Letícia, 20 anos, SC [Candidata 036 – Miss Marijuana 2013]

Miss Marijuana 2013

hempadao 24 novembro, 2013

Nome, idade, estado onde mora.

Letícia, 20 anos, SC.

Por que você acha que a maconha foi proibida?

Pelo que sei e acredito, a maconha foi proibida inicialmente nos EUA por interesse de vários segmentos. Desde os fundamentos religiosos puristas, passando pela repressão a culturas imigrantes, até a influência de indústrias que viam no cânhamo um concorrente forte. Para atender aos ideais direitistas, conservadores, puritanos e econômicos, o governo americano reprimiu fortemente o uso e a proliferação da maconha logo no início do século passado, e como é sabido pelo mundo inteiro graças ao capitalismo selvagem, os Estados Unidos exercem influência inegável sobre quase todas as outras nações. Logo, o Brasil e tantos outros países, dependentes ou aliados, foram levados a adaptar-se a políticas proibicionistas e reacionárias, baseadas em políticas públicas falhas, sem preocupação científica, com a saúde populacional ou com as benesses da cannabis.

Trabalha ou estuda? Qual sua área de atuação?

Estudei Comunicação Social por dois anos, mas tranquei o curso. Quero estudar e atuar como professora de história e filosofia. Trabalho como executiva de vendas e quase-empresária.

IMG_1716Qual a sua opinião sobre a legalização da maconha no atual contexto político-social nacional?

Creio que a legalização no Brasil está próxima. Embora o preconceito com tudo que envolva cannabis ainda exista, a divulgação dos benefícios do seu emprego em tratamentos e na indústria tem contribuído para que a legislação mude e principalmente a visão generalizada depreciativa sobre ela seja desconstruída. Os usuários também têm estado mais engajados na causa e a sociedade mais aberta a discussões políticas e questionamentos de dogmas e padrões.

Particularmente, sou favorável à descriminalização do porte e à legalização do cultivo e do uso da maconha como recreação, como medicamento e como matéria-prima. O Estado não deve tutelar sobre as liberdades de um indivíduo e nem repreendê-lo por atos que não interfiram nas liberdades de terceiros, desde que ele seja inteiramente responsável por si e pelas conseqüências das suas decisões. Se a nossa cultura admitisse as liberdades individuais dessa forma, certamente o povo compreenderia as reais motivações da proibição – e assim, talvez, ela nem tivesse ocorrido, e sim discutida a legislação acerca da erva há muito tempo. Vejo a legalização não apenas como saída para a injustiça social e penal imputada aos usuários, mas como questão de saúde e segurança públicas, de avanço mental. Para isso, basta ao Brasil espelhar-se nos muitos bons exemplos estrangeiros bem sucedidos de como a maconha pode ser tratada, seja autorizando o plantio para consumo próprio ou a venda estatal – que facilita o controle numa sociedade ainda impregnada de preconceito. E a nós, claro, resta lutar.

Como você gosta de gastar a onda?

Conversando com os amigos. Gosto também de curtir um som, de namorar, de escrever, de pensar sobre as coisas.
Uma boa música para ouvir chapada:

When The Levee Breaks – Led Zeppelin

Por que você quer ser a Miss Marijuana 2013?

Quero ser miss por gostar tanto da erva e do que ela me faz sentir. Pela desmistificação do que é ser miss e do que é ser maconheira. E pelos prêmios, claro, que vão me fazer ainda mais feliz! Haha
Qual sua opinião sobre as outras drogas?

Minha opinião sobre a legalização sobre todas as drogas, admito, não está completamente consolidada – porque não conheço a fundo as demais. Mas por acreditar que as liberdades individuais estão acima da tutela do Estado, creio que o uso pessoal e responsável de quaisquer substâncias que sejam não deve ser recriminado legalmente. Porém, a distribuição, o acesso, a procedência, e os efeitos psicológicos, fisiológicos e especialmente os sociais devem ser cuidadosamente analisados não só pelas autoridades, mas pelos próprios usuários. Se as drogas não fossem tratadas como tabu – coisa que não deveria ser (porque o ser humano sempre se drogou, em diversas culturas e de diversas formas) – essa discussão avançaria bem mais. Evitaríamos boa parte das mortes, da superlotação das penitenciárias, da violência do tráfico e da marginalização e estigmatização a que os usuários de todas as drogas são automaticamente submetidos – como se isso lhes tirasse o direito a cidadania, educação, respeito, dignidade e humanidade.

Se pudesse escolher, moraria no Uruguai, na Holanda ou prefere esperar o Brasil legalizar?

Tenho muito interesse em viver em outros países, especialmente na América Latina, que são nossos países-irmãos, e em lugares que me acrescentem espiritual e culturalmente. Mas com certeza prefiro que o Brasil legalize! Chapar e viver na minha liberdade da terra não tem comparação.

Há quanto tempo acompanha o Hempadão e o que mais gosta no blog?

Há mais de um ano, quando além do uso, a maconha passou a ser tema recorrente na minha vida. Gosto das informações, de saber como outras pessoas lidam com a maconha, do canal no Youtube e das matérias, mas principalmente das reflexões que o blog me possibilita.



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