisadores dizem que as substâncias causaram problemas por todo o país.

O diretor do National Cannabis Prevention and Information Centre, Professor Jan Copeland, disse que os clínicos já viram pacientes sofrerem efeitos cardiovasculares como alta pressão arterial e coração acelerado; convulsões; falha do rim e fortes efeitos à saúde mental como alucinações, psicose, pânico e ansiedade.

Aproximadamente 230.000 australianos – 1,2% da população – experimentou canabinoides sintéticos em 2013, mas muitos nunca mais os usaram depois de experimentar efeitos indesejados, disse Copeland.

Em 2012, a Austrália Ocidental tentou combater o problema identificando as substâncias na cannabis sintética e banindo cada uma por nome quando ficou sabido que os trabalhadores mineiros estavam evitando a detenção durante os testes de droga utilizando a cannabis sintética ao invés da marijuana.

"Uma vez os pesquisadores encontraram mais de 20 substâncias  e acharam que nunca conseguiriam terminar o trabalho," disse Copeland.

Cada vez que uma substância era banida, os "fabricantes" simplesmente a substituíam por uma nova.

"A Commonwealth então fez uma mudança na lei para tornar ilegal qualquer coisa que imite o efeito da cannabis ou de outras drogas ilegais, de maneira que a polícia não precisasse testar as drogas sintéticas e descobrir o que havia nelas para justificar apreensão e perseguição," ela disse.

Mas os produtores e vendedores ainda tentam burlar a lei. A cannabis sintética é vendida em sex shops, online e por vendedores de fumo como tudo desde incenso até poutpourri e chá de ervas. Mas não importa a embalagem, a substância não é segura ou legal, disse Copeland.

"O que é comercializado como cannabis sintética é, essencialmente, material orgânico de plantas que foi borrifado com produtos químicos e depois é fumado para produzir a sensação de estar chapado," afirmou Copeland

Como resultado, os médicos não têm como saber a que os pacientes estão reagindo. Devido à falta de dados toxicológicos, é difícil atribuir as mortes aos canabinoides sintéticos mas, informalmente, casos de emergência relacionados à essas drogas estão aumentando.

Professor Jennifer Martin, que ocupa a cadeira de farmacologia clínica na Universidade de Newcastle em NSW disse que centenas de potenciais canabinoides sintéticos foram identificados e outros são ‘lançados’ com frequência.

Ela e seus colegas estão em um processo para estabelecer uma base de dados nacional listando as substâncias encontradas nos canabinoides sintéticos, o que poderá ser usado para ajudar no tratamento de reações adversas que eles causam assim como monitorar a composição química dos sintéticos que são vendidos na Austrália.

Utilizando novas tecnologias, Martin poderá testar amostras comercializadas e amostras dos pacientes para determinar quais substâncias foram ingeridas e em qual quantidade.

A tecnologia anterior só permitia que substâncias já predeterminadas fossem identificadas e quantificadas.

"Se você tiver uma overdose de morfina, por exemplo, sabemos o que precisamos fazer," disse Martin.

"Com as drogas sintéticas não sabemos exatamente o que estamos procurando, só sabemos que tem muitas coisas no seu corpo que não deveriam estar e precisamos, de alguma maneira, descobrir quais são e qual sua quantidade."

"Ela e sua equipe trabalham nos departamentos de emergência pela Austrália e uma equipe baseada nos EUA no National Institutes of Health e espera que os primeiros dados estarão disponíveis na base de dados para uso clínico dentro de nove meses."

Seguindo as mortes mais recentes, a polícia de Queensland fez batidas em sex shops em Rockhampton, Bundaberg, Mackay e Toowoomba, apreendendo uma grande quantidade de cannabis sintética. Nenhuma acusação foi feita e as investigações continuam.

Leia a matéria original AQUI



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *




Papelito
Banner Sedina