‘Maconha virou símbolo da ganância’, diz xerife de condado na Califórnia

Clipadão

hempadao 5 novembro, 2017

O americano William F. Honsal, 44, cresceu no condado de Humboldt e viu a região famosa pelas florestas passar por diversas mudanças até virar um dos maiores produtores de maconha do mundo.

Neste ano, virou xerife interino do condado e patrulha uma área na qual se estima que existam mais de 20 mil núcleos de plantações de cannabis, sendo apenas 1% legalizado e outros 5% em processo de obter licenças.

Honsal, que foi policial por 22 anos, acredita no poder medicinal da planta e está otimista com a legalização na Califórnia a partir de janeiro.

Fonte: Folha de São Paulo

No entanto, teme pela economia da região. Outros desafios são o crime organizado e uma alta taxa de homicídios relacionados a negócios da droga, cujo valor vem diminuindo bastante com o aumento da oferta de mercado -meio quilo chegou a custar US$ 3.000 (R$ 9.800) e hoje vale menos de US$ 1.000.

Em seu escritório em Eureka, Honsal contou à Folha como a maconha faz parte da cultura de Humboldt desde os anos 1960, com a chegada dos hippies. Hoje, porém, ele acredita que a droga virou um símbolo de ganância.

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Folha – Quais são seus desafios nestes meses pré-legalização?

William F. Honsal – Ainda existe um mercado negro muito ativo, que não apenas vende droga ilegalmente mas também usa métodos de plantação que prejudicam o ambiente. Seus efeitos serão duradouros. Eles usam pesticidas que entram no solo e contaminam toda uma cadeia de alimentação. Quem vai caçar não pode aproveitar seu veado porque a carne está contaminada. Temos invernos de chuvas fortes e a água puxa estes pesticidas para os rios. A população de peixes está lutando para sobreviver. É uma indústria muito gananciosa, muito.

Como é feito o combate ao mercado ilegal?

Fazem parte cinco ou seis agências regulatórias que cuidam de violações ambientais, uso ilegal de terras, desvio de água, prédios irregulares.
Se a pessoa planta maconha ilegalmente, provavelmente também desvia água, desmata floresta. São milhões de dólares em multas que ela pode levar, assim como acusações criminais. É um dinheiro que pode nos ajudar no combate. Atingimos apenas 1% do problema, mas olhamos para outros jeitos.

Quais os motivos para não se legalizar, além de fugir das burocracias e impostos?

Porque eles querem mais dinheiro. O que fizemos na Califórnia foi: pense num restaurante ilegal que funciona há anos. E dissemos ao dono: “pode continuar com seu negócio ilegal até acertar suas contas com a lei”. Não faz o menor sentido, mas é como a Califórnia está lidando com a maconha. E ainda assim não estão levando a sério.

Quais os efeitos na sociedade com os avanços na legalização da droga nas últimas décadas?

Vimos uma grande mudança. Antes era uma cultura hippie. Pessoas vieram para cá nos anos 1960, de San Francisco, para começar pequenos cultivos de maconha, nunca foi algo ganancioso. Mas eles tiveram filhos, e os filhos tiveram filhos, e virou uma grande indústria gananciosa.

O sr. está otimista com a legalização?

Quero que seja uma indústria para acabar com o mercado negro. O mercado negro atrapalha nosso ambiente e nossa economia. O condado se beneficia do dinheiro do mercado negro, mas é uma falsa economia. Muitos negócios foram construídos para sustentar a maconha ilegal. E quando isso acabar, a economia vai sentir.



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